Carta enviada ao ministro André Mendonça pede a retirada do sigilo das investigações sobre o Banco Master e afirma que a fé cristã não deve ser usada como proteção para interesses políticos ou econômicos.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou uma carta pública dirigida ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça defendendo a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Caso Master. O documento sustenta que a busca pela verdade e pela justiça deve prevalecer sobre interesses políticos e que a fé cristã não pode ser utilizada como escudo para proteger qualquer pessoa envolvida em apurações.
Na manifestação, os signatários tratam Mendonça como “irmão na fé”, mas ressaltam que princípios cristãos como honestidade, prestação de contas e transparência exigem que os fatos sejam plenamente esclarecidos. O grupo afirma que a credibilidade das instituições depende de investigações conduzidas com clareza e acesso público às informações relevantes.
O pedido ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master, que se tornou um dos maiores escândalos financeiros em apuração no país. A Polícia Federal e outros órgãos investigam suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento institucional envolvendo executivos do banco e agentes públicos.
Nos últimos dias, o caso ganhou novos desdobramentos. A PF convocou autoridades do sistema financeiro para prestar depoimentos, enquanto delações e documentos apresentados à Justiça ampliaram as suspeitas sobre a existência de uma rede de favorecimentos e pagamentos indevidos relacionados ao banco.
O escândalo também provocou forte repercussão política. Diversos setores da sociedade passaram a defender maior transparência sobre as investigações, argumentando que a divulgação parcial de informações gera desconfiança e alimenta disputas políticas em torno do caso.
Para a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, o debate vai além das disputas partidárias. Segundo a entidade, o compromisso cristão com a verdade exige que qualquer suspeita seja apurada de forma rigorosa, independentemente da posição política, religiosa ou institucional dos envolvidos. O documento afirma que a fé deve servir como referência ética para a sociedade e não como instrumento de proteção contra o escrutínio público.
Confira a carta na íntegra
CARTA ABERTA AO MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA
“Quem pratica a verdade vem para a luz” [João 3:21]
Excelentíssimo senhor ministro André Mendonça,
Nós nos dirigimos ao senhor como ministro do Supremo Tribunal Federal, relator do caso Master, mas também como irmão na fé em Jesus Cristo.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito é um movimento supradenominacional. Entre nós há presbiterianos, batistas, metodistas, luteranos, pentecostais e irmãos e irmãs de diferentes tradições evangélicas. Não falamos de fora da Igreja. Falamos a partir da fé que compartilhamos.
Pastor presbiteriano, o senhor chegou ao STF apresentado como “terrivelmente evangélico” e tornou-se referência para parte da comunidade evangélica. Esse reconhecimento traz uma responsabilidade ainda maior. Quando um cristão ocupa uma função pública, seus atos também alcançam o nome da fé que professa.
Nossa palavra não nasce da hostilidade. É uma exortação entre irmãos.
“NÃO HÁ NADA ENCOBERTO QUE NÃO VENHA A SER REVELADO” [Lucas 12:2]
Também nos orienta: “Cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo” [Efésios 4:25]
Diante da gravidade do caso Master, apontado como o maior crime financeiro da história do Brasil, o país precisa conhecer a verdade. Como relator, cabe ao senhor conduzir as investigações com transparência, serenidade e imparcialidade.
A VERDADE NÃO PODE APARECER AOS PEDAÇOS, escolhida conforme a conveniência do momento. Vazamentos seletivos, principalmente durante uma eleição, alimentam versões, atingem adversários e transformam uma investigação em instrumento político.
“Não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça” [Levítico 19:15]. A Palavra também adverte que “pesos diferentes e medidas diferentes são abominação ao Senhor” [Provérbios 20:10].
O MESMO CRITÉRIO DEVE VALER PARA TODOS.
Não pode haver rigor para uns e proteção para outros, sejam aliados, adversários, ministros, candidatos ou irmãos na fé. “Não façam diferença entre as pessoas ao julgarem; ouçam tanto o pequeno como o grande” (Deuteronômio 1:17).
Por isso, pedimos a retirada do sigilo das investigações. Que sejam conhecidos os documentos, as mensagens, as decisões e as relações de todos os envolvidos.
SEJA QUEM FOR. DOA A QUEM DOER.
SUA FÉ NÃO DEVE SER USADA PARA LEVANTAR SUSPEITAS CONTRA OUTROS IRMÃOS.
Também não pode servir de escudo, palanque ou instrumento eleitoral. O Deus a quem servimos não precisa da proteção do Estado. É o Estado que precisa da justiça e da verdade ensinadas por Ele.
Como irmãos e irmãs em Cristo, pedimos que o senhor escolha a transparência. O Brasil precisa saber o que aconteceu. Tudo o que aconteceu. Porque “a verdade os libertará” (João 8:32).
FÉ
DEMOCRACIA
JUSTIÇA
BRASIL
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito







