A Igreja Católica colombiana se uniu ontem aos vários setores que exigem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a entrega dos corpos dos 11 deputados mortos enquanto eram mantidos como reféns pelo grupo guerrilheiro.

“Não é pedir nenhum favor às Farc”, afirmou em Bogotá o secretário-geral da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), Fabián Marulanda, enquanto várias entidades promovem gestões para obter a entrega dos corpos.

O líder católico disse à “Rádio Caracol” que a devolução dos corpos “é o mínimo que as Farc podem fazer após terem cometido o erro”.

Já o procurador-geral, Edgardo Maya, disse que os guerrilheiros têm a obrigação ética e jurídica de devolvê-los imediatamente “para que suas famílias possam enterrá-los” e, assim, “diminuir a dor e o sofrimento” que sentem.

Maya fez as afirmações em carta dirigida a cada uma das famílias dos deputados, seqüestrados em abril de 2002 na sede da Assembléia Legislativa do departamento de Valle del Cauca, localizada no centro de sua capital, Cali.

As Farc chegaram a incluir os legisladores na relação de reféns que pretendiam trocar por mais de 500 presos, entre eles dois extraditados para os Estados Unidos, por meio de um acordo humanitário com o Governo.

Até o assassinato dos deputados, 69 pessoas faziam parte do grupo, entre policiais, políticos – como a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt – e três americanos.

Também faziam parte desse grupo dez pessoas assassinadas em Antioquia, no noroeste do país, em 2003, em represália por uma operação de resgate, além de outro que morreu vítima de uma doença em 2006, e dois que fugiram: Fernando Araújo, atual ministro das Relações Exteriores – que deixou o cativeiro em dezembro após seis anos – e John Frank Pinchao, policial que fugiu em abril após quase nove anos como refém.

Na última década, foram registrados 24 mil casos de seqüestro na Colômbia, 1.269 dos quais acabaram em morte, segundo uma reportagem publicada hoje pelo jornal “El Tiempo”, que afirma que um dos atuais reféns das Farc, o militar Pablo Emilio Moncayo, é um dos que está há mais tempo em cativeiro no mundo: nove anos e meio.

São atribuídos às Farc, que mantêm agora 740 reféns, 6.544 do total de seqüestros da década, além de 333 assassinatos.

O caso dos deputados remeteu ao dos dez mortos de 2003, entre os quais estavam o governador de Antioquia, Guillermo Gaviria, e seu assessor de Paz, o ex-ministro da Defesa Gilberto Echeverri.

As Farc assumiram a responsabilidade pelas mortes de 2003, mas não pelas de 18 de junho, data da morte dos deputados.

Em comunicado divulgado na internet dez dias depois, as mortes foram atribuídas ao fogo cruzado com “um grupo militar não identificado”, o que foi negado pelo presidente Álvaro Uribe, que acusou as Farc de assassinato coletivo.

O defensor público Vólmar Pérez também apelou às obrigações dos rebeldes com suas vítimas, no caso, os políticos assassinados.

Em mensagem ao Secretariado (comando central) das Farc e à Agência de Notícias Nova Colômbia (ANNCOL), sediada em Estocolmo e que freqüentemente divulga documentos dos insurgentes, Pérez disse que a Defensoria está disposta a facilitar e a contribuir para entrega dos corpos.

As famílias dos deputados tinham pedido à Defensoria Pública que liderasse as negociações, com a participação de entidades como a Igreja Católica e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que ofereceu seus serviços na sexta-feira.

A Igreja está preparada, disse o secretário da CEC, e pediu às Farc que “ouçam o pedido e devolvam os corpos o mais rápido possível, para diminuir um pouco o sofrimento e a dor dos familiares”.

Fonte: EFE

Comentários