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Fundador do YouVersion alerta que IA ainda comete erros ao citar a Bíblia

Bobby Gruenewald, fundador e CEO do aplicativo bíblico YouVersion (Foto: Reprodução)
Bobby Gruenewald, fundador e CEO do aplicativo bíblico YouVersion (Foto: Reprodução)

O fundador do aplicativo bíblico YouVersion Bible App, Bobby Gruenewald, afirmou que a inteligência artificial ainda apresenta erros significativos quando o assunto é a Bíblia. Segundo ele, embora a tecnologia tenha grande potencial, ainda não possui precisão suficiente para lidar com textos sagrados ou responder questões espirituais com segurança.

Gruenewald destacou que modelos de inteligência artificial frequentemente citam versículos de forma incorreta ou apresentam interpretações equivocadas das Escrituras. De acordo com ele, testes e análises indicam que sistemas de IA podem errar citações bíblicas entre 15% e 60% das vezes, o que representa um risco para quem busca orientação espiritual por meio dessas ferramentas.

Para o líder cristão, essa imprecisão é especialmente preocupante porque muitas pessoas não conseguem reconhecer quando um versículo foi citado de forma incorreta. Ele observa que usuários costumam confiar nas respostas apresentadas pelos sistemas de IA, que frequentemente respondem com segurança mesmo quando estão errados.

Cautela no uso de IA para questões espirituais

Segundo Gruenewald, o avanço da inteligência artificial tem levado muitas igrejas e cristãos a experimentarem novas ferramentas digitais, como chatbots capazes de responder perguntas sobre fé, produzir devocionais ou até auxiliar na preparação de sermões.

Apesar disso, ele afirma que a tecnologia ainda não está pronta para ser usada como fonte confiável de orientação espiritual. “Quando se trata de responder às perguntas mais importantes da vida e oferecer direção a partir da Palavra de Deus, precisamos que a tecnologia seja muito melhor antes de confiar nela”, afirmou.

O fundador do aplicativo ressaltou que o desafio não é apenas tecnológico, mas também teológico. Como os sistemas de inteligência artificial são treinados com grandes volumes de conteúdo da internet, eles podem misturar interpretações diferentes das Escrituras, produzindo respostas que parecem plausíveis, mas que não possuem base doutrinária consistente.

IA já é usada, mas com limitações

Mesmo com as preocupações, Gruenewald reconhece que a inteligência artificial já está sendo utilizada por ministérios e organizações cristãs em diversas tarefas, como pesquisa, produção de conteúdo e apoio técnico no desenvolvimento de plataformas digitais.

No caso do YouVersion, a tecnologia é utilizada apenas em processos internos, como programação e otimização de sistemas, mas não para responder diretamente a perguntas bíblicas dos usuários.

O aplicativo, desenvolvido pela igreja norte-americana Life.Church, tornou-se uma das ferramentas digitais cristãs mais populares do mundo, ultrapassando 1 bilhão de downloads e oferecendo a Bíblia em milhares de idiomas.

Debate crescente entre tecnologia e fé

A discussão sobre o uso de inteligência artificial na vida espiritual tem crescido entre líderes cristãos. Muitos veem a tecnologia como uma oportunidade de ampliar o alcance da mensagem bíblica e facilitar o acesso às Escrituras.

Outros, porém, alertam que o uso indiscriminado dessas ferramentas pode levar a interpretações equivocadas da Bíblia ou a uma dependência excessiva de algoritmos em questões que tradicionalmente envolvem estudo teológico, liderança pastoral e discernimento espiritual.

Para Gruenewald, o avanço tecnológico é inevitável, mas a precisão no tratamento das Escrituras deve permanecer como prioridade. A velocidade e a popularidade das novas ferramentas, segundo ele, não podem substituir a fidelidade ao texto bíblico.

Advogados cristãos analisam a decisão da Argentina de reduzir a idade penal para 14 anos

Casa Rosada, escritório do presidente da Argentina localizado na histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires (Foto: Canva Pro)
Casa Rosada, escritório do presidente da Argentina localizado na histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires (Foto: Canva Pro)

A Argentina reduziu a idade de responsabilidade penal de 16 para 14 anos, em virtude de uma nova reforma da justiça juvenil promulgada por decreto e assinada pelo presidente Javier Milei. Essa medida representa uma mudança significativa na forma como os menores são processados ​​e gerou debates entre especialistas jurídicos, defensores dos direitos humanos e líderes cristãos.

A medida, publicada no Diário Oficial, permite que adolescentes de 14 e 15 anos respondam criminalmente por certos delitos, incluindo crimes graves como homicídio, agressão sexual, sequestro e roubo violento. Embora a lei mantenha um sistema separado para menores, distinto dos tribunais de adultos, ela introduz penas de até 15 anos e levanta questões mais amplas sobre prevenção, reintegração social e o papel das medidas punitivas no combate à criminalidade juvenil.

