Corpo da cristã Saba Mehboob, morta por muçulmano no Paquistão. (Foto: Reprodução)
Corpo da cristã Saba Mehboob, morta por muçulmano no Paquistão. (Foto: Reprodução)

Saba Mehboob foi executada a tiros dentro de sua própria residência em Rawalpindi após recusar investidas amorosas e de sofrer ameaças constantes

Uma jovem cristã de 21 anos foi assassinada a tiros dentro de sua própria residência em Dhoke Ratta, Rawalpindi, na quinta-feira, 3, após recusar as investidas amorosas de um vizinho muçulmano. O crime violento contra Saba Mehboob evidencia o sentimento de impunidade que cerca os ataques a minorias religiosas no Paquistão.

O irmão de Saba, Joshua Mehboob, relatou que o agressor invadiu a residência portando uma arma de fogo por volta das 21h. O suspeito agrediu a jovem antes de efetuar o disparo fatal em sua testa. Toda a ação ocorreu na presença de familiares da vítima, incluindo seu meio-irmão de 16 anos, Anoosh.

Após a execução, Butt levou o adolescente sob ameaça de morte a uma residência pertencente ao seu cunhado, onde outros indivíduos estavam reunidos. Sob coação física e psicológica, o menor foi pressionado a assumir a autoria do assassinato de sua irmã, sendo libertado apenas no final da tarde de sexta-feira (4 de setembro de 2026), após um acordo informal em que a família se comprometeu a não registrar queixa na polícia.

Apesar das ameaças de morte direcionadas ao pai da vítima e a outros parentes, a família buscou as autoridades no hospital onde o corpo de Saba estava sendo liberado. Policiais registraram o caso e colocaram o jovem e seu pai sob custódia protetiva. Contudo, o suspeito conseguiu obter fiança preventiva na justiça e permanece em liberdade.

O irmão da vítima descreveu os momentos que antecederam o disparo fatal, com base no relato do sobrevivente.

“De acordo com Anoosh, ele e seus tios paternos, Michael e Nomi, estavam em um quarto quando Butt entrou de repente com Saba, insultando-a em voz alta.”

O suspeito forçou a saída dos familiares sob a mira da arma antes de cometer a agressão física direta.

“Ele apontou a pistola para Michael e Nomi e ordenou que saíssem. Em seguida, deu vários tapas em Saba enquanto gritava que ela o havia desonrado e sido desleal com ele.”

O irmão de Saba relembrou os episódios anteriores de assédio que ela enfrentava na vizinhança.

“Acho que a rejeição de Saba alimentou a raiva dele, levando-o a assassiná-la.”

Revolta local e pressão policial

A tragédia motivou protestos em Dhoke Ratta, mobilizando moradores cristãos e muçulmanos em um clamor conjunto pela prisão de Butt. A comunidade exige que o inquérito saia da delegacia local e seja assumido por uma autoridade policial de escalão superior.

Existem preocupações por parte dos familiares de que as autoridades estejam induzindo o adolescente de 16 anos a assumir a autoria do crime para livrar o agressor.

O jornalista local Tariq Chaman detalhou a versão apresentada pelas forças de segurança sobre a permanência do menor e do pai na delegacia.

“A polícia negou as acusações e disse que o adolescente está sendo mantido sob custódia para sua proteção. Seu pai também foi mantido com ele porque o menino é menor.”

O profissional de imprensa alertou ainda para o risco de interferências externas na elucidação do homicídio.

“Fontes locais afirmaram que Butt e sua família possuem histórico criminal, e é possível que a família da vítima acabe cedendo à pressão em algum momento.”

Vulnerabilidade sistemática no Paquistão

Organizações de direitos humanos destacam que minorias religiosas no Paquistão sofrem com agressões constantes, violência sexual e conversões forçadas, enfrentando frequentemente intimidação para encerrar disputas judiciais de forma extraoficial. Saba Mehboob havia se divorciado de seu antigo companheiro devido à dependência química dele e residia com a mãe e suas duas filhas pequenas.

A Lista Mundial da Perseguição 2026 elaborado pela organização Portas Abertas, o Paquistão ocupa a oitava posição entre as nações mais perigosas para os cristãos. A entidade aponta que a fragilidade na aplicação das leis e a discriminação sistêmica ampliam drasticamente os riscos para essa população.

Folha Gospel com informações de Christian daily

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