Jocilerne Oliveira foi vítima de feminicídio no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução)
Jocilerne Oliveira foi vítima de feminicídio no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução)

Crime ocorre durante culto no Rio de Janeiro e levanta debate sobre a violência doméstica no ambiente religioso

Uma mulher de 49 anos foi assassinada com um tiro na cabeça na última sexta-feira (25) enquanto participava de um culto em uma igreja Assembleia de Deus, localizada no bairro Três Irmãos, em Cambuci, Rio de Janeiro. A vítima, identificada como Jocilerne Oliveira, possuía uma medida protetiva vigente contra o autor dos disparos, seu ex-companheiro.

O suspeito, cuja identidade não foi revelada pelas autoridades, invadiu o templo e cometeu o crime. Após o ataque, agentes do 36º BPM, sediado em Santo Antônio de Pàdua, iniciaram diligências e interceptaram o homem na cidade vizinha de Aperibé, enquanto ele conduzia uma motocicleta. O acusado foi autuado em flagrante por feminicídio e o processo seguiu para análise da Justiça.

Cenário de violência contra a mulher

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam uma oscilação nos indicadores de gênero no estado do Rio de Janeiro durante o primeiro trimestre de 2026. Embora as tentativas de feminicídio tenham registrado uma alta de 10,2%, totalizando 97 ocorrências, os casos consumados apresentaram uma redução de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O fenômeno da violência contra a mulher também atinge comunidades religiosas. Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 42,7% das mulheres evangélicas já enfrentaram algum tipo de agressão doméstica ao longo de suas vidas. O levantamento destaca que, muitas vezes, a busca por auxílio é limitada por barreiras internas.

A mulher é desestimulada a fazer a denúncia, a sair do relacionamento, justamente por causa da sacralidade do matrimônio. Ela é aconselhada a outras coisas, como a resignação e a oração para que o agressor mude seu comportamento. São conselhos que apenas fazem com que a mulher siga na situação de violência.

A pesquisadora Isabella Matosinhos alerta que a postura passiva de algumas lideranças contribui para a manutenção desses ciclos de abuso, embora o estudo revele que 6% das vítimas busquem suporte direto nas igrejas. Atualmente, quase metade das mulheres vítimas de violência grave opta por não registrar denúncias oficiais, mantendo a vulnerabilidade dessas vítimas em níveis críticos.

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