O debate sobre a idade da responsabilidade penal não é novo na região. Na América Latina, países como Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela estabelecem a responsabilidade penal aos 14 anos. Em outros casos, como Equador e Panamá, a idade é de 12 anos, de acordo com comparações regionais citadas em relatórios sobre o tema. No Brasil, entre 12 e 18 anos incompletos, o adolescente que comete um ato infracional está sujeito a medidas socioeducativas previstas no ECA (Lei nº 8.069/90). Essas medidas podem incluir advertência, prestação de serviços à comunidade ou internação em centros especializados.

A lei gerou reações diversas na comunidade jurídica. O Diario Cristiano, edição espanhola do Christian Daily International, consultou vários advogados cristãos de diferentes origens sobre o assunto.

Carlota López, advogada da rede jurídica da Aliança Cristã das Igrejas Evangélicas da República Argentina (ACIERA), acredita que a reforma representa uma atualização regulatória.

“Acredito que o novo regime penal juvenil representa um avanço jurídico, visto que a lei revogada datava de 1981 e estava completamente obsoleta. A nova lei alinha a idade de responsabilidade penal aos padrões internacionais e incorpora inovações legais, como a participação das vítimas nos processos penais, medidas alternativas que não envolvem encarceramento e mediação criminal”, afirmou.

O advogado esclareceu que o sistema continua sendo específico para menores de idade.

“Lembremos que este é um regime penal juvenil que se aplica a menores de 14 a 18 anos. É um sistema especial que de forma alguma os equipara a adultos”, disse ela.

No entanto, López alertou que a lei por si só não resolverá o problema da criminalidade juvenil.

“Como profissional do direito, tenho plena consciência de que nenhuma lei, por si só, pode mudar a realidade. É preciso que existam condições socioeconômicas e familiares favoráveis ​​para que os jovens possam se concentrar nos estudos, na prática de esportes e se manterem longe de vícios e crimes”, afirmou.

Nesse sentido, ela argumentou que a prevenção também deve envolver diferentes atores sociais.

“Existem alternativas relacionadas à prevenção e à participação ativa de organizações da sociedade civil e instituições cristãs. Sabemos que uma abordagem estritamente punitiva não tem produzido resultados”, afirmou.

De outra perspectiva jurídica, o advogado Gustavo Rosciano, funcionário da Defensoria Pública da província de Buenos Aires, afirmou que a redução da idade de responsabilidade penal responde à preocupação pública.

“Reduzir a idade de responsabilidade penal para 14 anos é talvez uma medida drástica, mas necessária, dadas as preocupações da sociedade. Antes dessa lei, jovens de 14 e 15 anos não podiam ser submetidos a processos criminais”, disse ele.

Rosciano enfatizou que o regime juvenil não significa enviar menores para prisões comuns.

“Não se trata de colocar jovens de 14 a 17 anos na prisão, mas de permitir que eles passem por um processo judicial no qual sua inocência ou culpa possa ser determinada. As medidas são realizadas em instalações designadas para esse fim”, disse ele.

No entanto, ele alertou para problemas estruturais dentro do sistema.

“As instituições especializadas sofrem com a deterioração dos orçamentos e não cumprem plenamente o objetivo estabelecido por lei em relação à reintegração social, educação e integração familiar. Se mais jovens forem processados, o problema poderá se agravar ainda mais”, afirmou.

A advogada Rosana Parrella também afirmou que a reforma deve ser analisada dentro do contexto social atual.

“Faz sentido legislar de acordo com a realidade atual. Hoje, menores cometem crimes assim como adultos, e essa situação não pode ser ignorada”, disse ela.

No entanto, ela indicou que o verdadeiro impacto da lei só ficará claro com o tempo.

“Por si só, a aplicação desta lei não seria suficiente, mas acompanhada de outras medidas certamente poderia ser”, disse ela.

Parrella enfatizou a importância de focar no desenvolvimento social.

“A mudança pode vir por meio da educação, da formação de valores, de sistemas de apoio e de oportunidades de emprego. A responsabilização criminal por si só pode amenizar a situação, mas não a transformará”, disse ela.

A advogada Analía Celada expressou uma visão mais crítica em relação ao alcance da reforma. Segundo ela, a medida responde à demanda pública em meio ao aumento da criminalidade, mas não aborda as causas mais profundas.

“Entendo que a promulgação desta lei responde a uma demanda de parte da sociedade que queria que algo fosse feito para conter o aumento da criminalidade, especialmente nos casos em que a pouca idade dos infratores tem sido usada para minimizar as penas”, disse ela.

No entanto, ela argumentou que o principal problema reside nas estruturas criminosas.

“O jovem de 14 anos é o elo mais fraco da corrente. Os peixes grandes não são apanhados. Existe uma rede criminosa piramidal em que os principais perpetradores muitas vezes permanecem fora do foco”, disse ela.

Celada também enfatizou a necessidade de políticas mais abrangentes.

“Existem outras alternativas que exigem o comprometimento de todos os níveis de governo, desde o trabalho em bairros vulneráveis ​​até intervenções em escolas e uma análise minuciosa de cada caso”, disse ela.

O debate sobre o novo regime penal juvenil continua em curso nos círculos jurídicos e políticos. Enquanto alguns especialistas acreditam que a reforma atualiza a legislação desatualizada e reflete as realidades sociais atuais, outros alertam que o principal desafio permanece sendo a prevenção da criminalidade e a reintegração efetiva dos jovens na sociedade.

