Pastor George Alves teve um filho e o enteado mortos durante incêndio na sua casa
Pastor George Alves teve um filho e o enteado mortos durante incêndio na sua casa

George Alves (foto), apontado pela polícia por estuprar, agredir e queimar o filho Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e o enteado Kauã Sales Butkovsky, de 6 anos, passou de cabeleireiro a pastor em menos de 4 anos.

Para líderes de igrejas evangélicas, que estudaram para pastorear, é preciso mais cuidado na hora apoiar um líder religioso.

O pastor José Ernesto Spinola Contide, presidente de honra do Conselho Estadual de Igrejas evangélicas do Espírito Santo, diz que o episódio servirá para que a comunidade evangélica repense sobre quem realmente é pastor.

“Sabemos que nossa Constituição assegura o livre exercício dos cultos religiosos e garante, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. O problema é: será que ao assegurar o livre exercício dos cultos religiosos, permite que qualquer pessoa abra uma porta, invente o nome de uma ‘igreja’ e se autodenomine pastor, bispo, apóstolo, ou sei lá o quê, para dirigir aquela igreja? A resposta, para mim, é não”, afirma.

Ele completa que pastor não é, ou não deveria ser, uma profissão. E que ainda que não se exija que depois de formado – ou mesmo sem nenhuma formação teológica – uma pessoa faça uma prova para habilitar alguém a ser um pastor, para ele, essa liberdade tem proporcionado um grande mal estar perante aqueles que estudam e se dedicam para isso.

“É irresponsável uma denominação que ordena alguém pastor com apenas seis meses de conversão. Já está passando da hora das diversas denominações serem mais criteriosas e conscientes na escolha de seus pastores.” Na opinião de José Ernesto Spinola, a Igreja Batista Vida e Paz deveria ser responsabilizada civil e criminalmente por ordenar o George.

“Ele é uma pessoa monstruosa e desqualificada para exercer qualquer cargo eclesiástico. A denominação assumiu o risco de ordenar uma pessoa despreparada para a função. Se ela fosse responsabilizada, assim como um hospital também é responsabilizado pelo erro de um médico, tenho certeza de que as denominações teriam mais cuidado em ordenar qualquer um para pastor”, desabafa.

Pastor há 40 anos, Oscar Domingos de Moura, presidente da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus do Estado do Espírito Santo, contou que a categoria está estarrecida com as acusações que o pastor George responde.

“Eu fico muito triste só de ver a reportagem. A categoria está estarrecida. A pessoa que tem coragem de fazer isso com duas criancinhas não é gente, é monstro. Não é qualquer um que pode ser pastor. O George entrou na igreja para enganar. Na verdade, ele é um falso pastor”, afirma.

Já o pastor da igreja batista de Morada da Barra, em Vila Velha, Geovanni Gomes Coelho, diz que já soube de outros casos de pastores que cometeram crimes, mas que nunca soube de nada tão hediondo.

“Observo a atitude de um homem comum com algum distúrbio. Infelizmente as pessoas não trazem na identidade seus traços de personalidade e transtorno. Esses criminosos costumam ter poder de persuasão. Já vi pessoas usando o trabalho de pastor para praticar crimes. Usam da lábia e infelizmente é difícil detectar”, diz.

O pastor da Igreja Batista Vida e Paz, Wallace Souza, que veio de Minas Gerais para celebrar o culto na noite deste domingo, 27, em Linhares, preferiu não comentar as críticas dos pastores.

Fonte: Gazeta online