Igreja no Reino Unido que oferece cultos e café. / Foto: Haydon , Unsplash
Estudo revela que dois em cada três cristãos praticantes no território britânico adotam a teologia evangélica como base de sua vivência religiosa
Uma pesquisa abrangente realizada com 8.400 pessoas em toda a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte aponta uma mudança significativa no cenário religioso britânico. O levantamento, conduzido pela empresa Whitestone para a Evangelical Alliance UK (EAUK), indica que 5,5 milhões de pessoas se identificam como evangélicas e seguem seus princípios teológicos, o que equivale a quase 8% da população total do país. Considerando apenas o grupo de cristãos praticantes — definidos como aqueles que frequentam cultos, oram e demonstram compromisso ativo com a fé — os evangélicos representam agora uma vasta maioria de dois terços.
Perfil demográfico destaca juventude e diversidade do movimento
Os dados coletados entre fevereiro e março de 2026 desafiam noções convencionais sobre o público cristão, revelando uma base jovem e multicultural. Mais de 40% dos evangélicos no Reino Unido possuem menos de 35 anos, posicionando o movimento como um grupo geracionalmente mais jovem que a média da sociedade britânica. Além disso, cerca de 30% dos fiéis pertencem a minorias étnicas, reforçando o caráter plural dessa demografia religiosa.
A vitalidade observada no relatório intitulado “Understanding UK Evangelicals: who are they?” é celebrada pela liderança da organização responsável pelo estudo. Gavin Calver, CEO da Evangelical Alliance, destaca o vigor do grupo. “A igreja evangélica no Reino Unido está prosperando: é jovem, diversificada e crescente”. Ele acrescenta ainda que o movimento permanece central na vida eclesiástica semanal, conferindo segurança sobre a continuidade dessa influência no futuro da igreja.
O levantamento também esclarece a natureza da identidade evangélica no país. O diretor de advocacia Danny Webster busca desmistificar a visão de que a coesão do grupo seja baseada em pautas político-partidárias. “Um movimento unido não por política, mas por um compromisso compartilhado com Jesus Cristo e em torná-Lo conhecido”. A estrutura das igrejas atendidas varia amplamente, abrangendo denominações que vão desde o segmento pentecostal até o batista e reformado, com quase metade dos fiéis frequentando congregações pentecostais ou anglicanas.
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (Foto: Reprodução/Gustavo Moreno/STF)
Em meio à tensão entre ministros do Supremo, grupo de reverendos questiona compatibilidade entre magistratura e ministério pastoral de Mendonça; outros líderes evangélicos convocam a igreja à oração pelo ministro e pelo Brasil
A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a provocar diferentes manifestações dentro do meio evangélico. Enquanto um grupo de pastores, em sua maioria presbiterianos, encaminhou uma “interpelação de interesse público” ao ministro André Mendonça questionando sua atuação simultânea como magistrado e pastor, outros líderes cristãos se manifestaram nas redes sociais pedindo oração pelo ministro e pelo Brasil.
As manifestações ocorreram após a sessão extraordinária do STF realizada na terça-feira (15), marcada por divergências entre os ministros durante a análise de procedimentos relacionados ao caso Banco Master e às informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento terminou sem uma decisão definitiva, após um pedido de vista de Flávio Dino.
Pastores questionam Mendonça por exercer as duas funções
O grupo de reverendos divulgou nesta semana uma carta dirigida diretamente a Mendonça. Os autores questionam a compatibilidade ética, teológica e constitucional entre o exercício da magistratura no STF e a manutenção de um ministério pastoral ativo.
Mendonça é reverendo da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo. A manifestação foi assinada majoritariamente por pastores presbiterianos, que afirmam falar com o ministro “como irmãos” e sem “animosidade pessoal, mas dever de consciência”.
O documento utiliza como uma das bases de sua argumentação a Confissão de Fé de Westminster, adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). O texto estabelece restrições à atuação de magistrados civis em funções relacionadas à administração da Palavra e dos sacramentos.