O advogado Eduardo Oviedo também analisou a reforma e a descreveu como “boa e oportuna”, afirmando que ela responde à preocupação pública com o aumento dos crimes cometidos por menores.

“A sociedade precisava de uma medida como esta, dado o número de crimes cometidos por menores e a lacuna legal que existia sobre esta questão”, disse ele.

O advogado lembrou que a idade de responsabilidade penal na Argentina mudou diversas vezes ao longo da história. O Código Penal de 1921 estabeleceu a responsabilidade não penal até os 14 anos, enquanto uma lei de 1954 elevou o limite para 16 anos. Durante a ditadura militar argentina de 1976, a idade foi novamente fixada em 14 anos, e posteriormente, o regime penal juvenil de 1980 a estabeleceu mais uma vez em 16 anos, limite que permaneceu até a reforma atual.

Em Oviedo, a impossibilidade de processar menores de 16 anos muitas vezes levava à exploração de adolescentes por organizações criminosas.

“A impossibilidade de processar um menor de 16 anos transformou esses jovens em vítimas, já que foram usados ​​para cometer crimes, às vezes conscientemente e às vezes sem entender as consequências”, disse ele.

No entanto, ele insistiu que o principal problema continua sendo a falta de programas de reintegração social.

“Os menores que entram em centros de detenção não encontram uma estrutura real para a reintegração social, o que muitas vezes os condena a uma vida de crime”, disse ele.

Ao analisar o impacto da reforma, o advogado afirmou que a medida tem efeitos contraditórios.

“Na minha opinião, isso ajuda a sociedade, mas prejudica o indivíduo que começa a cometer crimes tão jovem. As vítimas precisam de uma mudança, mas os menores também merecem esperança de reintegração social, que hoje é praticamente inexistente”, disse ele.

Em relação às possíveis alternativas, Oviedo afirmou que o foco deve ser em como os jovens são tratados dentro do sistema de justiça juvenil.

“É essencial alocar recursos para a criação de comunidades de reintegração social para menores que cometem crimes. O desafio é reintegrá-los durante o período em que estão sob custódia, em vez de permitir que permaneçam presos em ciclos de criminalidade”, concluiu.

Folha Gospel – Publicado originalmente pelo Diario Cristiano, edição espanhola do Christian Daily International

Igrejas alemãs registram queda de 1,13 milhão de fiéis em 2025

Culto na Igreja Evangélica da Alemanha (EKD). (Foto: Reprodução / Facebook)
Culto na Igreja Evangélica da Alemanha (EKD). (Foto: Reprodução / Facebook)

As principais igrejas da Alemanha, a Católica e a Protestante, registraram uma perda significativa de membros em 2025, com um total de aproximadamente 1,13 milhão de fiéis a menos. Essa continuidade no declínio reflete tanto o elevado número de pessoas que abandonam as instituições religiosas quanto o número de óbitos entre os membros existentes. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (16/03) pela Conferência Episcopal Católica Alemã e pela Igreja Evangélica da Alemanha.

A queda na adesão é um reflexo da realidade atual dessas comunidades religiosas no país. O grande volume de desfiliações é apontado como o principal fator por trás dessa tendência, impactando diretamente o número total de membros.

Adesão em declínio e suas causas

Na Igreja Católica, a perda total foi de cerca de 550 mil membros, reduzindo o número para 19,22 milhões, o que representa 23% da população alemã. O principal motivo para essa diminuição continua sendo as desfiliações, com 307 mil pessoas deixando a instituição. Esse número foi ligeiramente inferior ao do ano anterior.

A Igreja Evangélica da Alemanha observou um declínio ainda mais acentuado, perdendo aproximadamente 580 mil fiéis e totalizando cerca de 17,4 milhões de membros. As desfiliações também foram o fator dominante nesse grupo, com cerca de 350.000 pessoas renunciando à sua filiação.

Heiner Wilmer, presidente da Conferência Episcopal Católica, comentou que as estatísticas são um espelho da situação atual da Igreja. Ele apontou como um aspecto positivo o ligeiro aumento na porcentagem de frequentadores e a estabilidade nos números de primeiras comunhões e crismas. No entanto, ele expressou pesar pelo contínuo alto número de membros que deixam a igreja.

O impacto do imposto eclesiástico

Na Alemanha, a filiação oficial a uma das duas grandes igrejas implica o pagamento de um imposto obrigatório, conhecido como kirchensteuer (imposto da igreja). Este valor é recolhido diretamente sobre os rendimentos dos fiéis pela própria receita federal. A taxa adicional, que varia entre 8% e 9% sobre o imposto de renda devido, leva muitos a renunciarem oficialmente à sua filiação para evitar o pagamento, um processo que geralmente é feito por carta.

Menos batismos e casamentos

No total, 214.000 pessoas foram batizadas nas duas igrejas em 2025. Na Igreja Protestante, o número de batismos permaneceu estável em cerca de 105 mil. Desses, aproximadamente um em cada dez foi de pessoas com mais de 14 anos.

