Início Site Página 3

Pastor Nilson Gomes critica manifestações políticas em igrejas evangélicas

Pastor e teólogo Nilson Gomes, líder da Igreja Caminho da Cruz em Guarulhos (SP)
Pastor e teólogo Nilson Gomes, líder da Igreja Caminho da Cruz em Guarulhos (SP)

O pastor e teólogo Nilson Gomes, líder da Igreja Caminho da Cruz em Guarulhos (SP), gerou forte repercussão ao criticar abertamente o envolvimento de teor partidário dentro das igrejas evangélicas brasileiras. Durante sua participação no programa “Eu Acredito Podcast”, o conferencista defendeu que os púlpitos devem ser preservados como espaços exclusivos para a pregação do evangelho, livres de disputas político-ideológicas.

Em suas declarações, o religioso questionou diretamente a adoção de símbolos associados tanto à esquerda quanto à direita por parte de lideranças cristãs durante o exercício ministerial. A manifestação reacende um debate sensível e de grande apelo público sobre o papel institucional da igreja diante de disputas eleitorais.

O posicionamento contra a polarização partidária nos templos

Durante a entrevista, o pastor demonstrou preocupação com a forma como a crescente polarização política no Brasil tem alcançado os templos religiosos. Para Nilson Gomes, o ambiente de culto e o ensino bíblico devem se manter estritamente independentes de interesses partidários ou de candidaturas.

“Arminha tá errado, L tá errado. O púlpito é púlpito, o evangelho é evangelho, igreja é igreja […] A história tá aí pra mostrar quando foi que aliança política e igreja deu certo”

Com essa fala, o teólogo sustentou que a missão da igreja se descaracteriza quando há uma associação formal a projetos partidários, comprometendo a essência e a independência da pregação cristã.

O alerta histórico sobre a união entre igreja e estado

Para fundamentar seu ponto de vista, o conferencista recorreu à história do cristianismo, citando a oficialização da religião cristã no Império Romano pelo imperador Constantino, no século IV. Segundo Gomes, a aproximação e o pacto com o poder político cobraram um preço alto.

De acordo com o pastor, o resultado prático dessa aliança estatal foi o início de um longo processo de comprometimento da mensagem do evangelho e restrições às liberdades. Ele apontou que essa união resultou em “mil anos de densas trevas, de paganismo, de blasfêmia, de vitupério da glória do Evangelho, de gente sendo levada pra fogueira”.

As reações e o debate sobre fé e política

As declarações de Nilson Gomes dividiram a opinião pública e geraram reações distintas nas redes sociais. De um lado, parte do público apoiou o posicionamento do líder da Igreja Caminho da Cruz, defendendo que os templos evangélicos devem concentrar sua atuação no ensino das Escrituras.

Por outro lado, lideranças e apoiadores de movimentos conservadores fizeram ressalvas às declarações de Gomes. Esse grupo argumenta que o engajamento e o posicionamento político também fazem parte da atuação pública e cidadã de segmentos religiosos na sociedade.

O episódio evidencia a complexidade das relações contemporâneas entre fé, política e liberdade de expressão no país. Com a proximidade do pleito nacional, a discussão sobre o limite de atuação de lideranças religiosas na formação de opinião política dos fiéis permanece no centro das atenções.

Igrejas evangélicas reorganizam estratégia eleitoral para ampliar bancadas no Legislativo

Pastores da Assembleia de Deus do Brás e da Igreja do Evangelho Quadrangular. (Foto: Reprodução)
Pastores da Assembleia de Deus do Brás e da Igreja do Evangelho Quadrangular. (Foto: Reprodução)

Duas das maiores denominações evangélicas do país adotaram uma nova estratégia de divisão geográfica de votos para expandir suas bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A meta da Assembleia de Deus do Brás e da Igreja do Evangelho Quadrangular, ambas concorrendo pelo PL, é duplicar o número de parlamentares eleitos sem necessariamente precisar conquistar novos fiéis eleitores.

Essa reorganização consiste em direcionar os votos dos templos da capital e da Grande São Paulo para determinados candidatos, enquanto as igrejas do interior paulista concentram o apoio em outros nomes. A estratégia otimiza o potencial de votos já consolidados para garantir mais cadeiras no Legislativo, embora traga o risco real de pulverizar a votação a ponto de não eleger nenhum representante.

A divisão de votos da Assembleia de Deus do Brás

Sob a liderança do bispo Samuel Ferreira, a Assembleia de Deus do Brás, ligada ao Ministério de Madureira, busca dobrar sua representação política. Atualmente, a denominação conta com apenas um deputado federal e um estadual eleitos.