A interpretação dos signatários é de que haveria uma incompatibilidade entre ocupar uma posição de magistrado e, ao mesmo tempo, exercer liderança espiritual como pastor. Mendonça, segundo a Folha, desempenha as duas funções.
Os reverendos também levantam questionamentos sobre a relação entre a função pública exercida pelo ministro e sua atuação religiosa, incluindo questões relacionadas à imparcialidade quando o STF analisa temas envolvendo liberdade religiosa.
Questionamento acontece em meio à tensão no Supremo
A carta foi divulgada em um momento de forte exposição de Mendonça dentro do STF. O ministro tornou público um relatório solicitado à Polícia Federal contendo informações relacionadas a mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dirigidas a Alexandre de Moraes.
O episódio levou o Supremo a realizar uma sessão extraordinária na terça-feira (15). Durante o julgamento, houve divergências e confrontos entre ministros, incluindo discussões envolvendo Mendonça.
A sessão terminou depois que Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise. A discussão não resultou em uma decisão definitiva sobre a abertura de investigação contra Moraes.
Líderes cristãos convocam igreja à oração
Enquanto o grupo de reverendos apresenta questionamentos sobre a atuação pastoral de Mendonça, outros líderes evangélicos reagiram à crise no STF de maneira diferente.
O pastor Cláudio Duarte destacou o papel da oração diante das pressões enfrentadas pelo ministro. Ao comentar o episódio, afirmou:
“Agora é André Mendonça. Ele vai pedir oração e tem uma multidão orando por esse moço. E aí você vê a perseguição, a tentativa de desmoralização crescendo sobre ele”.
A declaração foi feita no contexto de sua manifestação sobre os acontecimentos envolvendo o ministro e a crise no Supremo.
O pastor Filipe Duque Estrada, conhecido como Lipão, também comentou a sessão. Em sua avaliação, o Brasil estaria vivendo uma inversão de valores e criticou a forma como, segundo ele, críticas ao poder são tratadas no debate público.
“Precisamos orar pelo Brasil”
Outros líderes reforçaram a convocação para oração e posicionamento dos cristãos diante do cenário nacional.
O pastor Aluízio Silva, líder da Igreja Videira, defendeu que a resposta dos cristãos diante dos acontecimentos deve envolver oração, fé e participação.
“Quando vemos o nosso país enfrentando tantos desafios, nossa resposta também precisa ser de oração, posicionamento e fé”, declarou.
A pastora Val Gonçalves, do movimento JesusCopy, também afirmou estar vivendo um período de oração e jejum. Ao comentar a situação brasileira, declarou:
“Não desista do seu país. Eu não vou desistir do meu país”.
A líder defendeu que os cristãos intercedam pelo Brasil, mas também exerçam seus direitos dentro das instituições democráticas.
O pastor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança, também se manifestou, defendendo que os cristãos não permaneçam indiferentes aos acontecimentos políticos e institucionais do país.
Debate dentro do próprio meio evangélico
As duas manifestações revelam respostas diferentes de líderes cristãos diante do mesmo cenário.
Enquanto os reverendos que assinaram a interpelação concentram sua preocupação especificamente na combinação entre o cargo de ministro do STF e o exercício do ministério pastoral por Mendonça, outros pastores têm enfatizado a necessidade de oração pelo magistrado e pelo Brasil diante da crise institucional.
A discussão também coloca em evidência questões relacionadas à separação entre Estado e religião, atuação pastoral, independência da magistratura e liberdade religiosa. A carta dos reverendos utiliza fundamentos da tradição presbiteriana para questionar a dupla função de Mendonça, enquanto os demais líderes enfatizam oração, fé e participação cristã no espaço público.
Até o momento, a interpelação divulgada pelos reverendos constitui uma manifestação de seus signatários e não representa, por si só, uma decisão institucional da Igreja Presbiteriana de Pinheiros ou da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre a permanência de Mendonça no ministério pastoral.
