Pastor Robson José Brito (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Pastor Robson José Brito (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O Ministério Público requereu o arquivamento fundamentado na prescrição.

A Justiça determinou o arquivamento definitivo do inquérito policial contra o pastor Robson José Brito, ex-presidente da Assembleia de Deus em Maringá. Após 12 anos de investigações, o caso foi encerrado sem que fossem encontradas provas de desvio de recursos ou de benefício pessoal por parte do religioso.

A decisão da 2ª Vara Criminal de Maringá, proferida em 11 de maio de 2026, acolheu o pedido de arquivamento feito pelo Ministério Público. O pastor nunca chegou a ser denunciado criminalmente durante todo o período de apuração, que teve início ainda em 2014.

Como a investigação começou e por onde tramitou

A investigação teve início em 2014 após uma representação apresentada por Francis Sérgio Gomes dos Santos ao Ministério Público Federal em Maringá. Os fatos relatados envolviam questionamentos sobre a aquisição da Rádio Catedral FM de Santa Fé, realizada em 2008, além da contratação de empréstimos e cartas de crédito.

Posteriormente, a Cieadep (órgão estadual da convenção) também apresentou questionamentos sobre a gestão financeira, incluindo dívidas e operações de imóveis. O caso tramitou inicialmente na esfera federal sob a Notícia de Fato nº 1.25.006.000169/2014-99.

Como o Ministério Público Federal não identificou materialidade de crime tributário federal, o processo seguiu para a esfera estadual, passando pelas comarcas de Sarandi e Maringá, sob o número 0005318-60.2014.8.16.0160.

Esclarecimentos apresentados pela defesa e depoimentos

Durante a apuração, foram solicitados documentos, analisados contratos e ouvidas testemunhas, incluindo a administradora de consórcios. Em depoimento, o pastor Robson José Brito explicou o funcionamento do campo eclesiástico de Maringá, composto por 126 congregações na época.

O pastor esclareceu que as cartas de crédito imobiliário eram utilizadas em reformas e obras das congregações, seguindo um sistema de solidariedade financeira entre as igrejas. Ele também afirmou que o valor da compra da rádio estava devidamente registrado no balanço patrimonial.

Sobre a separação da igreja de Sarandi, Brito declarou que houve um acordo aprovado pela Assembleia Geral e conselho fiscal, no qual aquela congregação assumiu parte das dívidas em contrapartida ao patrimônio retido. O tesoureiro da época confirmou a regularidade da destinação dos recursos.

A conclusão do inquérito e a decisão judicial

Em janeiro de 2026, o delegado Osmir Ferreira Neves Júnior assinou o relatório final apontando que o conjunto de provas era insuficiente para qualquer imputação penal. O documento indicou a ausência de dolo de apropriação ou de provas contábeis de desvio.

Diante da falta de materialidade delitiva, o Ministério Público requereu o arquivamento fundamentado na prescrição. O advogado de defesa, Bruno Rodrigues Brandão, destacou que a ampla apuração provou a inconsistência das suspeitas.

“Poucos casos são submetidos a um escrutínio dessa amplitude. E esse é o dado que deve ficar registrado perante a comunidade de fiéis — não a extensão da suspeita, mas o fato de que ela foi verificada até o limite e não se sustentou. Depois de doze anos e da análise de órgãos distintos, as acusações de desonestidade contra o pastor Brito se mostraram infundadas”, declarou o advogado.

A atuação do pastor em Maringá e sua situação atual

Robson José Brito liderou o Campo Eclesiástico de Maringá por mais de uma década, período em que 11 congregações tornaram-se igrejas autônomas. Ele deixou a presidência da instituição em agosto de 2018, mas permaneceu morando e trabalhando no município durante toda a investigação.

Atualmente, o pastor atua como vice-presidente na Assembleia de Deus de Paiçandu Oeste e pastoreia uma congregação no Jardim Guanabara há cerca de dois anos, mantendo sua rotina de atividades religiosas na região após o encerramento definitivo do caso judicial.

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