Flávio Bolsonaro participa da Marcha para Jesus 2026 em São Paulo (Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro participa da Marcha para Jesus 2026 em São Paulo (Foto: Reprodução)

A participação de políticos na Marcha para Jesus deste ano gerou reações majoritariamente negativas entre usuários de redes sociais, aponta levantamento da Ativaweb DataLab. A análise de mais de 17 milhões de manifestações nas primeiras 20 horas após o evento em São Paulo revelou um crescimento nas críticas à ligação entre religião e política.

Pesquisadores identificaram que a principal corrente de pensamento nas plataformas digitais foi a rejeição à mistura de fé e disputas eleitorais. Apesar de a Marcha para Jesus ser tradicionalmente uma manifestação de cunho religioso, grande parte das discussões online focou na presença de autoridades e pré-candidatos para 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentrou o maior volume de menções negativas, atingindo 51,9% do total, segundo os dados divulgados pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Uma das frases que sintetizou o sentimento de desaprovação foi o questionamento “Marcha para Jesus ou Marcha para Bolsonaro?”, que circulou em diversas postagens. O questionamento criticava o protagonismo político em um evento originalmente dedicado à celebração religiosa. A análise sugere que uma parcela considerável do público expressou desconforto com o uso de discursos religiosos em contexto de campanha eleitoral.

Para os responsáveis pela pesquisa, o debate evidenciou que parte do público evangélico e frequentadores de redes sociais passou a debater abertamente os limites entre crença e atuação político-partidária. Flávio Bolsonaro não apenas teve a maior exposição digital, mas também o maior índice de rejeição. Parte dessa repercussão negativa está ligada a declarações do senador no evento, como a afirmação sobre uma “guerra espiritual” e a expulsão do mal do governo.

Em contrapartida, o advogado-geral da União, Jorge Messias, obteve um desempenho positivo nas redes sociais, com 48,6% de menções favoráveis e apenas 15,6% negativas. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, registrou o melhor índice entre os monitorados, com 52,1% de referências positivas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manteve uma posição considerada estável, sem grandes picos de aprovação ou rejeição, preservando uma imagem menos polarizada.

Outro ponto destacado pela Ativaweb DataLab foi a repercussão da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marcha para Jesus. Parte dos usuários interpretou a decisão como um sinal de respeito ao princípio do Estado laico, avaliando-a positivamente. A pesquisa conclui que o levantamento aponta para uma mudança no debate público envolvendo o segmento evangélico, indicando que a população conectada está discutindo mais ativamente os limites entre religião e política, um tema que deve seguir central nas discussões à medida que o país se aproxima do próximo ciclo eleitoral.

Com informações de Comunhão e Folha de S.Paulo

Comentários