A crise no STF, por sua vez, continua em andamento, e as manifestações dos líderes cristãos mostram que o episódio também passou a gerar um debate dentro das igrejas sobre os limites e responsabilidades da presença evangélica nas instituições públicas.
A prática de utilizar o espaço religioso para fins eleitorais tem gerado divergências entre aliados do governo, que chegaram a discutir estratégias específicas voltadas ao eleitorado evangélico. Ao abordar o assunto, o presidente enfatizou o respeito à fé alheia.
“Não me convide para ir numa assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem na católica e nem da evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política e com isso eu faço na rua, mas a igreja eu não faço e nenhuma igreja”
“Eu me recuso toda vez que pede alguém para ir numa igreja falar de política, eu não vou. Eu não vou porque eu respeito muito a fé das pessoas. Eu respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus”
Críticas a intervenções externas
Durante o encontro com os líderes estrangeiros, Lula também abordou o cenário das eleições brasileiras e comentou a postura de Donald Trump. O presidente reafirmou a soberania nacional perante a interferência externa no pleito.
“Daqui a 19 dias esse país vai decidir que tipo de regime ele quer? Que tipo de governo ele quer, que tipo de democracia nós queremos. E o povo brasileiro é soberano. Eu já disse inclusive ao meu amigo Trump: ‘não se meta nas eleições brasileiras, que as eleições brasileiras é um problema do povo brasileiro. E não duvide das urnas brasileiras’. Se ela pudesse roubar, o Lula não seria presidente da República três vezes.”
Visão do púlpito
O Advogado-Geral da União, Jorge Messias, que participou da agenda, reforçou a importância da separação entre o exercício religioso e o político. O ministro destacou sua trajetória como evangélico ao defender sua visão sobre o papel das igrejas.
“Eu também quero dizer que eu tenho um sonho de ver o nosso país em que as nossas igrejas elas possam compreender que o púlpito é um lugar sagrado, que não é lugar para homens, é lugar para Deus”
“O que eu peço a Deus todos os dias é que Deus tire as escamas dos olhos dos nossos irmãos para que eles possam enxergar a bondade, a verdade e a justiça que vem dos seus atos todos os dias. Eu tenho muito orgulho de como evangélico, como cristão, servi ao meu país sobre sua liderança.”
Celular mostra na tela logos de vários tipos de Inteligência Artificial (Foto: Unsplash/Solen Feyissa)
Impacto da inteligência artificial nos hábitos de leitura das novas gerações exige reflexão sobre o futuro espiritual e a fidelidade cristã
O matemático e professor de Oxford, John Lennox, emitiu um alerta contundente sobre os perigos da inteligência artificial (IA) para a preservação do estudo bíblico. Durante a 10ª Conferência Anual Sing!, realizada nos Estados Unidos, o acadêmico pontuou que a tecnologia, embora útil em áreas como a medicina e a tradução de textos, pode desencadear uma crise de fome espiritual caso substitua a leitura direta das Escrituras.
“Um dos efeitos negativos é o rápido declínio da leitura, principalmente entre os jovens. Se negligenciarmos a leitura e o incentivo à leitura em crianças e jovens, isso os deixará em um estado de fome espiritual. Se a leitura diminuir, a leitura das Escrituras também diminuirá e, portanto, os cristãos não prosperarão.”
O risco, segundo Lennox, reside na tendência de buscar respostas imediatas fornecidas por sistemas automatizados em vez de se dedicar ao processo de meditação e estudo aprofundado. A preocupação é compartilhada pelo professor Wes Huff, que comparou a situação atual à era da Reforma. Huff advertiu que a IA pode atuar como um novo intermediário desnecessário entre o indivíduo e a Palavra de Deus.
“Estamos confundindo os mecanismos que nos fornecem informações com a meditação, a leitura e o estudo aprofundado das Escrituras.”