Já a Igreja Católica registrou um declínio de mais de 7 mil batismos, totalizando 109 mil. Para se ter uma perspectiva, vinte e cinco anos atrás, a Igreja Católica realizava mais de 220 mil batismos anualmente. O número de casamentos religiosos católicos também apresentou queda, embora não haja dados específicos para o ano de 2025.

Encolhimento das paróquias e escassez de clero

O processo de encolhimento da Igreja Católica também se reflete na diminuição do número de paróquias. Em 2025, foram registradas 8.997 paróquias, 294 a menos que no final de 2024. Essa redução leva muitas dioceses a fundirem ou fecharem paróquias, com algumas igrejas sendo abandonadas por falta de fiéis.

A instituição católica registrou um novo recorde negativo com apenas 25 ordenações sacerdotais em 2025. O número vem em declínio constante: 29 em 2024, 35 em 2023 e 154 no ano 2000. A escassez de sacerdotes é um problema antigo, e o sacerdócio, restrito a homens e com a exigência do celibato, é visto como pouco atraente.

Cristãos mostram fé e generosidade em meio à crise no Irã

Bandeira do Irã em destaque durante protestos (Foto: Folha Gospel/Canva IA)
Bandeira do Irã em destaque durante protestos (Foto: Folha Gospel/Canva IA)

Cristãos no Irã vivem dias de silêncio, medo e incerteza após mais de uma semana de guerra e apagões quase totais de comunicação. Parceiros da Portas Abertas conseguiram contato breve com alguns deles e confirmam que muitos estão seguros, expressando a fé no contexto improvável, mas enfrentam condições extremas.

“Foi um grande alívio finalmente ouvir as vozes de nossos irmãos e irmãs depois de nove dias de silêncio. Louvado seja o Senhor, eles estão seguros”, compartilha um parceiro da Portas Abertas, cujo nome não pode ser revelado por segurança, que recentemente conseguiu fazer breves ligações para alguns cristãos no Irã.

Parceiros da Portas Abertas compartilharam o desafio de uma família cristã cujo filho desapareceu nos protestos de janeiro. Eles buscaram respostas em prisões e necrotérios, mas seguem sem informações, agora agravado pelo bloqueio de comunicações.

“Por favor, orem pela proteção do filho, onde quer que ele esteja, e por conforto para os pais enquanto aguardam notícias. O silêncio e a incerteza têm sido extremamente pesados para eles”, o parceiro local relata.

Jovens soldados abandonados na linha de frente

Cristãos locais também relatam que jovens soldados, muitos deles cumprindo recrutamento obrigatório, têm sido abandonados nos quartéis. Mohsen (pseudônimo), um cristão iraniano, relata como o momento tem sido desafiador para a família.

“Meu sobrinho está servindo como recruta. Recentemente, muitos comandantes deixaram os quartéis, e os jovens soldados foram colocados na linha de frente. A situação é muito preocupante para nossa família.”

Crise econômica e caos na prisão de Evin

Antes mesmo do conflito se acentuar no início deste ano, a inflação, o desemprego e a pobreza já afetavam milhões de iranianos. O fechamento do Estreito de Ormuz e a instabilidade política agravaram a falta de alimentos, medicamentos e renda. A igreja tenta continuar ajudando com itens básicos, mas as necessidades só aumentam no Irã.

Além disso, relatos indicam que guardas abandonaram partes da prisão de Evin, onde muitos cristãos são mantidos por causa da fé. Mesmo antes da guerra, as condições eram atrozes, e muitos cristãos relataram terem sido torturados em Evin.

“Um amigo da família, que está preso em Evin, conseguiu enviar uma mensagem dizendo que eles estão basicamente sobrevivendo de pão e água. Ele disse que, em alguns casos, os guardas se recusam a dar água aos presos, a menos que paguem por ela”, compartilha o parceiro da Portas Abertas.

Riscos dentro e fora do Irã

O regime iraniano tem usado áreas densamente povoadas para operações militares, colocando civis em risco. Há ainda casos de combatentes usando roupas civis para evitar identificação, o que pode aumentar o perigo para a população.

O procurador-geral iraniano ameaçou confiscar propriedades de iranianos que vivem no exterior caso sejam considerados colaboradores do “inimigo”, além de prever punições severas, até a pena de morte.

Famílias cristãs acolhem desabrigados

Uma família cristã abriu seu pequeno apartamento para acolher outra família cuja casa foi destruída por uma explosão. Mesmo com pouco espaço e recursos limitados, eles se reúnem diariamente para orar, ler a Bíblia e fortalecer uns aos outros em meio ao medo e às perdas.

“Nossa visão sempre foi capacitar a igreja no Irã para que possam apoiar uns aos outros com o que têm. Mesmo que a situação no país continue muito difícil e instável, louvo ao Senhor por ver que a visão pela qual oramos está se tornando realidade”, acrescenta o parceiro local.

Em meio à perda, descobriu uma comunhão mais profunda e unidade em Cristo. Sua casa se tornou um pequeno refúgio de fé, esperança e amor.

