Pastor batista Nihad Hassan, libertado após detenção na Síria.
Pastor Nihad Hassan | Cortesia CSW

O pastor batista curdo Nihad Hassan foi libertado pelas autoridades sírias após passar duas semanas sob custódia no país. A detenção ocorreu devido a publicações em sua conta pessoal no Facebook consideradas ofensivas ao Islã e ao profeta Maomé, realizadas enquanto ele visitava familiares na região de Afrin, na Síria.

Após sua libertação, ocorrida em 3 de agosto, o líder religioso, que atua em uma congregação de língua curda no vizinho Líbano, foi aconselhado pelas próprias autoridades locais a retornar ao território libanês para garantir sua integridade física. A organização de direitos humanos Christian Solidarity Worldwide (CSW) celebrou a soltura, mas manifestou forte preocupação com as circunstâncias da prisão preventiva sem acusações formais.

O contexto da detenção e o retorno ao Líbano

Nihad Hassan, que tem origem islâmica e é conhecido por defender e dar visibilidade à situação dos curdos na Síria, permaneceu preso sem acusações formais entre os dias 20 de julho e 3 de agosto. O pastor seguiu a recomendação das forças de segurança sírias e já retornou ao Líbano, onde reside e lidera sua congregação.

A prisão do pastor mobilizou entidades internacionais. Mervyn Thomas, fundador e presidente da CSW, expressou alívio pelo reencontro de Hassan com sua família, mas fez um apelo crítico ao governo de transição da Síria para que encerre o uso de prisões e detenções arbitrárias nas áreas sob seu controle.

Thomas também incentivou líderes religiosos de diferentes credos a se unirem contra o sectarismo, promovendo ativamente a paz, a justiça e a reconciliação entre as comunidades locais.

A instabilidade política e a situação dos cristãos na Síria

A detenção do pastor ocorre em um cenário de extrema instabilidade na Síria. Desde a queda do governo de Bashar al-Assad, no final de 2024, o país vive um período de paz frágil, marcado pelo receio das comunidades cristãs em relação ao grupo islâmico que liderou a deposição do antigo regime. Mais de uma década de guerra civil e a presença de facções armadas com interesses étnicos e religiosos distintos dificultam a consolidação da ordem pública.

A violência continuou a se manifestar no país por meio de diversos episódios graves:

  • Em março de 2025, centenas de alauítas foram massacrados por um grupo armado.
  • Em julho de 2025, confrontos violentos eclodiram entre drusos e beduínos na região de Suwayda.
  • No fim de 2025, combates foram registrados entre forças do governo e curdos em Aleppo, logo após a realização das primeiras eleições parlamentares pós-transição.

Recentemente, a pressão sobre as minorias religiosas continuou a crescer. Na cidade de Saydnaya, os cristãos receberam ordens para restringir suas atividades religiosas exclusivamente ao interior dos templos. Líderes de igrejas locais acusam as forças de segurança de visar cidadãos cristãos deliberadamente com longas retenções em postos de controle, enquanto outras fontes apontam que os serviços de inteligência buscam indivíduos cristãos suspeitos de ligação com atrocidades cometidas durante o regime de Assad.

O apelo por justiça e transparência nas relações comunitárias

Diante da complexidade que envolve a convivência entre diferentes grupos étnicos e religiosos na Síria pós-Assad, a defesa de garantias fundamentais tornou-se ainda mais urgente. A liderança da CSW reforçou a necessidade de que o governo provisório trate as questões de relacionamento entre as comunidades com total transparência e estrita observância das leis vigentes.

O caso do pastor Nihad Hassan expõe a vulnerabilidade de minorias em áreas de transição política e sublinha os desafios para estabelecer um ambiente seguro e de coexistência pacífica em território sírio.

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