O julgamento do líder batista Vyacheslav Kalataevsky, que teve a casa invadida pela polícia secreta no dia 12 de março e acabou preso sob a acusação de ter cruzado a fronteira ilegalmente, deve acontecer em breve, mas a família não sabe exatamente quando. Ele corre o risco de ser condenado a até dois anos de prisão.

“A Corte não informa oficialmente quando o julgamento terá início, mas temos indícios de que deva ocorrer entre o dia 2 e 4 de maio”, diz a esposa, Valentina Kalataevskaya.

Ela está convencida de que a prisão do marido tem relação com a fé cristã. “Os oficiais que o prenderam não mencionaram isso, mas creio que há uma motivação religiosa no caso”, disse.

Desde que Vyacheslav foi preso, Valentina não foi autorizada a vê-lo. Ela contou que o marido inicialmente ficou preso em Balkanabad (antiga Nebit-Dag), mas em meados de abril foi transferido para uma prisão em Turkmenbashi.

Em 2001, Vyacheslav – que nasceu em Krasnovodsk, no Turcomenistão, mas possui um passaporte ucraniano – foi expulso de sua terra natal durante uma campanha para cassar passaportes de pessoas engajadas em atividades religiosas.

Nessa época foram deportados líderes muçulmanos, protestantes, Testemunhas de Jeová e Hare-Krichnas. E todas as atividades religiosas não-muçulmanas e não-ortodoxas da igreja russa foram declaradas ilegais no Turcomenistão.

Até hoje o Conselho de Igrejas Batistas, do qual Vyacheslav faz parte, é considerado ilegal, porque não segue os princípios previstos pelo Estado.

O Forum 18 tentou fazer contato telefônico com a Corte Criminal de Turkmenbashi, mas ninguém atendeu às chamadas.

“Eles não levam em conta que Vyacheslav foi legalmente deportado e obrigado a cruzar a fronteira em 2001, como punição por pregar o Evangelho”, explica Valentina.

Vyacheslav Kalataevsky foi levado pelas autoridades para a Ucrânia e depois transferido para o Cazaquistão, onde foi deixado sem dinheiro e sem passaporte. “Foi errado largarem-no lá nessas condições”, diz a esposa.

Sem avanços

O caso de Merdan Shirmedov, um protestante que teve negada a sua permissão de deixar o Turcomenistão para se encontrar com a mulher grávida, que está nos Estados Unidos, permanece sem avanços. Os oficiais do país têm se recusado a comentar o caso com o Fórum 18.

“Escrevi para o embaixador da Turquia em Washington, Meret Orazov, mas não obtive resposta nem qualquer intervenção de políticos americanos”, contou Wendy Lucas, a esposa grávida. Wendy acredita que esteja sofrendo uma retaliação por pertencer a uma família proeminente e protestante.

Fonte: Portas Abertas