Eles agradecem a Deus não apenas pela segurança, mas pela bênção de compartilharem a vida juntos. Mesmo em meio à guerra, seus corações se enchem de louvor, confiando que Deus está presente e é fiel. E pedem orações por proteção, provisão e paz para famílias devastadas, desaparecidos, presos, soldados forçados à linha de frente e civis que permanecem em casa em meio aos bombardeios.

Fonte: Portas Abertas

Pastor é preso em Cuba após pregação em live no YouTube

O pastor Rolando Pérez Lora sendo preso em 15 de março de 2026, em um parque na área de Peñas Altas, em Matanzas, Cuba. |(Captura de tela/Facebook/ClickCuba)
O pastor Rolando Pérez Lora sendo preso em 15 de março de 2026, em um parque na área de Peñas Altas, em Matanzas, Cuba. |(Captura de tela/Facebook/ClickCuba)

O pastor Rolando Pérez Lora foi detido na semana passada em Cuba após realizar uma pregação em uma transmissão ao vivo no YouTube. O vídeo do momento da prisão está no final da matéria. O incidente ocorreu na província de Matanzas, levantando preocupações sobre a liberdade religiosa na ilha.

O líder religioso realizou uma live para ministrar uma mensagem bíblica focada em amor e esperança, sem abordar temas políticos. No entanto, poucas horas depois, enquanto se dirigia à igreja, foi detido por policiais que o aguardavam em frente à sua residência, indicando um possível planejamento da ação.

Prisão e libertação

A detenção de Rolando Pérez Lora ocorreu na frente de seus filhos. Após ser mantido em custódia por várias horas, o pastor foi liberado sem que lhe fossem apresentadas acusações formais. Segundo informações da família, as autoridades não forneceram o motivo específico para a prisão.

O vídeo do momento da detenção circulou nas redes sociais, gerando repercussão tanto dentro quanto fora de Cuba. Comunidades evangélicas e grupos de defesa dos direitos humanos expressaram publicamente sua solidariedade ao pastor.

Repressão a líderes cristãos

Este episódio se insere em um contexto de violações da liberdade religiosa em Cuba. Igrejas independentes e líderes cristãos que utilizam plataformas digitais para divulgar o Evangelho têm enfrentado crescente repressão por parte do governo cubano.

Dados recentes apontam para um cenário preocupante. O Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) registrou 231 ações repressivas contra líderes religiosos em fevereiro de 2026. Já a Aliança dos Cristãos de Cuba documentou 996 ações repressivas contra líderes cristãos ao longo de 2024.

A fé cristã em Cuba

Apesar dos desafios, a comunidade cristã em Cuba é significativa. Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, aproximadamente 85% dos cubanos se identificam como cristãos, sendo a maioria católica e cerca de 11% evangélicos.

Os cristãos na ilha frequentemente enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Embora a participação em cultos seja permitida, a abertura de novas igrejas enfrenta obstáculos. Diante disso, milhares de fiéis encontram refúgio espiritual nas chamadas igrejas domésticas.

Essas comunidades, que se reúnem em residências particulares, operam sem identificação oficial e, muitas vezes, sob o risco constante de repressão. A associação ASCE Cuba estima a existência de 20 mil a 30 mil igrejas domésticas ativas no país, desempenhando um papel crucial na manutenção da fé.

O cenário de perseguição coloca Cuba em uma posição delicada, ocupando o 24º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela Missão Portas Abertas.

Otoni de Paula nega destituição da função pastoral e voto em Erika Hilton

Otoni de Paula (MDB-RJ) é deputado federal e pastor evangélico. (Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
Otoni de Paula (MDB-RJ) é deputado federal e pastor evangélico. (Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Otoni de Paula negou veementemente ter votado em Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A controvérsia, que ganhou força em redes sociais e entre setores ligados à bancada evangélica, foi atribuída pelo parlamentar a uma campanha de fake news orquestrada por grupos insatisfeitos com sua atuação política. Otoni de Paula também desmentiu boatos sobre sua destituição da função de pastor.

A polêmica surgiu após a circulação da informação de que Otoni de Paula teria sido um dos responsáveis por apoiar a eleição de Erika Hilton, parlamentar transexual, para o comando do colegiado. Críticos alegaram que essa suposta decisão teria tido um papel decisivo no resultado, intensificando disputas políticas internas. No entanto, em entrevista à Comunhão, o deputado esclareceu os fatos, explicando que a estratégia da Frente Parlamentar Evangélica era outra.

A estratégia da Frente Parlamentar Evangélica

Otoni de Paula detalhou que a orientação inicial da Frente Parlamentar Evangélica era de não registrar presença para evitar a formação de quórum na eleição. Caso o quórum fosse atingido, a instrução era votar em branco. “A Frente Parlamentar Evangélica tinha uma estratégia para tentar impedir a eleição”, explicou o deputado.

No entanto, o parlamentar relatou que, no momento da votação, ele estava presidindo uma sessão da Câmara dos Deputados. Por ser uma eleição remota, feita pelo celular, ele tentou conciliar as duas atividades. “Eu estava presidindo uma sessão da Câmara e, como a eleição na comissão era remota, pelo celular, era possível exercer as duas funções ao mesmo tempo”, disse.

