Algumas igrejas católicas e evangélicas em Fortaleza, capital de Ceará, instalaram sistemas de alarme e de monitoramento por circuito interno de câmeras. A idéia é evitar assaltos, garantindo a segurança dos fiéis e dos objetos sagrados.

As câmeras acompanham os passos de quem anda pelas áreas interna e externa da igreja, 24 horas por dia. Movimentos suspeitos também são detectados pelos sensores de um sistema de alarme instalado em pontos estratégicos da paróquia. Tem ainda dois vigias que controlam a entrada de visitantes quando não há celebração.

O esquema de segurança privada, adotado pela Igreja de Cristo Rei, na Aldeota, parece que tem dado certo. “Nunca teve assalto aqui”, garante a secretária paroquial Consuelda Azevedo. Ela é uma das responsáveis por monitorar, via computador, o circuito interno de TV. “Quando chego, de manhã, olho todo o movimento que teve de madrugada”, diz, informando que as imagens são gravadas.

A exemplo da Paróquia de Cristo Rei, outras igrejas em Fortaleza têm investido em segurança para evitar assaltos e roubos de objetos sagrados, como o que foi registrado, no início desta semana, na capela São José Operário, no bairro Bonsucesso. Os assaltantes entraram pelo telhado da igreja e levaram o sacrário folheado a ouro, onde eram guardadas as hóstias consagradas. “Também levaram dois ventiladores. Não é a primeira vez. Já foram roubados os portões e 40 cadeiras”, lembra a irmã Cida Lima, agente pastoral da capela. No local, não há vigia.

A maioria das igrejas que dispõem de segurança privada fica na Aldeota. Na Paróquia Nossa Senhora da Paz, todos os portões ficam trancados com cadeado nos horários em que não há celebração ou outras atividades. A entrada para a secretaria paroquial é feita apenas por uma porta, controlada por um vigia. “Mas, quando tem missa, são três vigilantes, um deles armado. Ele fica no portão principal e os outros dois ficam circulando”, explica Fátima Alencar, secretária da igreja. “O conselho paroquial decidiu contratar os vigilantes, há mais ou menos cinco anos, porque muitos carros que ficavam do lado de fora eram arrombados”, complementa.

Cerca

A Igreja da Glória, na Cidade dos Funcionários, foi toda cercada e um circuito interno de TV instalado no estacionamento. “Aqui não fica uma hora sem ninguém. A gente já tinha vigilância noturna e agora estamos com um segurança (desarmado) durante todo o horário de funcionamento da secretaria da paróquia. Temos um patrimônio que merece cuidado”, lembra Bosco Pontes, funcionário da igreja. De acordo com ele, a parte patrimonial, que inclui o sistema de som, fica trancada em ambientes fechados e há o cuidado de nunca acumular uma quantia alta do dinheiro obtido nas ofertas e no dízimo. “Aqui já roubaram, mas foram coisas pequenas. Objetos pessoais e pouco dinheiro que tinha no momento”, conta.

“Agora ficou mais seguro. Deixa a gente mais tranqüila. Antigamente não tinha aquela cerca. Eram vários assaltos na hora de estacionar o carro”, lembra a aposentada Silvia Albuquerque, que freqüenta a Paróquia da Glória. No bairro Dionísio Torres, a Igreja de São Vicente de Paulo fica aberta durante todo o dia, a partir das 6 horas da manhã. “Aqui nunca foi registrado um assalto”, diz Carlos Lima, auxiliar de serviços gerais da paróquia. Mesmo assim, foi implantado um sistema de alarme na porta principal e em todas as laterais. “Se o alarme disparar, a empresa de segurança é acionada.”

O cuidado com a segurança também pode ser visto na igreja evangélica Assembléia de Deus Templo Central. Segundo o pastor Bernado Manuel da Silva, o local nunca foi assaltado. O templo conta com vigilância eletrônica e seis vigias que se revezam para garantir a segurança dos fiéis e dos equipamentos de som da igreja.

E mais

Até ontem, o sacrário roubado da capela do bairro Bonsucesso não havia sido recuperado, de acordo com a agente pastoral Cida Lima. As investigações estão sendo feitas no 12º Distrito Policial (DP), no Conjunto Ceará. O POVO não conseguiu falar com o titular da delegacia, Francisco de Assis Bernardo, quem é autorizado a repassar as informações sobre o caso.

O auxiliar de serviços gerais da Igreja Santa Luzia, na Aldeota, Assis Monteiro, garante que o local nunca mais foi assaltado, desde que um sistema de alarme foi instalado, há cerca de dois anos. “Melhorou muito a questão da segurança. Antes, tinham alguns roubos. Chegaram a arrombar os cofres, levaram ventiladores e já abriram o sacrário”, diz.

Na Igreja de Nossa Senhora do Líbano, no Meireles, vigias também controlam a entrada dos visitantes a partir de uma guarita. A secretária paroquial, Fátima Salvino, diz que também há um circuito interno de TV, mas não quis dar mais detalhes por motivos de segurança.

A estilista Nádia Campos vai às missas de domingo na Igreja Cristo Rei, mas nunca notou a presença das câmeras do circuito interno de TV. “Não sabia que tinha, mas acho importante porque hoje nunca se sabe quem está do seu lado. Pode ser um bandido. A câmera dá a sensação de mais segurança”, diz.

As dicas de segurança para as pessoas que vão à missa são as mesmas dadas a quem vai a qualquer outro lugar público, conforme explica o major Marcus Costa, relações públicas da Polícia Militar do Ceará. A principal delas é não ostentar objetos de valor, como relógios e jóias.

O POVO solicitou à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) dados sobre a ocorrência de assaltos a templos religiosos na Capital, mas até ontem não obteve retorno do órgão.

OUTRAS IGREJAS

ALARME
O sistema de alarme da Igreja de São Vicente de Paulo, no bairro Dionísio Torres, foi instalado na porta principal e nas laterais.

VIGILÂNCIA
A Igreja Nossa Senhora da Paz, na Aldeota, investiu na contratação de vigilantes, que ficam controlando a entrada dos visitantes nos horários em que não há celebração. Em dia de missa, são três vigias, um deles armado.

CERCA
Uma cerca de dois metros e meio de altura foi instalada em toda a área da Igreja da Glória, na Cidade dos Funcionários. Há também um circuito interno de TV monitorando o estacionamento.

SEGURANÇAS
A Igreja Assembléia de Deus Templo Central, no Centro, também investiu na contratação de vigilantes e no uso de circuito interno de TV.

Fonte: Jornal O Povo