Tecnologia como ferramenta de dupla finalidade
Para os especialistas, a tecnologia não deve ser categorizada como inerentemente boa ou ruim. Lennox utilizou a analogia de uma faca afiada, que pode tanto salvar uma vida em uma cirurgia quanto ser utilizada para ferir. O acadêmico ressaltou a necessidade de cristãos sérios se envolverem na pesquisa de IA, garantindo a aplicação de princípios bíblicos e éticos em seu desenvolvimento.
Houve uma ênfase especial na natureza da inteligência artificial, que, ao contrário do ser humano, não foi criada à imagem de Deus. Lennox alertou que esses sistemas refletem as falhas de pensamento de seus criadores humanos, reforçando a importância de manter a centralidade da Bíblia na vida cristã para evitar que a tecnologia se torne um ídolo moderno.
“Se os cristãos não lerem e meditarem nas Escrituras em oração, então, é claro, tornaremos a Igreja totalmente indefesa. Seria uma tragédia se os crentes agora negligenciassem a Bíblia por causa da IA.”
Ao abordar os desafios de comunicar a fé em um cenário de ceticismo, Lennox sugeriu que os fiéis adotem a postura de bons ouvintes. O professor reforçou que a verdadeira esperança reside na promessa cristã do retorno de Jesus, incentivando os crentes a não se envergonharem de sua cosmovisão diante do avanço das inovações digitais.
Pai muçulmano incendeia casa para matar filhas que se converteram ao cristianismo em Uganda (Foto: Reprodução/ICC)
Irmãs sobrevivem a incêndio criminoso provocado pelo próprio pai em represália por conversão ao cristianismo
Duas irmãs cristãs conseguiram escapar com vida de um incêndio propositalmente iniciado pelo pai na região de Kibenge, distrito de Kasese, em Uganda. O ataque ocorreu na madrugada de 6 de setembro, poucos dias após as jovens, identificadas como Amina e Shamila, abandonarem o islamismo para seguir o cristianismo, conforme informações reportadas pelo International Christian Concern.
O agressor, identificado como Muhamud, teria espalhado gasolina pelo imóvel enquanto as filhas dormiam, justificando a tentativa de homicídio como um cumprimento da lei islâmica após a conversão delas em 26 de agosto. O forte cheiro do combustível despertou as irmãs a tempo de perceberem a residência em chamas.
“Vimos as chamas consumindo nossa casa silenciosamente. Então começamos a procurar um Plano B para escapar da morte”.
Para sobreviverem, as jovens removeram tijolos da estrutura da casa e abriram uma passagem na parede. “Vimos as chamas saindo da casa e sabíamos que nossas vidas estavam em perigo. Retiramos os tijolos e escapamos pelo buraco. Graças a Deus, conseguimos sair vivas”.
Apesar da perda total de seus pertences, como colchões e roupas, a postura das vítimas permanece inabalada em relação às suas novas crenças. “Estamos felizes em dizer que o fogo consumiu nossa casa, mas não consumiu nossa fé e esperança em Jesus Cristo”.
O caso gerou indignação entre lideranças locais, que classificaram o episódio como uma violação clara das leis ugandenses e um ato de intolerância religiosa inaceitável. O pai das jovens é alvo de um pedido público para que seja levado à justiça. Um chefe local, que preferiu não ser identificado, celebrou o desfecho positivo e a prontidão da comunidade no resgate.
“Agradeço também aos cristãos da minha região pela solidariedade demonstrada no resgate dessas pessoas inocentes. Somos contra esses atos assassinos disfarçados de conflito religioso. É algo notório e injustificável”.
Desfile da Assembleia de Deus de Içara durante 7 de setembro
Foto: Reprodução/Facebook/Adiçar)
Ministério Público de Santa Catarina quer esclarecer participação da Assembleia de Deus no evento e apura possível discriminação; igreja apresentou mensagens sobre casamento, aborto e ideologia de gênero
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou um procedimento para apurar a participação da Igreja Assembleia de Deus de Içara, no Sul do estado, no desfile cívico de 7 de Setembro. Durante a programação, integrantes da igreja exibiram faixas com mensagens relacionadas à visão cristã sobre família, casamento, aborto e gênero.
