O missionário Fernando Sousa em momento de evangelismo nas ruas de Lisboa. (Foto: Arquivo Pessoal)
O missionário Fernando Sousa em momento de evangelismo nas ruas de Lisboa. (Foto: Arquivo Pessoal)

Luana Novaes
Guia-me

Embora o campo de missões na Europa seja marcado por estereótipos, os missionários que decidiram dedicar suas vidas neste continente tem enfrentado muitos desafios. 

De acordo com o missionário Fernando Sousa, que atualmente vive em Portugal com sua esposa, Nathalia Diaz, é preciso que a Igreja Brasileira entenda as necessidades do campo missionário europeu e passe a investir nisso.

“Os europeus foram um dos maiores precursores das Boas Novas, levando o Evangelho de Jesus para o mundo. Hoje o continente europeu necessita que voltemos em honra e agradecimento por tudo o que eles derramaram sobre nossas vidas como pioneiros”, disse Fernando ao site Guiame.

Para esclarecer mais sobre a atuação ministerial na Europa, Fernando listou alguns desafios que pessoas com o chamado missionário para os países europeus podem enfrentar:

1. Você talvez vai encontrar desafios financeiros. 

Fernando observa que muitos missionários e até pastores, mesmo com suporte da igreja, têm que dividir o seu tempo com um trabalho secular para pagar as contas. 

“Eu acredito que o Deus que envia é o mesmo que garante o sustento do missionário no campo, mas esse entendimento não pode tirar a nossa responsabilidade como igreja”, alerta.

Ele explica que o desafio de sustento financeiro sempre vai existir, seja na África, Ásia ou Europa. Mas, na maioria dos casos, os missionários no continente europeu são vistos como “alguém em busca de um bom estilo de vida”.

“O famoso estereótipo do missionário na África e lugares com pobreza visível sempre será um estigma que tem colocado a igreja na posição de julgamento quando existem pessoas sérias que sentem um real direcionamento de Deus de entregar suas vidas em nações com maior poder aquisitivo. Do outro lado existem igrejas que realmente não conseguem manter por simplesmente não ter como levantar recursos na moeda do país”, observa. 

2. Você vai encontrar desafios com o choque cultural e o processo do visto (principalmente se esse país fala uma língua diferente).

A experiência transcultural é desafiadora por si só: cada nação tem suas próprias leis, cultura, língua, modo e estilo de vida. Fernando alerta que é preciso estar ciente disso. 

“Cada país da europa é diferente e existem processos diferentes de inserção, processo de visto e aprendizado sobre a realidade local. Isso leva tempo, então não pense que vai acontecer da noite para o dia”, afirma.

“Depois dos primeiros meses de lua de mel com o seu novo país, sempre vem a parte burocrática, os papéis, as responsabilidades fiscais, as contas e a inserção em uma cultura nova. Tudo isso junto e misturado que pode se agravar mais se você tem a sua família no campo”, completa.

3. Você vai ter de lutar para manter o seu chamado e visão.

Fernando avalia que há uma ameaça na perspectiva da igreja sobre missões na Europa: a cultura europeia é muito sedutora. “A maioria dos lugares são lindos cartões postais, os preços em euros nos supermercados e lojas de roupas são tentadores e o estilo e padrão de vida é melhor”, observa.

“É muito fácil entrar na zona de conforto quando você tem acesso a um estilo de vida melhor. Se esse envolvimento se encontra com o desânimo de se sentir sozinho, não ter apoio, ter de esperar processos e outras dificuldades, isso pode matar a sua visão e chamado em pouco tempo”, alerta.

Por isso, Fernando afirma que “é preciso ter muito claro qual o propósito que Deus te entregou de maneira específica e ser intencional com ele”. 

“Sem olhar para trás, muito atento e lutando. Você terá de lutar para manter a chama acesa e buscar o equilíbrio entre inserir-se na cultura local e ao mesmo tempo não permitir que essa cultura mate a visão que Deus te entregou”, explica.

4. Você (provavelmente) vai ter desafios em se apresentar aqui apenas com o “título” de missionário.

“Sim, Deus é soberano. Sim, ele usou iletrados (e ainda usa). Mas, o missionário que não tem uma profissão, uma qualificação ou que carrega apenas o ‘título’ de missionário pode encontrar um pouco de dificuldade aqui na Europa”, afirma Fernando.

Fernando acredita que existem exceções, mas com uma carreira, é possível ter acesso a lugares e pessoas específicas. “Você não precisa concordar com esse tópico, mas eu tenho percebido que existe uma diferença e até aceitação se você consegue se qualificar antes de vir pra cá”, observa.

Ele ainda acrescenta: “Não leia esse tópico com uma forma de desencorajamento caso você não se encaixa nesse perfil. O Espírito Santo move como Ele quer”.

5. Você vai encontrar desafios se não for parte de alguma igreja ou organização.

Missionários que não possuem um vínculo sério com uma igreja ou organização na Europa podem enfrentar sérios desafios, segundo Fernando. “É muito importante ter em mente que você vai precisar de pastoreio e cobertura espiritual em oração. Te encorajo a, antes de decidir viver com plenitude tudo o que Deus tem para você aqui, converse com o seu líder, estude e entenda o seu campo missionário”, aconselha. 

“Procure entender mais sobre o país e planeje o máximo que puder. Mesmo com planejamento os desafios virão, mas isso ajuda muito a prevenir que eles cheguem. Ore, busque, estude, pergunte e conte os custos”, acrescenta.

O missionário alerta que a jornada na Europa não é fácil e vem com um peso de responsabilidade muito grande. “Os ataques virão de todos os lados e você vai sentir o peso da atmosfera com o passar dos dias. Mas, é por essa razão que estamos aqui, para trazer a contracultura (em honra) do Reino de Deus. Amando, caminhando em humildade e morrendo todos os dias”, afirma.

Por fim, Fernando encoraja aqueles que sentem o chamado para a Europa: “Jesus nos ensinou a contar os custos (leia Lucas 14:25-32). Esse é o nosso convite. Mesmo diante dos desafios, a Europa precisa de homens e mulheres corajosos que digam ‘sim’ a este chamado e desejam entregar suas vidas para reacender a chama que ainda existe no povo europeu”, finaliza.

Fonte: Guia-me