O voto e a repercussão

Ao ser alertado por um membro da comissão sobre a necessidade de votar, Otoni de Paula declarou ter votado em branco, conforme o combinado. Ele admitiu, porém, não ter percebido que a votação já se encontrava em segundo turno, fase em que a estratégia do grupo era não registrar voto para evitar o quórum. “Meu voto sequer foi computado, pois sou suplente na comissão e os titulares já haviam votado”, afirmou.

Apesar disso, o voto e o de outro deputado contribuíram para o quórum. “De qualquer forma, nossa estratégia não funcionaria. A partir daí começaram as fake news dizendo que eu havia votado em Erika Hilton”, declarou Otoni de Paula. Ele lamentou a repercussão, atribuindo-a a uma “orquestração de falsas notícias” por parte de setores da igreja que não concordam com seu mandato e com suas críticas à polarização que, segundo ele, divide a igreja.

Desmentido sobre a função pastoral

Paralelamente à polêmica do voto, também circularam informações de que Otoni de Paula teria sido destituído de sua função pastoral. O deputado desmentiu categoricamente essa alegação, chamando-a de “outra irresponsável fake news”.

“Sou pastor há 30 anos, presido, pela bondade de Deus, um ministério, sou membro da Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e estou em plena comunhão com Deus e com meus irmãos”, declarou. Ele reforçou que a articulação de notícias falsas visa prejudicá-lo, vindo de pessoas inescrupulosas que atuam tanto na igreja quanto na política eclesiástica.

Enfrentando ataques na vida pública

Otoni de Paula reconheceu que episódios como esse são inerentes à vida pública. “De forma alguma. Apesar de lamentar tudo o que aconteceu e o prejuízo de imagem que isso possa ter provocado, entendo que, como homem público, preciso estar preparado para esse tipo de ataque mentiroso”, afirmou.

As comissões permanentes da Câmara dos Deputados, como a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, são responsáveis por analisar e votar propostas legislativas. A eleição para a presidência desses colegiados ocorre anualmente entre seus integrantes, refletindo acordos políticos e a proporcionalidade das bancadas. A escolha de Erika Hilton para presidir a comissão em questão gerou debates e mobilizou diferentes grupos na Câmara e em esferas religiosas.

Fonte: Comunhão

Presidente da CPMI do INSS destinou R$ 3,6 milhões à fundação da Igreja Lagoinha

Senador Carlos Viana. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Senador Carlos Viana. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), destinou um montante de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Essa destinação de recursos gerou questionamentos em meio às investigações da CPMI, que apura irregularidades no âmbito do INSS.

As emendas visam apoiar projetos sociais desenvolvidos pela fundação. Um dos repasses identificados ocorreu em 2019, totalizando R$ 1,5 milhão, enviado via Pix à Prefeitura de Belo Horizonte, com destinação específica para a Fundação Oasis. Esta fundação, instituída pela Igreja Batista da Lagoinha em 1995, atua como um braço social da igreja evangélica, com foco em ações de bem-estar familiar e socialização.

Repasses adicionais e o escrutínio da CPMI

Investigações posteriores identificaram outros repasses à Fundação Oasis de Capim Branco, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em 2023, foram destinados R$ 1,47 milhão, seguidos por mais R$ 650,9 mil em 2025, ambos provenientes de emendas do senador Carlos Viana. Esses valores somam-se aos R$ 1,5 milhão de 2019, totalizando os R$ 3,6 milhões.

A Igreja da Lagoinha passou a ser alvo de atenção na CPMI do INSS após reportagens sobre o suposto patrocínio de um evento de Réveillon em 2024, realizado no Allianz Parque, pela Amar Brasil Clube de Benefícios. Além disso, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) levantou suspeitas sobre a atuação da Clava Forte Bank, uma fintech associada à igreja, e do empresário Fabiano Zettel, levantando a hipótese de uso da instituição para lavagem de dinheiro. Requerimentos para quebra de sigilo de empresas ligadas à igreja e a André Valadão ainda não foram apreciados pela comissão.

Posicionamento do senador Carlos Viana

Em resposta às apurações, a assessoria de imprensa do senador Carlos Viana afirmou que as emendas parlamentares seguem os preceitos constitucionais e orçamentários. Conforme a nota, os recursos são encaminhados aos entes públicos responsáveis, que gerenciam a execução, a escolha da entidade parceira e a prestação de contas, sob fiscalização dos órgãos competentes.

A nota esclarece que, no caso da emenda enviada à Prefeitura de Belo Horizonte em 2020, o recurso foi direcionado para ações de assistência social, e a definição da entidade executora seguiu os procedimentos administrativos municipais. O mesmo processo é aplicado às iniciativas em Capim Branco, onde a administração local é responsável pela execução e fiscalização dos recursos públicos.

O senador também destacou a relevância do trabalho social desempenhado por igrejas e instituições religiosas no Brasil, citando ações como o acolhimento de dependentes químicos, apoio a famílias vulneráveis e distribuição de alimentos. Ele reiterou seu compromisso em destinar recursos para iniciativas sociais que auxiliam a população, desde que operem dentro da legalidade e prestem serviços concretos. Carlos Viana ressaltou que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelas autoridades competentes, mas que erros isolados não devem desmerecer décadas de trabalho sério e transformador realizado por esses projetos.