A apuração foi aberta depois que o episódio repercutiu nas redes sociais e recebeu questionamentos relacionados à possível discriminação contra pessoas LGBT e ao fato de a manifestação ter ocorrido durante um evento organizado pela Prefeitura de Içara. O procedimento foi instaurado como Notícia de Fato na segunda-feira (14).
Faixas exibidas durante o desfile
A igreja participou do desfile com seus diferentes departamentos. O Departamento da Família levou cartazes com mensagens que apresentavam a compreensão bíblica defendida pela instituição.
Entre as frases estavam:
“Homem + mulher + filhos = família tradicional”;
“Somos contra a ideologia de gênero”;
“Deus criou homem e mulher (Mc 10:6)”;
“Não ao aborto. A vida começa na concepção (Pv 31:8)”;
“Casamento é monogâmico e heterossexual (Mt 19:5-6)”.
As imagens da participação foram divulgadas pela própria igreja nas redes sociais e posteriormente ganharam repercussão.
A manifestação também provocou reação política. O PSOL informou que acionaria o Ministério Público, alegando possível violação do princípio da laicidade em um evento público.
O que o Ministério Público vai investigar
Segundo o MPSC, a investigação não se limita ao conteúdo das faixas. O órgão também pretende esclarecer como ocorreu a participação da igreja no desfile e se houve algum tipo de análise prévia do material apresentado durante a programação.
A promotora de Justiça Rafaela Mozzaquattro Machado, responsável pela abertura do procedimento, afirmou que a apuração está relacionada à proteção de direitos fundamentais e ao combate à discriminação.
“Diante da ocorrência de fatos relacionados à proteção dos direitos fundamentais e ao combate à discriminação, com potencial repercussão na tutela de interesses difusos e coletivos, determinou-se a evolução para Notícia de Fato”, declarou a promotora.
O Ministério Público estabeleceu prazo de 10 dias para que a Prefeitura de Içara apresente informações sobre a participação da Assembleia de Deus no desfile.
Entre os documentos solicitados estão os registros oficiais do evento, o formulário preenchido pela igreja para participar da programação e informações sobre qual setor ou servidor municipal ficou responsável pelo recebimento e controle da documentação.
Igreja ainda não se manifestou
A repercussão do caso ocorre em meio ao debate sobre os limites da manifestação religiosa em eventos promovidos pelo poder público.
A Prefeitura de Içara foi questionada sobre a utilização do espaço público e sobre eventual financiamento relacionado à participação da igreja. Até a publicação das informações consultadas, não havia manifestação da administração municipal sobre esses pontos. A direção da Assembleia de Deus de Içara também informou que não comentaria o episódio naquele momento.
A investigação do MPSC ainda está em fase inicial. Portanto, a abertura da Notícia de Fato não representa uma conclusão sobre a existência de discriminação ou de qualquer irregularidade, mas o início de uma apuração para esclarecer as circunstâncias do episódio.
Jane “Cissie” Graham Lynch, filha de Franklin Graham e neta do evangelista Billy Graham. (Foto: Reprodução/BGEA)
Jane “Cissie” Graham Lynch, filha de Franklin Graham e neta do evangelista Billy Graham, foi indicada para representar os Estados Unidos na promoção da liberdade religiosa no exterior; nome ainda precisa ser confirmado pelo Senado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou Jane “Cissie” Graham Lynch para ocupar o cargo de embaixadora-geral dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional. A indicação foi encaminhada ao Senado americano em 14 de setembro, e a confirmação pelos senadores ainda é necessária para que ela assuma oficialmente a função.
Cissie Lynch é filha do evangelista Franklin Graham e neta de Billy Graham. Ela possui atuação ligada a organizações fundadas ou lideradas por sua família, incluindo a Billy Graham Evangelistic Association e a Samaritan’s Purse, além de já ter participado do Conselho Consultivo Evangélico Executivo do Conselho de Fé de Trump durante o primeiro mandato do presidente.