Para alcançar o objetivo, foram lançadas dobradas específicas para os templos paulistas. Os candidatos que já possuem mandato, Cezinha de Madureira e Oseias de Madureira, representam as congregações localizadas na capital e na Grande São Paulo. Já os candidatos Rogério de Madureira e Elias de Madureira disputam os votos dos templos situados no interior do estado.

Os planos da Igreja do Evangelho Quadrangular no PL

A Igreja do Evangelho Quadrangular também adota o mesmo modelo de coordenação de voto sob a legenda do PL. O objetivo principal da denominação nesta eleição é renovar a sua cadeira de deputado federal pelo estado de São Paulo.

Além de manter a vaga na Câmara dos Deputados, a Quadrangular quer dar um passo à frente e conquistar duas cadeiras de deputados estaduais na Alesp, dividindo as bases eleitorais entre seus fiéis de forma estratégica.

Os riscos da descentralização de votos

A premissa das duas igrejas é simples: se a base de eleitores fiéis é grande o suficiente para eleger dois deputados em vez de apenas um, não há motivo para concentrar os votos em apenas um nome. O cálculo político visa preencher as vagas com folga.

Por outro lado, o risco óbvio desse planejamento estratégico é a dispersão do eleitorado. Se a votação total cair ou se a divisão geográfica não for seguida de forma rigorosa nos templos, a quantidade de votos de cada candidato individualmente pode ser insuficiente, resultando na perda de mandatos antes garantidos.

Justiça de São Paulo mantém ordem de despejo contra templo da Igreja Universal em Guarulhos

Martelo da Justiça (Foto: Canva Pro)
Martelo da Justiça (Foto: Canva Pro)

A 34ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou a ordem de despejo contra um templo da Igreja Universal do Reino de Deus em Guarulhos. A decisão atinge um imóvel localizado na avenida Nova Cumbica, que era ocupado pela instituição religiosa há 28 anos.

A ação judicial foi movida pelo proprietário do imóvel sob a alegação de descumprimentos de cláusulas do contrato de locação. Apesar de a defesa da igreja argumentar que regularizou as pendências antes da decisão definitiva, a Justiça manteve a ordem de desocupação e aplicou penalidades financeiras.

Entenda o motivo da ordem de despejo em Guarulhos

O proprietário do espaço comercial acionou a Justiça apontando uma série de irregularidades contratuais acumuladas ao longo da locação. Entre as principais falhas apontadas no processo que motivaram o pedido de despejo estão:

  • Uma dívida de IPTU referente aos anos de 2023 e 2024, que somava R$ 48,6 mil;
  • Problemas contratuais relacionados à não renovação tempestiva do seguro do imóvel;
  • A realização de obras de modificação estrutural no local sem a autorização expressa do dono do imóvel.

A contestação e os argumentos da igreja

Em sua defesa apresentada à Justiça de São Paulo, a Igreja Universal do Reino de Deus contestou as alegações e afirmou que todas as pendências financeiras já haviam sido sanadas, incluindo a quitação total dos débitos de IPTU acumulados e a devida renovação do seguro obrigatório.

A instituição também destacou o papel de assistência que o templo exerce na região. A defesa argumentou que a retirada abrupta da igreja causaria prejuízos de cunho social para a comunidade local atendida no bairro de Cumbica.

A decisão final e a aplicação de multa

Ao analisar o recurso, os desembargadores da 34ª Câmara de Direito Privado entenderam que os pagamentos das pendências contratuais e tributárias só foram realizados após o início do processo judicial. Por essa razão, o colegiado considerou que a infração contratual inicial persistiu e justificou a manutenção do despejo.

Além de confirmar a desocupação do prédio na avenida Nova Cumbica, a decisão estabeleceu a aplicação de uma multa equivalente a três meses de aluguel contra a instituição. O caso ainda cabe recurso, permitindo que a Igreja Universal tente reverter a decisão nos tribunais superiores.

Igrejas prestam contribuição “significativa” a serviços essenciais à comunidade, mostra estudo

Voluntários fazem ação social. (Foto: Reprodução)
Voluntários fazem ação social. (Foto: Reprodução)

Levantamento mostra que templos religiosos oferecem suporte essencial que vai de bancos de alimentos a atendimento de saúde mental em parceria com o NHS

Organizações religiosas e de caridade cristãs podem estar oferecendo cerca de 250 mil serviços comunitários essenciais em território inglês, preenchendo lacunas de assistência social que frequentemente passam despercebidas pelo poder público. O dado consta em um levantamento detalhado elaborado pela organização Gather Movement, que mapeou a atuação dessas instituições em diversas regiões da Inglaterra.