Fonte: Metrópoles

Igreja Universal é condenada a devolver R$ 156 mil a fiel por coação moral

Balança e martelo da Justiça (Foto: FolhaGospel/Canva Pro)
Balança e martelo da Justiça (Foto: FolhaGospel/Canva Pro)

Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) foi obrigada a devolver R$ 156 mil a um fiel morador de Vila Velha, no Espírito Santo. A decisão, mantida pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) em 11 de outubro de 2026, confirmou a condenação em primeira instância, negando o recurso apresentado pela instituição religiosa. O fiel alega ter sido submetido a coação moral e indução psicológica para realizar as doações financeiras.

Segundo a defesa do homem, as doações foram realizadas sob a promessa de milagres, incluindo a cura de uma atrofia em um dos braços, condicionada à entrega de sacrifícios financeiros. A situação se agrava pelo histórico de vulnerabilidade emocional do fiel, que frequentou a igreja entre 2011 e 2015, período em que participou de campanhas como a “Fogueira Santa” e realizou cinco doações que somam aproximadamente R$ 156 mil.

Argumentos da defesa do fiel

A defesa do fiel apresentou como elemento de prova o depoimento de um ex-pastor da igreja. Este teria confirmado a existência de uma suposta orientação interna para identificar e abordar fiéis emocionalmente vulneráveis. O objetivo, segundo o relato, seria utilizar discursos direcionados para incentivar o sacrifício financeiro em momentos de fragilidade, explorando a vulnerabilidade das pessoas.

A ação judicial destaca que o morador de Vila Velha não apenas possuía uma deficiência física, mas também um histórico de vulnerabilidade emocional. Durante os anos em que frequentou a Iurd, ele teria sido convencido a participar de diversas campanhas financeiras, resultando nos expressivos valores doados.

A defesa da igreja

Em sua defesa, a Igreja Universal argumentou que as doações foram feitas espontaneamente, sem qualquer tipo de erro ou coação moral. A instituição também acusou a sentença de intolerância religiosa, questionando a qualificação da busca por “graças divinas” como algo ilícito ou impossível. No recurso ao TJES, a igreja sustentou que houve parcialidade na decisão de primeira instância, uma vez que o juízo teria se baseado na deficiência física do fiel para fundamentar a condenação.

A reportagem buscou contato com a Igreja Universal do Reino de Deus e seu advogado, Saulo Bermudes. O advogado informou que decisões judiciais são repercutidas exclusivamente pela assessoria de imprensa da instituição. Apesar de contatada por e-mail e telefone, até o fechamento desta matéria, a assessoria não havia emitido resposta aos questionamentos feitos.

O caso levanta importantes discussões sobre a ética religiosa e a proteção de fiéis em situação de vulnerabilidade. A decisão do TJES reafirma a necessidade de coibir práticas que se aproveitem da fé e das fragilidades emocionais para obter ganhos financeiros indevidos.

Líderes religiosos estão envolvidos em esquema de compra de votos em Manaus, aponta PF

Mãos segurando uma Bíblia com dinheiro (Imagem ilustrativa)
Mãos segurando uma Bíblia com dinheiro (Imagem ilustrativa)

A Polícia Federal (PF) investiga um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Manaus que envolveria lideranças religiosas e pessoas ligadas à campanha do prefeito David Almeida. De acordo com a apuração, o genro do prefeito teria atuado como intermediário na articulação do esquema.

As suspeitas surgiram após uma operação realizada na véspera do segundo turno das eleições, quando agentes da PF encontraram indícios de distribuição de dinheiro a eleitores dentro de um espaço ligado a uma igreja na capital amazonense.

Durante a ação, foram apreendidos mais de R$ 21 mil em espécie, divididos em envelopes, além de listas com nomes de eleitores. Segundo a PF, havia um esquema organizado para entrega dos valores, com divisão de tarefas entre os participantes — um registrava nomes, outro conferia e um terceiro realizava a distribuição do dinheiro.

Depoimentos colhidos na investigação indicam que valores adicionais já teriam sido distribuídos anteriormente, podendo chegar a cerca de R$ 38 mil. A suspeita é de que os recursos teriam sido repassados por alguém ligado à campanha eleitoral.

Ainda segundo a apuração, o genro do prefeito aparece como figura responsável por fazer a ponte entre integrantes da campanha e lideranças religiosas envolvidas nas reuniões investigadas. A PF busca esclarecer o grau de participação de cada envolvido e a origem dos recursos utilizados.

Na ocasião da operação, dois líderes religiosos foram presos em flagrante, mas acabaram liberados após pagamento de fiança. Eles podem responder por corrupção eleitoral, crime que prevê pena de até quatro anos de prisão, além de multa.

O caso segue em investigação e depende, entre outros fatores, da análise de aparelhos celulares apreendidos durante a operação, que ainda podem trazer novos elementos sobre o suposto esquema.

A defesa dos envolvidos nega irregularidades, e o prefeito já afirmou anteriormente não ter participação em qualquer esquema ilícito. Até o momento, não há condenações relacionadas ao caso.