Pedido de oração
Ao anunciar a indicação, Lynch afirmou que recebeu o convite de Trump para exercer a função e destacou que considera a possibilidade de assumir o posto uma honra.
“O presidente Donald J. Trump me convidou para servir como Embaixador Itinerante dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional. Seria uma grande honra e um privilégio aceitar o cargo.”, declarou.
Ela também pediu orações caso sua indicação seja aprovada pelo Senado:
“Se confirmado pelo Senado, peço que orem para que eu sirva com excelência e aproveite ao máximo cada oportunidade para proteger nosso direito mais precioso e fundamental — e um direito que muitas pessoas ao redor do mundo ainda não desfrutam — a liberdade religiosa.”
A função está relacionada à atuação diplomática dos Estados Unidos na defesa da liberdade religiosa em outros países. O embaixador-geral atua como principal assessor do presidente e do secretário de Estado em assuntos relacionados à liberdade religiosa no exterior.
Cargo estava sem titular desde 2025
A posição estava sem um titular confirmado desde janeiro de 2025. Durante o período, Isaac Six exerceu a função em caráter interino. Antes disso, o governo Trump havia indicado Mark Walker para o posto, mas a indicação não avançou no Senado e acabou expirando no Congresso.
O cargo de embaixador-geral para a Liberdade Religiosa Internacional foi criado a partir da International Religious Freedom Act de 1998. A posição tem entre suas atribuições representar diplomaticamente os Estados Unidos em questões relacionadas à liberdade religiosa e auxiliar na formulação da política externa americana sobre o tema.
Franklin Graham reage à indicação
Franklin Graham também se manifestou sobre a escolha da filha. O evangelista afirmou que Cissie possui experiência internacional e acompanha o tema da liberdade religiosa há anos.
“Cissie é excepcionalmente qualificada para isso — ela viajou pelo mundo e estuda esse assunto há muitos anos.”, escreveu Graham.
Ele acrescentou que ela possui conhecimento sobre os desafios relacionados à liberdade religiosa e pediu que os cristãos orem por ela.
“Não poderia estar mais orgulhoso dela, e peço que orem para que Deus lhe dê sabedoria e força.”
A indicação também recebeu manifestação favorável de David Trimble, presidente do Religious Freedom Institute. Segundo ele, a perseguição religiosa continua sendo um problema internacional e o cargo possui importância na política externa dos Estados Unidos.
Agora, Jane “Cissie” Graham Lynch aguarda a análise e eventual confirmação do Senado americano para assumir oficialmente a função.
Folha Gospel com informações de Billy Graham Evangelistic Associatione Catholic Herald
Conferência Geral de 2026 na África do Sul. (Foto: Facebook/The Global Methodist Church).
A Igreja Metodista Global apresentou um crescimento expressivo de 54% nos últimos dois anos. O dado foi divulgado durante a sua Conferência Geral de 2026, realizada em Joanesburgo, na África do Sul, consolidando a expansão da denominação conservadora ao redor do mundo.
Desde a sua fundação em 2022, quando se separou da Igreja Metodista Unida (UMC) devido a divergências sobre doutrinas teológicas liberais e a questão da inclusão LGBT, a denominação tem visto um aumento constante em sua base. Atualmente, a instituição conta com 7.250 congregações, superando as 4.700 registradas em 2024.
Expansão e força no sul global
O crescimento não se limita apenas ao número de igrejas. A estrutura administrativa da denominação também se fortaleceu, passando de 34 para 50 confederações regionais no mesmo período. Esse avanço reflete uma expansão significativa da presença metodista conservadora na África, Américas e Ásia.
Durante o evento em Joanesburgo, que reuniu mais de 1.100 participantes, incluindo bispos e delegados, foram tomadas decisões importantes para o futuro da organização, como:
Aprovação dos Artigos de Fé;
Consagração de bispos em tempo integral;
Votação de mais de 451 petições;
Assinatura de uma parceria com a Igreja Metodista Coreana.
