Prisioneiros armênios enfrentam isolamento absoluto e restrições severas a práticas religiosas sob custódia das autoridades do Azerbaijão
Detidos desde a operação militar de setembro de 2023, que culminou na tomada de Nagorno-Karabakh, cerca de 20 armênios vivem em condições de isolamento, sem acesso a familiares, médicos independentes ou observadores humanitários internacionais. Representantes jurídicos denunciam que o contato externo é limitado a chamadas telefônicas monitoradas, as quais podem ser interrompidas arbitrariamente.
As alegações de violações incluem maus-tratos físicos e perseguição religiosa. Em relatos documentados por defensores de direitos humanos, surgiram denúncias de que prisioneiros cristãos foram proibidos de acessar a Bíblia, sendo forçados a ler o Alcorão. Em um dos episódios relatados, a remoção de uma tatuagem em formato de cruz teria sido realizada através de queimaduras, ato classificado pela defesa como tortura.
Dificuldades no acompanhamento médico e judicial
A advogada Siranush Sahakian, que representa os detidos perante o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, apontou falhas graves na assistência à saúde dos prisioneiros. “Não há contato físico com o mundo exterior”. A assistência médica seria restrita ao alívio de sintomas agudos, sem protocolos adequados para doenças preexistentes ou prevenção de agravamentos clínicos.
Entre os encarcerados está o empresário Ruben Vardanyan, ex-ministro de Estado da região, sentenciado a 20 anos de prisão após julgamento em tribunal militar. Defesas e organizações internacionais, como a Anistia Internacional, questionam a legitimidade dos processos, citando audiências fechadas, uso de evidências em idiomas não compreendidos pelos réus e traduções insuficientes.
Impacto do conflito de Nagorno-Karabakh
O cenário reflete as consequências prolongadas do êxodo de aproximadamente 100 mil armênios da região após a ofensiva azeri. Embora as autoridades do Azerbaijão neguem as acusações de discriminação religiosa e maus-tratos, a ausência de monitoramento independente por organismos como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha impede a verificação da integridade física dos detidos. A comunidade internacional enfrenta agora a pressão por investigações imparciais que garantam o respeito aos direitos humanos e o devido processo legal para os envolvidos.
Folha Gospel com informações de ICC







