Ação coordenada em Pequim mobilizou mais de 100 agentes contra celebração religiosa
Uma grande operação policial resultou na detenção de um pastor e outros sete líderes da Igreja Jiaquan, em Pequim. A ação, que envolveu mais de 100 agentes, ocorreu em 4 de setembro durante os preparativos para a comemoração do 20º aniversário da congregação em um hotel da capital chinesa.
Cerca de 50 membros da denominação foram submetidos a um rigoroso procedimento de coleta de dados pessoais, incluindo números de identificação, endereços e contatos telefônicos. A esposa do pastor Zhou Zixun, Cui Jinyoung, descreveu o momento em carta divulgada na segunda-feira (29): “Todos foram obrigados a fornecer o número de identificação estadual, endereço residencial e número de telefone, para que pudessem ser convocados para interrogatório posteriormente, como parte da investigação, antes de serem liberados para voltar para casa”.
Acusações de fraude baseadas em falta de registro oficial
Os oito líderes detidos enfrentam acusações de fraude. A ausência de registro oficial da Igreja Jiaquan junto ao governo é o fundamento legal utilizado pelas autoridades para justificar a repressão. Segundo Cui Jinyoung, a situação é crítica para as congregações independentes: “A maioria das igrejas em toda a China permanece sem registro e é considerada ilegal. A Igreja Jiaquan não é exceção, e essa é a base para as acusações de fraude contra eles. Se as autoridades encontrarem evidências de que a igreja recebia ofertas, os detidos poderão enfrentar a prisão”.
Contexto de perseguição às igrejas domésticas na China
A Igreja Jiaquan atua há mais de duas décadas e congrega mais de mil membros, possuindo influência entre jovens cristãos e mantendo projetos educacionais, como a Escola de Música Noé. No entanto, a rede tem sido alvo constante do Partido Comunista Chinês, que promove campanhas contra igrejas urbanas que não se submetem ao Movimento Patriótico dos Três-Próprios.
O fundador da China Aid, Bob Fu, manifestou preocupação com a integridade dos detidos, solicitando que as autoridades esclareçam o local da custódia e garantam o acesso a advogados independentes. “Estamos urgentemente preocupados com a segurança, saúde e direitos legais de cada pastor e líderes da Igreja de Jiaquan que foi levado”. A China ocupa atualmente a 17ª posição na Lista Mundial da Perseguição, um monitoramento global sobre restrições à liberdade religiosa.
Folha Gospel com informações de China Aid







