Vítima de 52 anos sobreviveu ao ataque violento no distrito de Iganga e precisou ser hospitalizada antes de buscar refúgio em uma aldeia vizinha
Um homem de 52 anos foi gravemente agredido pelos próprios filhos após decidir abandonar o islamismo para seguir a fé cristã no distrito de Iganga, em Uganda. Kibirige Abumusa precisou de atendimento médico hospitalar e se encontra escondido devido a ameaças contínuas de morte realizadas por seus familiares, segundo informações apuradas pelo Morning Star News.
Abumusa residia em Jinja, onde frequentava uma mesquita local, até ser convidado por um colega de trabalho para um evento evangelístico da igreja True Worship Centre. Após participar de três dias de reuniões, ele tomou a decisão de se converter em primeiro de junho e permaneceu na cidade para receber discipulado antes de retornar ao seu vilarejo.
A agressão ocorreu logo após o retorno de Abumusa, quando seu primogênito, Kibirige Budallah, de 28 anos, soube da mudança de religião do pai. Uma vizinha que presenciou a ação relatou que o jovem chamou o pai de traidor e alegou que ele deveria morrer por deixar o Islã, iniciando as agressões com um pedaço de madeira que logo foram apoiadas pelos outros quatro irmãos.
A testemunha Alice Naigaga detalhou o estado em que o homem foi deixado após o espancamento.
“Quando os vizinhos chegaram, Abumusa estava fraco, sangrando pelo nariz e com ferimentos nas mãos, pernas e costas.”
Durante o ataque, o filho mais velho usou justificativas religiosas, afirmando que atentar contra a vida de quem deixa a crença muçulmana asseguraria uma recompensa no paraíso. Abumusa recebeu alta após uma semana de internação, mas optou por se abrigar na residência de um amigo em outra localidade, optando também por não registrar uma denúncia formal na polícia.
O amigo próximo relatou o receio do sobrevivente de sofrer novas retaliações após o falecimento de sua esposa em um acidente automobilístico no ano de 2022.
“Abumusa disse que não denunciou a agressão à polícia por temer que seus filhos pudessem colocá-lo em ainda mais perigo.”
Desafios da liberdade religiosa na região
Casos de violência contra convertidos ao cristianismo têm se repetido em território ugandense, apesar de a Constituição do país assegurar expressamente a liberdade de culto e o direito de escolha religiosa dos cidadãos. A oposição costuma se intensificar em comunidades de maioria islâmica, onde a mudança de crença é vista com hostilidade por núcleos familiares e sociais locais.