Infraestrutura de apoio invisível e de amplo alcance

O relatório intitulado The Heart of the Neighbourhood revelou a existência de uma infraestrutura oculta de suporte nos bairros ingleses. Ao analisar 1.632 igrejas e entidades beneficentes em 25 municípios, os pesquisadores identificaram 12.840 atividades de assistência regular, o que representa uma média de oito serviços por templo. Caso essa proporção se repita por toda a Inglaterra, o volume total alcançaria a marca de um quarto de milhão de ações ativas.

O mapeamento indica que os serviços oferecidos são abertos a qualquer pessoa, sem distinção de crença, gênero, idade ou origem. A atuação abrange 54 modalidades divididas em quatro frentes principais: segurança alimentar, saúde mental, apoio à habitação e assistência para crianças e famílias. Metade das ações identificadas é voltada ao público infantil, engajando os jovens em clubes, programas de mentoria e suporte escolar.

O diretor-executivo da Gather Movement, Roger Sutton, apontou que os templos oferecem espaços de acolhimento e auxílio prático para pessoas em situação de vulnerabilidade extrema.

“Muito deste trabalho tem estado oculto — não por falta de impacto, mas porque é realizado com fidelidade, localmente e, frequentemente, sem reconhecimento.”

Ele argumentou que, diante da crescente pressão sobre os serviços estatais, há uma oportunidade valiosa para formalizar parcerias com as igrejas locais.

“Reconhecer essa contribuição significativa e integrá-la à resposta mais ampla é essencial para que as comunidades façam o melhor uso dos recursos e das relações já urgentes localmente.”

Modelos práticos de cooperação local

Os templos participantes do estudo pertencem a diferentes tradições cristãs, incluindo a Igreja da Inglaterra, a Igreja Católica, Metodista, Batista, Exército de Salvação e denominações pentecostais. O relatório documentou diversos casos bem-sucedidos de cooperação prática com conselhos municipais, escolas, polícia e o serviço nacional de saúde.

Em Lincolnshire, os chamados Night Light Cafés oferecem escuta ativa e acolhimento fora do horário comercial para pessoas em sofrimento emocional. A iniciativa é comissionada pelo NHS e coordenada pela ACTS Trust em parceria com as igrejas, ajudando a diminuir os chamados de emergência e a superlotação nos hospitais públicos. Já em Trafford, um articulador atua junto a polos familiares municipais para preparar crianças para a idade escolar e apoiar o bem-estar familiar.

A líder de polos familiares do Conselho Municipal de Coventry, Jane Moffat, elogiou o impacto do mapeamento para a gestão governamental.

“Os serviços baseados em igrejas representam um ativo comunitário valioso que pode fortalecer os sistemas locais e complementar a provisão estatal.”

Outro exemplo de destaque ocorreu em Greater Manchester, onde abrigos de inverno organizados pela Greater Together Manchester mobilizaram mais de 600 voluntários entre 2016 e 2020. A ação atendeu mais de 360 pessoas em situação de rua e serviu de base para a criação do programa governamental permanente A Bed Every Night, que atualmente disponibiliza mais de 600 leitos por noite na região.

Expansão do mapeamento e integração pública

O projeto de mapeamento começou originalmente na cidade de Oldham em 2024 e, desde então, expandiu-se rapidamente pelo país. Até setembro de 2026, as ações de mapeamento estavam em andamento ou finalizadas em 41 distritos, com planos de alcançar 64 administrações locais, abrangendo uma população estimada de 11,7 milhões de habitantes.

O bispo de Woolwich, Alastair Cutting, ressaltou o papel histórico dessas instituições como alicerces de amparo social.

“As igrejas e grupos de fé sempre foram uma treliça e uma estrutura fornecendo recursos de bem-estar na sociedade civil, por meio da oferta de educação, saúde, alimentação e segurança financeira.”

O relatório sugere a necessidade de investimentos em comitês de coordenação religiosa locais e treinamento para lideranças cívicas e religiosas em desenvolvimento comunitário. O objetivo é criar pontes sólidas de colaboração entre as entidades religiosas e os provedores de serviços públicos.

O primeiro-ministro Andy Burnham destacou a urgência de uma união de esforços intersetorial diante das atuais dificuldades enfrentadas pela população britânica.

“É crítico que nos unamos em uma colaboração multissetorial para enfrentar os desafios significativos que enfrentamos hoje.”

O parlamentar pelo leste de Wiltshire, Danny Kruger, também expressou apoio às conclusões obtidas pela pesquisa.

“Famílias fortes, instituições locais prósperas e comunidades de fé ativas são a base de uma sociedade saudável.”

