O blogueiro e escritor Julio Severo morreu nesta terça-feira, 4 de maio.
O blogueiro e escritor Julio Severo morreu nesta terça-feira, 4 de maio.

O fundador do Grupo gay da Bahia, Luiz Mott, publicou em uma rede social um texto sobre o blogueiro evangélico Julio Severo, que morreu nesta terça-feira (4), após um infarto em sua casa, na Guatemala.

No texto, ele chama Julio Severo de “maior homófobo do Brasil” e diz que ele “caluniou e difamou internacionalmente líderes gays e o movimento homossexual”. No final do texto Mott escreve: “Morreu tarde!”.

Na sequência, vieram comentários de seus seguidores. Veja alguns abaixo:

  • “Não acendo velas para Di-funtu que não presta… menos um verme no mundo”.
  • “que bom um a menos”
  • “Foi tarde, nem era pra ter existido”
  • “Menos um! Esse cafajeste causou muito mal a muita gente! Bye bye!”
  • “Malafaia podia aproveitar e ir junto.”
  • “Que Deus lhe dê muitos anos de morto”
  • “Que vá pro inferno em paz,amém !!!”

Morreu o maior homófobo do Brasil: blogueiro Júlio Severo, que caluniou e difamou internacionalmente líderes gays e o movimento homossexual. Morreu tarde! Xocotô beroló.

Publicado por Luiz Mott em Terça-feira, 4 de maio de 2021

Paulo Gustavo

A publicação do militante gay lembra outro caso que provocou polêmica e que repercutiu em vários meios de comunicação do Brasil, envolvendo o ator Paulo Gustavo, que, por coincidência, morreu nesta terça-feira, 4 de maio, mesmo dia da morte de Julio Severo.

O caso se refere ao pastor José Olímpio, da Assembleia de Deus de Alagoas, que disse orar pela morte do ator Paulo Gustavo, quando ainda estava internado em estado grave com Covid-19.

“Esse é o ator Paulo Gustavo que alguns estão pedindo oração e reza. E você vai orar ou rezar? Eu oro para que o dono dele o leve para junto de si”, publicou o pastor em suas redes sociais ao exibir um vídeo onde o ator Paulo Gustavo, aproveitando um cenário montado para um casamento, pediu para que um padre, que também é ator, casasse ele e seu namorado. “Quem escreveu essa Bíblia? Está desatualizado isso”, diz o ator no vídeo, que após a polêmica disse que não ofendeu a Deus.

Em repúdio a postagem do pastor, o Grupo Gay de Alagoas (GGAL), emitiu uma nota falando sobre o caso e o Ministério Público também foi acionado para mover uma ação civil pública em desfavor do pastor.

Após a repercussão nacional, o pastor José Olímpio usou a sua conta do Instagram para emitir uma nota com um pedido de desculpas pela sua infeliz publicação sobre o humorista Paulo Gustavo.

Julio Severo

Julio era um grande defensor da ideologia conservadora e cristã. Por causa de suas críticas, foi alvo de ações e uma queixa de “homofobia” em 2006 no Ministério Público Federal (MPF), por parte da Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo.

Desde então, ele saiu do Brasil e passou a morar na Guatemala com sua família e, de lá, continuava atuando no blog Julio Severo, expondo críticas e sua visão conservadora.

Julio Severo chegou a integrar a Associação de Defesa Hétero (ADH) e publicou o livro “O Movimento Homossexual” (Ed. Betânia), de 1998, onde afirma que o objetivo do movimento homossexual é fazer com que crianças e adolescentes aceitem a homossexualidade como “opção saudável de vida”.

No E-book que está no site Scribd.com (acesse aqui), Julio afirma que teve o contrato rescindido pela Editora Betânia em 2007, no começo do embate sobre o PLC 122/2006 e que na época, tanto a editora quanto ele receberam muitas ameaças de ativistas homossexuais.

“Quando foi publicado originalmente em 1998, muitos leitores julgaram os prognósticos do livro exagerados e irreais, inclusive o alerta de que os ativistas homossexuais exigiriam a autoridade de doutrinar as crianças das escolas brasileiras. Diversos leitores acharam isso inimaginável, dizendo que nunca ocorreria no Brasil. Hoje, muitos confirmam que o livro O Movimento Homossexual acertou em cheio nos prognósticos”, escreveu Severo na descrição do E-book.

O PLC 122/2006 foi um Projeto de lei a favor dos homossexuais, apresentado pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP) e que foi arquivado no Senado em 2015 sem obter aprovação.