Analistas apontam que o centro de gravidade do metodismo conservador deslocou-se para o Sul Global, região onde a denominação apresenta suas taxas de crescimento mais aceleradas.
O cenário de transição da metodologia unida
O movimento de migração de membros e congregações para a Igreja Metodista Global ocorre em paralelo ao declínio da Igreja Metodista Unida. Relatórios indicam que mais de 1,5 milhão de membros deixaram a UMC desde 2019, motivados pela mudança na postura da denominação em temas como a homossexualidade e a moralidade sexual.
Entre 2022 e 2023, cerca de 7.600 congregações deixaram a estrutura da UMC, o que equivale a aproximadamente um quarto de todas as suas igrejas nos Estados Unidos. A controvérsia interna na UMC, que durou décadas, culminou na remoção oficial de restrições anteriores sobre o adultério e a homossexualidade para líderes e pastores, o que acelerou a busca de fiéis por alternativas que mantivessem a doutrina tradicionalista. Enquanto o cenário global se transforma, a Igreja Metodista Global segue consolidando sua identidade baseada nos pilares teológicos que motivaram sua criação.
Cresce número de suicídio entre jovens. (Foto: Reprodução)
Em 2025, a Argentina registrou 5.209 suicídios, de acordo com o relatório “Quando o suicídio aparece como uma opção na Argentina”, elaborado pelo Observatório de Política Criminal. O índice representa um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior e indica uma taxa de 11,8 casos para cada 100 mil habitantes.
Esse cenário atinge de forma alarmante as gerações mais jovens. Dados de 2024 mostram que 45,3% dos suicídios envolveram pessoas entre 15 e 34 anos de idade, posicionando o ato como a principal causa de morte nessa faixa etária. Diante disso, o Ministério da Saúde argentino destaca que o problema é multifacetado, englobando fatores pessoais, familiares, sociais, culturais e comunitários, o que torna incorreto e estigmatizante reduzi-lo a um único motivo.
Uma abordagem de escuta e participação ativa
Diretrizes propostas pelo UNICEF Argentina demandam uma resposta interdisciplinar e intersetorial de apoio aos jovens. Mais do que analisar as estatísticas isoladamente, especialistas apontam que a prioridade deve ser compreender as relações de escuta construídas ao redor de adolescentes em sofrimento.
O cientista político especializado em educação Gastón Bruno defende que atividades destinadas a adolescentes não podem ser planejadas sem a participação ativa deles. Segundo o especialista, desconsiderar a perspectiva do jovem impede a construção de sentimentos de pertencimento e proximidade real.
Bruno salienta a importância de conhecer de perto os hábitos culturais, formas de entretenimento, interesses por jogos eletrônicos e modos de organização do tempo do público jovem. Ele pontua também que as escolas frequentemente carecem de espaços pequenos e seguros para diálogos e que o trabalho de voluntários em igrejas e organizações exige treinamento contínuo para escutar com respeito, evitar a romantização e reconhecer o momento de encaminhar o caso a um profissional.
A tensão entre pertencimento e exigência de perfeição
Para a psicóloga María Paula Zuccherino, jovens que frequentam comunidades de fé, como as evangélicas, enfrentam tensões específicas. Embora a vivência comunitária seja um fator de proteção, o medo do julgamento, a culpa excessiva e a cobrança interna para projetar uma imagem idealizada dificultam o compartilhamento de dores relacionadas à sexualidade, problemas familiares e conflitos pessoais.
A profissional enfatiza que a comunidade religiosa funciona como uma valiosa rede de suporte, porém jamais substitui o acompanhamento psicoterapêutico clínico. Ela aponta sinais de atenção que exigem aproximação cuidadosa dos adultos:
Isolamento persistente e apatia.
Irritabilidade e mudanças repentinas no comportamento.