Partido de extrema-direita vence eleição e gera forte preocupação entre os cristãos na Alemanha

Políticos do partido de extrema-direita comemoram a vitória na Alemanha. (Foto: Reprodução)
Políticos do partido de extrema-direita comemoram a vitória na Alemanha. (Foto: Reprodução)

Com quase metade dos votos, o partido AfD conquista vitória histórica em Saxônia-Anhalt e acende alerta sobre coesão social entre os líderes religiosos.

O partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve uma vitória expressiva na eleição estadual de Saxônia-Anhalt, realizada no domingo, 6 de setembro de 2026. Com 43,8% dos votos apurados, a legenda superou com ampla vantagem os democratas-cristãos da CDU, que registraram 17,2% da preferência do eleitorado. Esse desempenho garante à sigla 39 das 83 cadeiras do parlamento local, restando apenas três assentos para alcançar a maioria absoluta, em um cenário no qual as forças tradicionais rejeitam qualquer coalizão governamental com o grupo vencedor, conforme informações divulgadas pela emissora BBC.

A votação registrou uma mobilização eleitoral histórica no estado alemão, com uma participação final de 77,8% de um total de 1,7 milhão de cidadãos aptos a votar. O índice superou de forma expressiva o pleito de junho de 2021, quando o comparecimento no meio da tarde era de apenas 27,1%, contra os 54,4% apurados no mesmo horário nesta rodada de votações. Diante dos números preliminares, a liderança regional do partido comemorou o resultado nas urnas. O candidato principal da legenda no estado, Ulrich Siegmund, classificou o desempenho como sensacional e declarou que a agremiação recebeu uma autorização clara da população para governar.

Nos dias que antecederam a votação, a liderança federal do partido já havia mobilizado os eleitores ao classificar o pleito como um momento decisivo para os rumos do país. Em comunicado conjunto, os porta-vozes nacionais Alice Weidel e Tino Chrupalla destacaram que o objetivo principal em Saxônia-Anhalt é a aplicação rígida das leis vigentes, em especial no controle da migração irregular, apontando que as siglas tradicionais falharam na condução de políticas de educação e transição energética.

A expressiva votação da sigla causou reações imediatas na comunidade religiosa do país. O representante político da Aliança Evangélica Alemã (EAD) em Berlim, Johann Matthies, manifestou forte preocupação com as consequências sociais e econômicas do resultado, mas fez um apelo para que os cristãos adotem uma postura ponderada e evitem reações extremas. O porta-voz destacou que a votação expressiva em um partido sem experiência prévia de governo reflete um desgaste profundo na confiança popular em relação às instituições tradicionais.

O representante analisou a perda de credibilidade dos governantes atuais perante a sociedade.

“Este resultado representa uma perda extraordinária de confiança e não pode ser simplesmente minimizado como um voto de protesto. A política consiste em buscar soluções para problemas práticos. Evidentemente, um número muito expressivo de cidadãos não confia mais que os governantes atuais levem essas questões a sério ou que sejam capazes de resolvê-las.”

O porta-voz relatou temores de diversos fiéis locais sobre o futuro da região e a percepção externa da nação no cenário global. Ele mencionou a preocupação com a divisão da sociedade e o receio de que o estado sofra perdas econômicas nos próximos anos, além do impacto na imagem do país perante parceiros internacionais que observam atentamente os desdobramentos políticos. Matthies alertou que os posicionamentos políticos devem ser sempre avaliados com base em princípios éticos e humanos.

O líder religioso reforçou a necessidade de manter a independência ideológica em relação a qualquer grupo partidário.

“Nenhum partido político tem direito à nossa lealdade absoluta. As posições políticas devem ser medidas em relação à dignidade humana, liberdade, verdade, responsabilidade e amor ao próximo.”

Ao avaliar o cenário pós-eleitoral, a liderança da associação religiosa recomendou que a população analise criticamente as propostas sem rotular o eleitorado de forma simplista. Ele sugeriu que as razões do descontentamento popular sejam ouvidas com atenção e convocou a comunidade evangélica a orar pelos governantes e opositores para que atuem com sabedoria, humildade e foco na pacificação social.

O representante concluiu reforçando o papel da fé e do diálogo diante da crescente polarização do ambiente social.

“Para os cristãos, a esperança, em última análise, não repousa em um resultado eleitoral ou em qualquer partido político. Nossa tarefa é permanecer na verdade, buscar o bem de nossos vizinhos, resistir ao desprezo e ao ódio, e contribuir para a reconciliação em uma sociedade que se torna cada vez mais polarizada.”

