O eleitorado evangélico, um segmento considerado vital para as disputas presidenciais em 2026, tem demonstrado uma mudança notável em suas preferências políticas. Após a repercussão do chamado caso “BolsoMaster”, que envolve o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, o apoio ao parlamentar entre os cristãos sofreu uma queda expressiva.
Dados recentes da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revelam que Flávio Bolsonaro perdeu mais de 14 pontos percentuais entre os eleitores evangélicos desde março deste ano. Essa diminuição é um indicativo de como as revelações sobre as negociações ligadas ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e supostos diálogos atribuídos ao senador podem ter impactado a imagem do político.
Recuo acentuado entre evangélicos
Em março, Flávio Bolsonaro contava com o apoio de 65,4% dos evangélicos, uma margem considerável em relação aos 14% de Luiz Inácio Lula da Silva nesse mesmo grupo. Um mês depois, em abril, essa diferença começou a diminuir, com 58,6% declarando voto no senador contra 23,7% do presidente.
A pesquisa mais recente, divulgada após as revelações sobre Daniel Vorcaro, aponta um cenário ainda mais desafiador para Flávio Bolsonaro. Ele agora aparece com 50,9% das intenções de voto entre os evangélicos, enquanto Lula subiu para 25%. O recuo total do senador neste segmento religioso chega a mais de 14 pontos percentuais em comparação com os dados de março.
Impacto também no eleitorado católico
A crise parece ter afetado também o eleitorado católico. Em março, Flávio Bolsonaro registrava 35,2% das intenções de voto entre os católicos, com Lula liderando com 54,2%. Em abril, o senador apresentou uma leve alta para 38,1%, enquanto o presidente caiu para 51,5%.
No entanto, com o avanço das informações sobre o caso envolvendo o banqueiro do Banco Master, o quadro se reverteu novamente. A pesquisa mais recente indica que Flávio Bolsonaro tem agora 31,5% das intenções de voto entre os católicos, enquanto Lula voltou a crescer e alcançou 52,2%. Essa deterioração dos números para o senador em ambos os segmentos religiosos corrobora a avaliação de que o desgaste atingiu especialmente eleitores conservadores, que tendem a valorizar temas como ética e coerência moral.
Cenário político e rejeição a Lula
Apesar da queda de Flávio Bolsonaro entre os religiosos, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg também destaca que o governo Lula ainda enfrenta uma rejeição considerável no eleitorado geral. Atualmente, 51,3% dos brasileiros desaprovam a gestão federal, contra 47,4% que aprovam. A avaliação negativa, classificada como “ruim ou péssima”, atingiu 48,4% dos entrevistados.
Apesar desses números, houve uma leve melhora em comparação com a rodada anterior da pesquisa, com a desaprovação caindo 1,2 ponto percentual e a aprovação subindo 0,6 ponto. Em projeções para um segundo turno em 2026, a pesquisa aponta Lula com 48,9% das intenções de voto contra 41,8% de Flávio Bolsonaro, revertendo o empate técnico observado em pesquisas anteriores. A pesquisa ouviu 5.032 brasileiros entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
As igrejas evangélicas continuam sendo um palco importante de disputa política no Brasil, especialmente após o fortalecimento da influência conservadora nos últimos anos. A perda de apoio de Flávio Bolsonaro nesse segmento, portanto, representa um desafio significativo para suas aspirações eleitorais futuras.
Folha Gospel com informações de Comunhão

