A onda de violência promovida por pastores Fulani na região de Mangu resulta em assassinatos e destruição sistemática de propriedades no país africano
A escalada de violência na região de Mangu, no estado de Plateau, na Nigéria, resultou na morte de mais de 30 cristãos no último mês, em ações atribuídas a extremistas Fulani. Os incidentes mais recentes ocorreram no sábado, 5 de setembro, deixando três mortos nos vilarejos de Fungtim e Kinat, além de outros ataques registrados nos dias anteriores que vitimaram dezenas de moradores locais, conforme informações apuradas pelo Christian Daily International-Morning Star News.
O morador da área Leo Lawrence descreveu o ataque do último sábado.
“Um cristão foi morto na comunidade de Fungtim, enquanto outros dois cristãos foram mortos na comunidade de Kinat. No total, três cristãos foram mortos por suspeitos de terrorismo Fulani nestes ataques.”
Dias antes, na quinta-feira, 3 de setembro, duas mortes adicionais foram registradas nas aldeias de Kinat e Kop-Naanle. O líder comunitário Tubwot Sunday relatou o ocorrido.
“Dois cristãos foram mortos em ataques separados por militantes Fulani em dois vilarejos cristãos. O senhor Bulus Danladi, de 78 anos, foi morto no vilarejo de Kop-Naanle, enquanto o senhor Kwopnaan Lot Yunana, de 33 anos, foi morto no vilarejo de Kinat.”
O massacre no vilarejo de Bin-Per
No dia 18 de agosto, uma ofensiva durante a madrugada na comunidade de Bin-Per resultou no assassinato de 25 cristãos. O residente Nelson Dogara enviou uma mensagem descrevendo o cenário devastador.
“O vilarejo de Bin-per está sangrando, pois pastores muçulmanos Fulani mataram 25 cristãos em um ataque noturno.”
O porta-voz do Conselho do Governo Local de Mangu, Jeremiah Dakahap, confirmou as mortes e expressou o pesar da liderança local.
“Ainda estamos de luto pelo trágico assassinato de 25 cristãos no vilarejo de Bin-Per, na área do governo local de Mangu. O presidente do conselho do governo local de Mangu, Emmanuel Bala Mwolpun, está entristecido com o assassinato de 25 cristãos por Fulani nas primeiras horas de terça-feira, 18 de agosto.”
O morador Daniel Musa acrescentou detalhes sobre o perfil das vítimas e o rastro de destruição física deixado pelos invasores, que incendiaram residências e devastaram plantações.
“A maioria das vítimas eram mulheres e crianças. Os mortos foram enterrados no mesmo dia em uma vala comum, enquanto as vítimas feridas foram levadas para instalações públicas de saúde para atendimento médico na cidade de Jos.”
Tensões e mortes envolvendo forças de segurança
A crise na região também envolve a atuação de militares. Em Sabon Layi, no dia 18 de agosto, um manifestante que protestava contra a violência foi baleado e morto por soldados. Em outro episódio semelhante, no dia 15 de agosto, Fwangshak Dawuk foi morto por soldados em Jakatai enquanto patrulhava a área para proteger sua comunidade.
O líder comunitário Jonathan Yusuf refutou as acusações oficiais sobre a vítima durante o funeral de Dawuk.
“Lamentamos a morte de Fwangshak com profunda dor, mas também usamos esta ocasião solene para renovar nosso apelo por justiça, responsabilidade e ação governamental imediata. As circunstâncias que cercam a morte de Fwangshak Dawuk, particularmente relatórios alegando que ele era um miliciano, são completamente falsas. Fwangshak foi morto enquanto desempenhava suas responsabilidades de vigilância comunitária.”
Yusuf também cobrou investigações independentes sobre a atuação do exército.
“As forças armadas existem para proteger os cidadãos e, sempre que surgem alegações relativas ao assassinato ilegal de um civil, o público merece saber a verdade.”
Além disso, ele informou que um jovem de 20 anos, Moses Emmanuel Panse, foi assassinado por Fulanis em 12 de agosto, no vilarejo de Murish, e que 38 casas foram incendiadas em Jwak Maitumbi. O líder frisou que as perdas representam uma ameaça direta à subsistência alimentar das famílias.
“Não podemos continuar a enterrar nossos membros da comunidade enquanto os perpetradores permanecem não identificados, não detidos e não processados.”
Resposta oficial e cenário de perseguição religiosa
O porta-voz do comando da polícia estadual, Alfred Alabo, comunicou que alguns dos agressores que atuavam na área de Mangu foram detidos pelas autoridades. O governador do estado de Plateau, Caleb Mutfwang, visitou os locais afetados, condenando veementemente as ações violentas e prometendo defender o território das comunidades.
“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que vocês permaneçam em suas terras. Ninguém irá se apoderar das suas terras.”
A Nigéria desponta como o país com o maior número de cristãos assassinados por sua fé no mundo, de acordo com dados do relatório Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas. Entre 1 de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, o país registrou 3.490 das 4.849 mortes globais de cristãos, o equivalente a 72% do total. A nação ocupa a sétima posição entre os países mais difíceis para a prática do cristianismo.
Lideranças religiosas apontam que os ataques na região do Cinturão Médio da Nigéria são motivados pela tentativa de expropriação de terras e imposição do Islã, agravada pela desertificação que dificulta a manutenção dos rebanhos dos pastores nômades. Relatórios de direitos humanos britânicos apontam que grupos extremistas Fulani utilizam estratégias semelhantes às de organizações como Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), alvejando símbolos da identidade cristã. A violência também se expandiu para o sul e o noroeste do país, com o surgimento do grupo terrorista Lakurawa, aliado da rede Al-Qaeda.