Burkina Faso se torna um dos lugares mais perigosos para cristãos

Cristãos em Burkina Faso. (Foto: Portas Abertas)
Cristãos em Burkina Faso. (Foto: Portas Abertas)

Nação africana ocupa a décima sexta posição no ranking global de perseguição religiosa após escalada de atentados promovidos por grupos extremistas

Comunidades inteiras em Burkina Faso estão sendo forçadas a abandonar suas casas e templos devido ao avanço de ataques violentos promovidos por grupos extremistas. O país passou a figurar na 16ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026, que mapeia as regiões mais hostis para minorias religiosas na África Subsaariana, aponta o relatório anual da Portas Abertas.

Impacto humanitário e social das invasões armadas

A ação dos grupos extremistas foca especialmente em áreas rurais, onde a reduzida presença estatal dificulta o estabelecimento de medidas de segurança para proteger a população local. Além da perda de moradias, as famílias deslocadas enfrentam o colapso de suas fontes de renda e perdem o acesso a serviços básicos de saúde e educação, acumulando traumas psicológicos decorrentes da violência.

O impacto das invasões atinge diretamente a infraestrutura e os recursos de subsistência de pequenas comunidades vulneráveis. O pastor Michée, sobrevivente de uma dessas incursões violentas, relata a extensão dos prejuízos materiais sofridos pelas famílias locais.

“Eles destruíram todas as nossas casas. Tudo foi queimado. Nossos bens e animais foram roubados. Não nos restou nada.”

A investida dos grupos armados também foca na eliminação de lideranças locais, o que desestabiliza as redes de apoio comunitário e espiritual das vilas. O pastor Michée descreve o ataque devastador perpetrado contra o templo de sua congregação.

“Eles levaram as pessoas para dentro da igreja e todas foram mortas a tiros, 25 foram mortas na igreja, incluindo meu pai e meus irmãos.”

Ações de assistência e suporte às comunidades atingidas

Mesmo diante do cenário de insegurança e perda de entes queridos, líderes locais como o pastor Soré continuam atuando na região para prestar assistência espiritual e de discipulado aos sobreviventes. Comunidades locais seguem se reunindo para prestar apoio mútuo, demonstrando resiliência social e religiosa diante das hostilidades.

Atualmente, o auxílio a essa população vulnerável envolve o fornecimento de cuidados pós-trauma, ajuda humanitária emergencial, assistência a viúvas e suporte material básico. Essas iniciativas são coordenadas por meio de parcerias locais para tentar suprir as demandas imediatas das famílias deslocadas pela violência na África Subsaariana.

Folha Gospel com informações de Portas Abertas

Mais de 30 cristãos foram mortos no estado de Plateau, na Nigéria

Sepultamento de vítimas de ataque no estado de Plateau, na Nigéria. (Foto: ICC)
Sepultamento de vítimas de ataque no estado de Plateau, na Nigéria. (Foto: ICC)

A onda de violência promovida por pastores Fulani na região de Mangu resulta em assassinatos e destruição sistemática de propriedades no país africano

A escalada de violência na região de Mangu, no estado de Plateau, na Nigéria, resultou na morte de mais de 30 cristãos no último mês, em ações atribuídas a extremistas Fulani. Os incidentes mais recentes ocorreram no sábado, 5 de setembro, deixando três mortos nos vilarejos de Fungtim e Kinat, além de outros ataques registrados nos dias anteriores que vitimaram dezenas de moradores locais, conforme informações apuradas pelo Christian Daily International-Morning Star News.

O morador da área Leo Lawrence descreveu o ataque do último sábado.

“Um cristão foi morto na comunidade de Fungtim, enquanto outros dois cristãos foram mortos na comunidade de Kinat. No total, três cristãos foram mortos por suspeitos de terrorismo Fulani nestes ataques.”

Dias antes, na quinta-feira, 3 de setembro, duas mortes adicionais foram registradas nas aldeias de Kinat e Kop-Naanle. O líder comunitário Tubwot Sunday relatou o ocorrido.

“Dois cristãos foram mortos em ataques separados por militantes Fulani em dois vilarejos cristãos. O senhor Bulus Danladi, de 78 anos, foi morto no vilarejo de Kop-Naanle, enquanto o senhor Kwopnaan Lot Yunana, de 33 anos, foi morto no vilarejo de Kinat.”

O massacre no vilarejo de Bin-Per

No dia 18 de agosto, uma ofensiva durante a madrugada na comunidade de Bin-Per resultou no assassinato de 25 cristãos. O residente Nelson Dogara enviou uma mensagem descrevendo o cenário devastador.

“O vilarejo de Bin-per está sangrando, pois pastores muçulmanos Fulani mataram 25 cristãos em um ataque noturno.”

