Trump e Xi Jinping durante a cerimônia de boas-vindas ao presidente chinês na Joint Base Andrews, em Maryland, nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026. (Foto: Senior Airman Gabriel Jones/U.S. Air Force).
Trump e Xi Jinping durante a cerimônia de boas-vindas ao presidente chinês na Joint Base Andrews, em Maryland, nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026. (Foto: Senior Airman Gabriel Jones/U.S. Air Force).

Apelo ocorre durante visita do presidente chinês aos Estados Unidos e inclui casos de pastores e líderes de igrejas que permanecem detidos

A visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos colocou novamente a situação dos cristãos perseguidos na China no centro das discussões sobre liberdade religiosa. Um grupo bipartidário de dez senadores americanos enviou uma carta ao presidente Donald Trump pedindo que ele trate diretamente do tema durante os encontros com o líder chinês em Washington.

A iniciativa foi liderada pelos senadores Ted Budd, republicano da Carolina do Norte, e Tim Kaine, democrata da Virgínia. Outros oito parlamentares também assinaram o documento: Chuck Grassley, Jeff Merkley, Roger Wicker, Peter Welch, Katie Britt, Tim Scott, James Lankford e Ted Cruz.

Na carta, os senadores pediram que Trump mantenha a liberdade religiosa entre os assuntos discutidos com Xi e solicite o fim da perseguição a grupos religiosos na China. O documento também pede a libertação de pessoas que, segundo os parlamentares, estão presas injustamente por exercerem sua fé e que os detidos que ainda permanecem encarcerados recebam tratamento humano.

“O governo dos Estados Unidos deve continuar promovendo a liberdade religiosa internacional, pedindo ao governo da República Popular da China que ponha fim ao assédio e à perseguição de membros de organizações religiosas”.

Casos de pastores foram apresentados a Trump

Entre os casos destacados pelos parlamentares estão os do pastor Gao Quanfu e sua esposa, Pang Yu, além do pastor Tang Bingyi, ligados à Light of Zion Church, em Xi’an.

Os senadores também pediram atenção aos oito líderes da Igreja Zion, em Pequim, que permanecem detidos: Gao Yingjia, Wang Lin, Yin Huibin, Wang Zhong, Wang Cong, Liu Zhenbin, Lin Shucheng e Wu Qiuyu.

A situação do grupo ganhou destaque depois que o pastor Ezra Jin, fundador da Igreja Zion, foi libertado após permanecer 266 dias detido. Ele chegou aos Estados Unidos em 3 de julho. Os senadores atribuíram a Trump um papel importante na negociação que resultou na libertação do pastor após conversas anteriores com Xi.

Para os parlamentares, entretanto, a libertação de Jin não encerra a questão. A carta solicita que os demais cristãos presos continuem sendo mencionados nas conversas entre os governos americano e chinês.

Outros grupos religiosos também foram citados

Embora os cristãos estejam entre os principais casos apresentados, o documento não trata exclusivamente do cristianismo. Os senadores também mencionaram a situação de outras comunidades religiosas e étnicas, incluindo budistas tibetanos, muçulmanos uigures e praticantes do Falun Gong.

O pedido ocorre em meio à visita de Estado de Xi aos Estados Unidos, sua primeira visita formal ao país desde 2015. O presidente chinês se reuniu com Trump em Washington em meio a negociações e divergências entre os dois países envolvendo comércio, Taiwan, Irã, direitos humanos e outras questões.

ChinaAid também pede ajuda para pastor com câncer

A mobilização em defesa dos cristãos chineses ganhou outra frente durante a visita de Xi. A organização ChinaAid pediu que Trump interceda pelo pastor John Cao, também conhecido como Cao Sanqiang.

Aos 67 anos, Cao é residente permanente dos Estados Unidos e cumpriu sete anos de prisão na China por seu trabalho missionário e humanitário junto a comunidades pobres na fronteira entre China e Mianmar. Ele foi libertado em março de 2024, mas continua impedido de deixar o território chinês porque as autoridades não devolveram seu passaporte.

A situação se tornou mais urgente porque o pastor enfrenta câncer de próstata em estágio 4, com metástase para os ossos e a coluna. Depois de passar por quimioterapia e radioterapia, ele deseja retornar aos Estados Unidos, onde vivem sua esposa e seus dois filhos.

“Gostaria que todas as pessoas que amam a paz me ajudassem a voltar para minha família”, declarou Cao.

Petição foi levada à Embaixada da China

Na quarta-feira (23), o pastor Bob Fu, fundador e presidente da ChinaAid, foi à Embaixada da China em Washington para tentar entregar uma petição em favor de Cao. O documento reúne assinaturas de pessoas que pedem que o pastor receba de volta seu passaporte e possa viajar aos Estados Unidos para continuar o tratamento médico e reencontrar a família.

Segundo Fu, também foi preparada uma carta destinada a Xi Jinping com um apelo para que as autoridades chinesas permitam o retorno do pastor aos Estados Unidos. Como não conseguiu entregar pessoalmente o material, a organização também encaminhou a petição por serviço de entrega e levou o pedido à Casa Branca.

Fu classificou o caso como uma questão que ultrapassa a discussão sobre liberdade religiosa.

“Isso não é mais simplesmente um caso de liberdade religiosa ou direitos humanos – é um apelo humanitário urgente”.

A mobilização de senadores americanos e de organizações cristãs ocorre, portanto, em um momento de atenção internacional à situação das comunidades religiosas na China. Enquanto os parlamentares pedem que Trump leve casos específicos de cristãos presos à conversa com Xi, a ChinaAid tenta aproveitar a presença do presidente chinês em Washington para buscar a liberação de Cao, que enfrenta uma doença grave longe da família.

Folha Gospel com informações de The Christian Post e Guia-me

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