Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. (Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

A crise política entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, parece estar impactando diretamente as intenções de voto do parlamentar. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (1º) pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg aponta um enfraquecimento de Flávio Bolsonaro nos segmentos feminino e evangélico, considerados estratégicos para o bolsonarismo. Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem em ambos os grupos e no cenário geral.

Os dados da pesquisa sugerem que a recente crise pública afetou a conexão de Flávio Bolsonaro com esses eleitores. No eleitorado feminino, a mudança foi particularmente notável. Em maio, o senador estava praticamente empatado com Lula, mas agora o presidente ostenta 50,1% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio caiu para 35,1%, uma das maiores perdas registradas no levantamento.

eleitorado evangélico, um dos pilares tradicionais de apoio ao bolsonarismo, também demonstrou recuo. Segundo a pesquisa, Flávio Bolsonaro perdeu cerca de oito pontos percentuais entre os que se declaram evangélicos em comparação com o estudo anterior. Analistas consideram esse declínio um sinal de alerta, pois Michelle Bolsonaro mantém significativa influência sobre lideranças religiosas e mulheres conservadoras.

O desgaste se intensificou após semanas de trocas de acusações públicas entre os envolvidos. Michelle Bolsonaro manifestou seu descontentamento em vídeo divulgado nas redes sociais, relatando episódios de desrespeito e exclusão de decisões partidárias. Essa situação expôs uma divisão inédita na família Bolsonaro e colocou figuras influentes do campo conservador em lados opostos.

A tensão ganhou peso político devido à forte identificação que Michelle construiu nos últimos anos com mulheres conservadoras e o eleitorado evangélico. Como ex-presidente do PL Mulher, ela se consolidou como uma das principais lideranças femininas da direita e foi fundamental na aproximação do bolsonarismo com eleitoras historicamente resistentes ao grupo.

Embora seja prematuro atribuir exclusivamente à crise familiar a queda do senador, os números da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revelam que o episódio atingiu justamente os segmentos nos quais a influência da ex-primeira-dama é mais acentuada. Para o bolsonarismo, o desafio agora é reconstruir a base de apoio junto a mulheres e evangélicos antes que a vantagem de Lula se torne irreversível.

No cenário geral, Lula aparece fortalecido, registrando 46,3% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno, contra 36,6% de Flávio Bolsonaro. Essa diferença de 9,7 pontos ampliou a vantagem do presidente. Renan Santos surge com 7,8%, seguido por Ronaldo Caiado (2,9%) e Romeu Zema (2%). A vantagem de Lula também se consolidou no segundo turno, onde ele soma 48,8% contra 42,3% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa foi realizada entre 26 e 30 de junho, com 4.999 entrevistados em todo o país, sendo a primeira divulgada após o racha público entre Michelle e Flávio Bolsonaro.

Folha Gospel

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