Pastor José Wellington Costa Junior fez oração por Flávio Bolsonaro durante culto em Alagoas. (Foto: Reprodução com melhorias de qualidade com IA)
Pastor José Wellington Costa Junior fez oração por Flávio Bolsonaro durante culto em Alagoas. (Foto: Reprodução com melhorias de qualidade com IA)

Durante a celebração dos 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas, o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, recebeu uma bênção pública para sua campanha eleitoral. O clamor foi conduzido pelo pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Brasil, diante de milhares de fiéis.

A manifestação religiosa ocorre em um momento estratégico de aproximação com o eleitorado evangélico, mas reacende debates sobre os limites da legislação eleitoral. Pedidos de votos em templos religiosos são proibidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e podem resultar em punições severas, dependendo da interpretação da Justiça.

A oração de apoio e o clamor no altar

O ato ocorreu na noite de terça-feira, 25 de agosto, reunindo milhares de fiéis presencialmente e cerca de oito mil espectadores na transmissão oficial pela internet. O pastor José Wellington Costa Junior chamou Flávio Bolsonaro ao altar para receber as orações e suplicou para que o Brasil seja liberto das garras de Satanás.

“Abençoe nosso senador Flávio Bolsonaro. Ó Pai amado, abençoe a sua campanha, abençoe os deputados que estão concorrendo, abençoe suas campanhas meu senhor”, declarou o líder religioso durante o culto.

O público presente reagiu com entusiasmo e muitos aplausos, especialmente diante das declarações dos pastores sobre o combate à bebedeira nas famílias e o clamor para afastar influências malignas do país.

A movimentação de aliados e a postura do candidato

Flávio Bolsonaro compareceu ao evento de forma pontual. Ele incluiu a participação na agenda de campanha, mas chegou apenas para o momento da oração e deixou o local logo após as declarações do pastor, sem discursar. Questionado se via irregularidades na conduta, o candidato optou por ignorar as perguntas da imprensa.

O altar também contou com a presença de diversos aliados políticos de destaque, demonstrando a força da coligação na região:

  • Arthur Lira (PP-AL): ex-presidente da Câmara dos Deputados, apoiado localmente pelo pastor José Orisvaldo Nunes de Lima.
  • Alfredo Gaspar (PL-AL): deputado federal e candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
  • Gunnar Nicácio: candidato a deputado federal e filho do pastor local.
  • Gilson Machado (Pode): ex-ministro do Turismo e candidato a deputado federal por Pernambuco.
  • Delegado Fábio Costa (PP-AL): deputado federal, além de vereadores do PL.

Durante a apresentação dos políticos, o pastor José Orisvaldo Nunes de Lima destacou que os parlamentares presentes são homens que buscam a bênção para o país, e não a sua desgraça.

Os limites da lei e o entendimento do TSE

A legislação eleitoral brasileira proíbe veementemente o pedido de votos dentro de templos de qualquer religião. A prática é considerada abuso de poder religioso e pode levar à cassação de registro da chapa ou à inelegibilidade dos envolvidos.

No entanto, a aplicação da lei depende da interpretação dos tribunais. O Tribunal Superior Eleitoral apresenta posições divergentes sobre o tema. Em maio, o tribunal puniu com a inelegibilidade uma ex-prefeita que realizou pedido de votos durante um culto. Em outras ocasiões, contudo, os ministros entenderam que não houve pedido explícito de voto, mantendo a validade das candidaturas.

O segmento evangélico representa uma base eleitoral onde o candidato do PL possui ampla vantagem histórica, enquanto o presidente Lula (PT) enfrenta maior resistência para consolidar apoios. Esse cenário explica a recente intensificação de agendas de Flávio com lideranças religiosas, que organizam atos públicos de apoio em todo o território nacional.

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