Hafiz Muhammad Tahir Mehmood Ashrafi, retratado ao lado de sua esposa, recebendo a homenagem da Arcebispa de Canterbury no 25º aniversário do 11 de setembro de 2026. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Hafiz Muhammad Tahir Mehmood Ashrafi, retratado ao lado de sua esposa, recebendo a homenagem da Arcebispa de Canterbury no 25º aniversário do 11 de setembro de 2026. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Críticas à gestão da arcebispa de Canterbury ganham força após a entrega de um prêmio a um clérigo que já elogiou Osama bin Laden

Uma petição online que exige a renúncia da arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, ultrapassou a marca de 3.700 assinaturas. O movimento ganhou tração após a líder da Igreja da Inglaterra conceder o Prêmio Hubert Walter de Reconciliação e Cooperação Inter-religiosa ao clérigo Hafiz Muhammad Tahir Mehmood Ashrafi no dia 11 de setembro de 2026, data que marcou o 25º aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro.

A escolha do premiado gerou indignação devido ao histórico do clérigo, que em 2007 teria se referido a Osama bin Laden com um título de honra islâmico, algo interpretado por críticos como um endosso ao mentor dos ataques. Embora o representante de Ashrafi conteste a interpretação de suas declarações passadas, a Igreja da Inglaterra decidiu retirar o prêmio cerca de uma semana após a entrega.

Questionamentos sobre diligência e falhas de proteção

A criadora da petição, Emma Ash, sustenta que o episódio expõe lacunas profundas nos processos de avaliação e responsabilidade institucional. Segundo a organizadora, a controvérsia sobre a premiação se soma a uma série de preocupações preexistentes em relação à gestão da arcebispa, especialmente no que diz respeito ao tratamento de denúncias de abuso e falhas de salvaguarda durante o período em que ela atuou como bispa de Londres.

O documento cita casos específicos que teriam ocorrido sob sua liderança anterior, incluindo o contexto da morte do padre Alan Griffin, em 2020. Griffin foi alvo de investigações internas mesmo sem acusações formais, um processo descrito por apoiadores como o resultado de alegações falsas de natureza sexual que culminaram em sofrimento prolongado.

A petição destaca o relato de Michelle Burns, ex-membro da equipe de salvaguarda da Diocese de Londres, sobre os danos causados por falhas estruturais. “Mais pessoas morrerão. Mais pessoas ficarão doentes. E eles já estão com sangue em suas mãos”, pontuou a peticionária ao manifestar a insatisfação com a condução dos casos pela alta hierarquia da igreja.

O abaixo-assinado reforça que a autoridade moral exigida pelo cargo foi seriamente comprometida. A expectativa dos signatários é que o comando da instituição enfrente um escrutínio maior sobre como as denúncias de sobreviventes e os erros institucionais são tratados pela liderança atual da Igreja da Inglaterra.

Comentários