O porta-voz do Conselho do Governo Local de Mangu, Jeremiah Dakahap, confirmou as mortes e expressou o pesar da liderança local.

“Ainda estamos de luto pelo trágico assassinato de 25 cristãos no vilarejo de Bin-Per, na área do governo local de Mangu. O presidente do conselho do governo local de Mangu, Emmanuel Bala Mwolpun, está entristecido com o assassinato de 25 cristãos por Fulani nas primeiras horas de terça-feira, 18 de agosto.”

O morador Daniel Musa acrescentou detalhes sobre o perfil das vítimas e o rastro de destruição física deixado pelos invasores, que incendiaram residências e devastaram plantações.

“A maioria das vítimas eram mulheres e crianças. Os mortos foram enterrados no mesmo dia em uma vala comum, enquanto as vítimas feridas foram levadas para instalações públicas de saúde para atendimento médico na cidade de Jos.”

Tensões e mortes envolvendo forças de segurança

A crise na região também envolve a atuação de militares. Em Sabon Layi, no dia 18 de agosto, um manifestante que protestava contra a violência foi baleado e morto por soldados. Em outro episódio semelhante, no dia 15 de agosto, Fwangshak Dawuk foi morto por soldados em Jakatai enquanto patrulhava a área para proteger sua comunidade.

O líder comunitário Jonathan Yusuf refutou as acusações oficiais sobre a vítima durante o funeral de Dawuk.

“Lamentamos a morte de Fwangshak com profunda dor, mas também usamos esta ocasião solene para renovar nosso apelo por justiça, responsabilidade e ação governamental imediata. As circunstâncias que cercam a morte de Fwangshak Dawuk, particularmente relatórios alegando que ele era um miliciano, são completamente falsas. Fwangshak foi morto enquanto desempenhava suas responsabilidades de vigilância comunitária.”

Yusuf também cobrou investigações independentes sobre a atuação do exército.

“As forças armadas existem para proteger os cidadãos e, sempre que surgem alegações relativas ao assassinato ilegal de um civil, o público merece saber a verdade.”

Além disso, ele informou que um jovem de 20 anos, Moses Emmanuel Panse, foi assassinado por Fulanis em 12 de agosto, no vilarejo de Murish, e que 38 casas foram incendiadas em Jwak Maitumbi. O líder frisou que as perdas representam uma ameaça direta à subsistência alimentar das famílias.

“Não podemos continuar a enterrar nossos membros da comunidade enquanto os perpetradores permanecem não identificados, não detidos e não processados.”

Resposta oficial e cenário de perseguição religiosa

O porta-voz do comando da polícia estadual, Alfred Alabo, comunicou que alguns dos agressores que atuavam na área de Mangu foram detidos pelas autoridades. O governador do estado de Plateau, Caleb Mutfwang, visitou os locais afetados, condenando veementemente as ações violentas e prometendo defender o território das comunidades.

“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que vocês permaneçam em suas terras. Ninguém irá se apoderar das suas terras.”

A Nigéria desponta como o país com o maior número de cristãos assassinados por sua fé no mundo, de acordo com dados do relatório Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas. Entre 1 de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, o país registrou 3.490 das 4.849 mortes globais de cristãos, o equivalente a 72% do total. A nação ocupa a sétima posição entre os países mais difíceis para a prática do cristianismo.

Lideranças religiosas apontam que os ataques na região do Cinturão Médio da Nigéria são motivados pela tentativa de expropriação de terras e imposição do Islã, agravada pela desertificação que dificulta a manutenção dos rebanhos dos pastores nômades. Relatórios de direitos humanos britânicos apontam que grupos extremistas Fulani utilizam estratégias semelhantes às de organizações como Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), alvejando símbolos da identidade cristã. A violência também se expandiu para o sul e o noroeste do país, com o surgimento do grupo terrorista Lakurawa, aliado da rede Al-Qaeda.

Muçulmano mata mulher cristã a tiros no Paquistão

Corpo da cristã Saba Mehboob, morta por muçulmano no Paquistão. (Foto: Reprodução)
Corpo da cristã Saba Mehboob, morta por muçulmano no Paquistão. (Foto: Reprodução)

Saba Mehboob foi executada a tiros dentro de sua própria residência em Rawalpindi após recusar investidas amorosas e de sofrer ameaças constantes

Uma jovem cristã de 21 anos foi assassinada a tiros dentro de sua própria residência em Dhoke Ratta, Rawalpindi, na quinta-feira, 3, após recusar as investidas amorosas de um vizinho muçulmano. O crime violento contra Saba Mehboob evidencia o sentimento de impunidade que cerca os ataques a minorias religiosas no Paquistão.