Com informações de G1

Igreja Metodista suspende pastora por trabalho para Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein e a reverenda Stephanie Remington (Foto: Reprodução/Protestia))
Jeffrey Epstein e a reverenda Stephanie Remington (Foto: Reprodução/Protestia))

A Igreja Metodista Unida (UMC) anunciou a suspensão de uma pastora após a descoberta de seu envolvimento profissional com Jeffrey Epstein, um abusador sexual de menores. A decisão visa apurar a conduta da reverenda Stephanie Remington, que atuou em funções administrativas e de gestão de propriedade para o controverso financista. A igreja assegura que os procedimentos legais internos estão em andamento para investigar as circunstâncias.

A suspensão, que terá duração de 90 dias, abrange a retirada das responsabilidades clericais da pastora enquanto o escritório episcopal conduz a revisão. A UMC enfatiza o compromisso com os mais altos padrões de liderança espiritual e moral, e que preocupações dessa natureza são levadas a sério. A igreja também manifestou solidariedade e orações pelos sobreviventes dos crimes de Epstein.

Detalhes do vínculo com Epstein

A reverenda Stephanie Remington trabalhou para Jeffrey Epstein em dois períodos distintos. Primeiramente, atuou como assistente administrativa entre agosto e dezembro de 2018. Posteriormente, assumiu a função de gerente temporária de propriedades em sua ilha particular, de janeiro a maio de 2019. É importante notar que Epstein já era um condenado por crime sexual durante seu primeiro período de trabalho com Remington, e seu segundo arresto, em julho de 2019, ocorreu sob acusações de tráfico de menores.

Embora Remington não esteja sendo acusada criminalmente, sua suspensão decorre de aparentes “discrepâncias” em seu relato e em suas ações, conforme comunicado pelo bispado. A igreja busca entender a extensão do envolvimento e se os protocolos internos foram adequadamente seguidos.

Histórico ministerial e a questão dos relatórios

Remington serviu à UMC por mais de 15 anos em diversas congregações. Ela solicitou licença em 2016 após seu divórcio, sendo que seu ex-marido também é pastor na mesma denominação. Após o período de licença, Remington apresentou documentação à Conferência de Missouri, onde declarou estar realizando ministério em extensão no Lewis Center for Church Leadership do Wesley Theological Seminary. Essa atuação foi aprovada.

Contudo, a situação se complicou quando Remington mudou-se para as Ilhas Virgens Americanas. Lá, ela trabalhou remotamente para o seminário como contratada de meio período entre 2017 e 2018. Após deixar o posto, ela continuou a afirmar que ainda exercia funções ministeriais. Durante esse período, ela também não informou à conferência sobre seu afastamento das funções de extensão, nem sobre seu emprego posterior com Epstein, o que, segundo a conferência, provavelmente não teria sido aprovado caso fosse divulgado.

A conferência declarou em nota: “A Conferência de Missouri não teve conhecimento da associação da indivídua com o Sr. Epstein… Nenhuma informação indicando esta associação foi divulgada em quaisquer desses relatórios. O Bispo ou o superintendente distrital não foram contatados sobre o interesse da indivídua ou a aceitação da posição relacionada a Epstein.”

Posicionamento da pastora e dilemas éticos

A reverenda Remington afirmou ter preenchido um relatório no ano anterior e, posteriormente, comunicado a seu superintendente distrital via Zoom sobre seu tempo nas Ilhas Virgens, incluindo o trabalho com Epstein. Ela expressou incerteza se o superintendente compreendeu totalmente a menção a Epstein. A conferência, por sua vez, reiterou que nenhuma informação sobre essa associação foi apresentada em seus relatórios.

Remington também reconheceu períodos em que deixou de enviar relatórios e que nunca recebeu um acompanhamento da conferência. Ela relatou que nenhum líder da conferência a contatou para saber de seu bem-estar após seu divórcio. Seu nome aparece mais de 1800 vezes nos arquivos de Epstein, e suas tarefas principais envolviam a gestão das operações diárias da ilha e a organização de viagens de convidados.

Apesar de ter assinado um acordo de confidencialidade (NDA), Remington declarou à UM News que nunca testemunhou Epstein ou qualquer outra pessoa na ilha envolvida em abusos. Ela afirmou ter conhecido Epstein nos últimos nove meses de sua vida, já após ele ter cumprido pena pelas acusações das quais era alvo. Em um blog pessoal de 2019, escrito sob pseudônimo, ela abordou sua decisão de trabalhar para Epstein, citando o dilema ético sobre aceitar um emprego com boa remuneração vindo de uma figura controversa.

Ela tomou a decisão de aceitar o emprego, explicando que suas obrigações se baseiam em suas convicções. Remington argumentou que, ao se recusar a ter relacionamento com Epstein por causa de seu passado, ela estaria negando a mensagem de esperança e o amor incondicional que prega, além de sua vocação de ser uma presença curadora para todas as pessoas. Ela comparou sua postura à de Jesus, que buscava amizades com excluídos e criminosos da sociedade, o que gerava indignação nos religiosos de sua época.

Folha Gospel com informações de Protestia

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