Alterações no padrão de sono e na alimentação.
Queda de rendimento escolar e sentimento constante de vazio.
Personalização e diretrizes de acolhimento seguro
De acordo com a educadora Natalia Zukowski, a integração de um jovem ao grupo não deve ser estimada unicamente por sua frequência física a reuniões semanais. Demonstrar interesse real participando de suas atividades esportivas, exposições artísticas ou simplesmente enviando mensagens de apoio contribui diretamente para estabelecer confiança mútua.
Zukowski ressalta que muitos adolescentes aprendem a camuflar seu sofrimento fingindo que tudo está bem. Portanto, a resposta de acolhimento não pode ser moralizadora ou indiscreta, sob o risco de encerrar o diálogo em definitivo.
Após uma tentativa de suicídio ou ocorrência do ato, as recomendações de Zuccherino priorizam a privacidade e o amparo total à família. As diretrizes oficiais argentinas para a comunicação responsável orientam a evitar o sensacionalismo, não apontar culpados diretos e não sugerir o suicídio como uma reação esperada diante das adversidades.
Em casos de risco iminente, é indispensável contatar imediatamente os canais de emergência médica ou conduzir a pessoa ao pronto-socorro mais próximo, garantindo que ela não permaneça desacompanhada sob nenhuma hipótese.
A Aliança Evangélica emitiu um alerta sobre o crescente interesse por práticas espirituais alternativas, como o uso de tarô, cristais, astrologia e a manifestação. Segundo a organização, esses comportamentos não devem ser vistos como inofensivos, sendo necessário que os cristãos respondam a essa curiosidade espiritual com convicção teológica e compaixão.
O cenário atual revela que a curiosidade por temas místicos está cada vez mais presente na cultura popular, desde influências de celebridades até conteúdos disseminados online. Para a organização, esse fenômeno apresenta um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para a evangelização, especialmente em um momento em que as pessoas demonstram maior abertura para entender que a realidade vai além do mundo material.
O desafio da curiosidade espiritual
Por meio da iniciativa Being Human, um novo recurso intitulado “Spiritual Curiosity” foi criado para orientar fiéis que lidam com essas questões. O material aponta que muitas pessoas que buscam o cristianismo hoje trazem consigo bagagens de experiências com o movimento New Age, transformando a natureza das dúvidas sobre a fé. Em vez de questionarem a existência de Deus, o foco mudou para a busca sobre qual Deus seguir.
O guia da Aliança Evangélica detalha uma ampla gama de práticas que estão atraindo atenção, incluindo:
Uso de números dos anjos e astrologia
Práticas de manifestação e karma
Uso de cristais e equilíbrio de chakras
Conteúdos de plataformas digitais focados em bruxaria
Consulta a médiuns e videntes
A posição cristã frente às novas práticas
O recurso alerta que, embora muitas pessoas que participam dessas atividades não se identifiquem explicitamente como praticantes da Nova Era, preferindo se autodenominar apenas como “espirituais”, tais hábitos são considerados perigosos sob uma perspectiva cristã. A orientação é clara: a fé cristã não enxerga o reino espiritual como algo neutro.
A organização enfatiza que a busca por significado, cura e transcendência fora de Deus é uma tentativa humana de preencher um vazio que, na visão bíblica, só pode ser sanado pelo relacionamento com o Criador. De acordo com o guia, o cristianismo exige lealdade total a Jesus, e não é possível conciliar a obediência ao Seu caminho com a adoção de crenças e práticas espirituais que a tradição bíblica considera contrárias à vontade divina.
Em vez de ignorar as dúvidas levantadas por aqueles ao seu redor, a Aliança Evangélica incentiva que os cristãos aproveitem o momento cultural atual para oferecer respostas baseadas em orientações pastorais e práticas. O foco deve permanecer na compreensão de que o ser humano foi criado para um relacionamento com Deus e que, apesar da separação pelo pecado, essa busca por conexão permanece um ponto central na experiência humana.