O irmão de Saba, Joshua Mehboob, relatou que o agressor invadiu a residência portando uma arma de fogo por volta das 21h. O suspeito agrediu a jovem antes de efetuar o disparo fatal em sua testa. Toda a ação ocorreu na presença de familiares da vítima, incluindo seu meio-irmão de 16 anos, Anoosh.

Após a execução, Butt levou o adolescente sob ameaça de morte a uma residência pertencente ao seu cunhado, onde outros indivíduos estavam reunidos. Sob coação física e psicológica, o menor foi pressionado a assumir a autoria do assassinato de sua irmã, sendo libertado apenas no final da tarde de sexta-feira (4 de setembro de 2026), após um acordo informal em que a família se comprometeu a não registrar queixa na polícia.

Apesar das ameaças de morte direcionadas ao pai da vítima e a outros parentes, a família buscou as autoridades no hospital onde o corpo de Saba estava sendo liberado. Policiais registraram o caso e colocaram o jovem e seu pai sob custódia protetiva. Contudo, o suspeito conseguiu obter fiança preventiva na justiça e permanece em liberdade.

O irmão da vítima descreveu os momentos que antecederam o disparo fatal, com base no relato do sobrevivente.

“De acordo com Anoosh, ele e seus tios paternos, Michael e Nomi, estavam em um quarto quando Butt entrou de repente com Saba, insultando-a em voz alta.”

O suspeito forçou a saída dos familiares sob a mira da arma antes de cometer a agressão física direta.

“Ele apontou a pistola para Michael e Nomi e ordenou que saíssem. Em seguida, deu vários tapas em Saba enquanto gritava que ela o havia desonrado e sido desleal com ele.”

O irmão de Saba relembrou os episódios anteriores de assédio que ela enfrentava na vizinhança.

“Acho que a rejeição de Saba alimentou a raiva dele, levando-o a assassiná-la.”

Revolta local e pressão policial

A tragédia motivou protestos em Dhoke Ratta, mobilizando moradores cristãos e muçulmanos em um clamor conjunto pela prisão de Butt. A comunidade exige que o inquérito saia da delegacia local e seja assumido por uma autoridade policial de escalão superior.

Existem preocupações por parte dos familiares de que as autoridades estejam induzindo o adolescente de 16 anos a assumir a autoria do crime para livrar o agressor.

O jornalista local Tariq Chaman detalhou a versão apresentada pelas forças de segurança sobre a permanência do menor e do pai na delegacia.

“A polícia negou as acusações e disse que o adolescente está sendo mantido sob custódia para sua proteção. Seu pai também foi mantido com ele porque o menino é menor.”

O profissional de imprensa alertou ainda para o risco de interferências externas na elucidação do homicídio.

“Fontes locais afirmaram que Butt e sua família possuem histórico criminal, e é possível que a família da vítima acabe cedendo à pressão em algum momento.”

Vulnerabilidade sistemática no Paquistão

Organizações de direitos humanos destacam que minorias religiosas no Paquistão sofrem com agressões constantes, violência sexual e conversões forçadas, enfrentando frequentemente intimidação para encerrar disputas judiciais de forma extraoficial. Saba Mehboob havia se divorciado de seu antigo companheiro devido à dependência química dele e residia com a mãe e suas duas filhas pequenas.

A Lista Mundial da Perseguição 2026 elaborado pela organização Portas Abertas, o Paquistão ocupa a oitava posição entre as nações mais perigosas para os cristãos. A entidade aponta que a fragilidade na aplicação das leis e a discriminação sistêmica ampliam drasticamente os riscos para essa população.

Folha Gospel com informações de Christian daily

Legisladores dos Estados Unidos pressionam Paquistão por caso de jovem cristã convertida à força

Mulheres muçulmanas (Foto: reprodução)
Mulheres muçulmanas (Foto: reprodução)

Parlamentares norte-americanos exigem medidas de segurança para jovem cristã sequestrada e forçada à conversão religiosa no Paquistão

Um grupo de 11 membros do Congresso dos Estados Unidos enviou uma carta formal ao ministro da Justiça do Paquistão, Azam Nazeer Tarar, solicitando proteção imediata para Neha Faqir. A jovem cristã, de 18 anos, foi sequestrada em março, após… (Clique aqui para continuar lendo)

Relatório aponta aumento de 153% nos sequestros extremistas na Nigéria em meio à escalada da violência

Cristãos orando na Nigéria (Foto: Portas Abertas)
Cristãos orando na Nigéria (Foto: Portas Abertas)

O relatório também examina como o impacto da violência extremista está sendo sentido nas comunidades religiosas.

