
Acusações envolvendo Alexandre de Moraes despertam o eleitorado religioso que estava apático e geram forte resistência contra o governo federal
A disputa interna no Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma reação em cadeia nas igrejas evangélicas brasileiras, tirando o segmento de um período de apatia política na reta final da campanha eleitoral. A circulação de mensagens de apoio ao ministro André Mendonça ganhou força após a divulgação de conversas de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, acirrando o clima de polarização contra o governo federal, conforme informações veiculadas pela Folha de S.Paulo.
Antes desmobilizados ou pessimistas em relação ao pleito, grupos conservadores passaram a enxergar no embate da corte uma oportunidade para impulsionar candidaturas de oposição. A mobilização se traduz no compartilhamento massivo de pedidos de oração direcionados a Mendonça, que funcionam nos bastidores como um chamado para o engajamento político ativo das bases.
Divisão interna e apelo espiritual
O entendimento predominante nos bastidores desses templos é de que a pressão pelo impeachment de Moraes pode enfraquecer o governo federal de forma decisiva. Apesar do entusiasmo da ala majoritária, existe um setor preocupado com as possíveis consequências institucionais de expor as denominações religiosas a disputas jurídicas e políticas complexas.
A rejeição a Moraes ganhou contornos bíblicos entre os fiéis, que frequentemente o associam ao faraó egípcio devido ao tom imperativo de suas decisões. A insatisfação se consolidou após as condenações decorrentes das manifestações de 8 de janeiro de 2023, consideradas desproporcionais pelo grupo, e pelas ações severas contra o pastor Silas Malafaia, que incluíram buscas e bloqueio de recursos.
Uma interlocutora pentecostal sintetizou a indignação do grupo comparando a realidade financeira do magistrado com a situação econômica do país.
“Ele toma banho de riqueza enquanto deixa o povo se lavar com a água dos porcos”
O distanciamento entre o ministro e o eleitorado conservador também é alimentado por decisões favoráveis ao aborto legal após a 22ª semana de gestação. Paralelamente, Mendonça é amplamente visto como um defensor da justiça divina dentro da corte, transformando a disputa institucional em uma batalha de cunho moral e espiritual para os fiéis.
A politização do cenário ganhou contornos públicos na sexta-feira (4), quando André Mendonça gravou uma mensagem em vídeo em agradecimento ao apoio espiritual recebido. A evolução desse cenário deve impactar diretamente a candidatura apoiada pelo presidente Lula, consolidando uma barreira de votos evangélicos contrários ao bloco governista.
Com informações da coluna de Juliano Spyer da Folha de S.Paulo