Os sequestros ligados à violência extremista na Nigéria mais que dobraram nos últimos três meses de 2025, de acordo com um novo relatório que alerta para o agravamento da insegurança no país após vários anos de níveis de violência relativamente mais baixos.

O relatório, intitulado “Nigéria na Encruzilhada”, publicado pela organização cristã de apoio a pessoas perseguidas, Portas Abertas, constatou que 3.415 pessoas foram sequestradas entre outubro e dezembro de 2025.

Esse número se compara a 1.352 pessoas durante o mesmo período em 2024, representando um aumento de 153%.

As mortes de civis também aumentaram drasticamente. A organização Portas Abertas registrou 1.735 assassinatos no último trimestre de 2025 – um aumento de 51% em relação aos 1.148 assassinatos documentados durante o mesmo período de três meses do ano anterior.

O relatório afirma que a violência atribuída a grupos militantes Fulani agora representa um número substancialmente maior de assassinatos e sequestros do que os ataques do Boko Haram, apesar de este último ter uma projeção internacional muito maior.

As conclusões surgem em meio a uma renovada preocupação com a segurança no norte da Nigéria , onde as comunidades continuam a enfrentar ataques extremistas, sequestros em massa e deslocamentos.

Segundo a organização Portas Abertas, os assassinatos e sequestros cometidos por grupos extremistas atingiram um pico em 2021, antes de diminuírem ou se estabilizarem por vários anos.

A organização beneficente afirma que o aumento acentuado registrado no final de 2025 sugere que esse período de relativa estabilização pode estar chegando ao fim.

Jane Boswell, Diretora Sênior de Advocacy da Portas Abertas International, afirmou: “Nossa pesquisa mostra que a violência na Nigéria parece estar aumentando novamente. No entanto, com uma intervenção decisiva do governo nigeriano, é possível alterar essa trajetória.”

Ela apelou às autoridades para que reforcem as medidas de segurança, processem os responsáveis ​​pelos ataques e criem condições para que as comunidades deslocadas possam regressar em segurança às suas casas.

“A atenção e a pressão internacional contínuas sobre a Nigéria também são vitais para garantir que a justiça seja feita e que a impunidade chegue ao fim”, disse ela.

“O futuro de muitos cidadãos – particularmente no norte da Nigéria – está em jogo. É imprescindível que o governo nigeriano aproveite este momento e estabeleça um caminho claro rumo à proteção, à justiça e à restauração.”

O relatório também examina como o impacto da violência extremista está sendo sentido nas comunidades religiosas.

Entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, os cristãos permaneceram entre aqueles que sofreram perdas substanciais de vidas, enquanto a organização Portas Abertas também registrou um aumento no número de vítimas muçulmanas.

O padrão de sequestros também mudou. Embora anteriormente os cristãos representassem a maioria das vítimas de sequestro registradas, o relatório afirma que, a partir do período de 2024, o número de muçulmanos sequestrados ultrapassou o número de cristãos.

O relatório também expressa preocupação com as crescentes consequências humanitárias da insegurança prolongada.

Quase 4 milhões de nigerianos estão atualmente deslocados dentro do país, e o relatório alerta que a violência contínua e a impunidade podem tornar cada vez mais difícil para as comunidades deslocadas retornarem às suas casas.

A organização Portas Abertas reconhece que o governo nigeriano tem feito alguns esforços para combater a violência, mas alerta que essas medidas terão efeito limitado sem um compromisso político sustentado e responsabilização.

“Se as tendências atuais de violência e impunidade continuarem, o deslocamento se agravará e as perspectivas de retorno diminuirão ainda mais”, afirma o relatório.

No entanto, argumenta: “Se os esforços do governo nigeriano para combater a insegurança forem reforçados, apoiados por pressão e parcerias internacionais consistentes, ainda haverá um caminho para maior segurança, justiça e um verdadeiro ‘caminho de volta para casa’ para as comunidades deslocadas.”

A crise de segurança na Nigéria atraiu maior atenção política no final do ano passado, quando Donald Trump, presidente dos EUA, reclassificou a Nigéria como um País de Preocupação Especial devido a violações da liberdade religiosa em outubro de 2025.

No mês seguinte, o presidente nigeriano Bola Tinubu declarou estado de emergência nacional após uma série de sequestros em massa envolvendo estudantes e professores.

A Nigéria ocupa atualmente o 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, que classifica os países onde os cristãos enfrentam a perseguição mais severa.

Folha Gospel com informações de The Christian Today

Ads
- Publicidade -
-Publicidade-