
O encontro foi confirmado por meio de registros compartilhados nas redes sociais
O pastor sul-coreano Son Hyun-bo, líder do movimento cristão conservador Save Korea, reuniu-se com o presidente Donald Trump na Casa Branca no último fim de semana. O encontro, que contou com a presença da família do líder religioso, marca uma forte aproximação entre lideranças conservadoras asiáticas e representantes do governo americano.
Son Hyun-bo, que lidera a World Church na cidade de Busan, ganhou destaque após passar 145 dias preso na Coreia do Sul por manter cultos presenciais durante a pandemia. A visita à presidência americana, que também incluiu uma passagem pelo Escritório de Fé da Casa Branca, sinaliza o crescente apoio político e diplomático internacional à sua causa.
Detalhes do encontro em Washington
O encontro foi confirmado por meio de registros compartilhados nas redes sociais por Chance Son, filho do pastor, que descreveu o momento como um diálogo amigável. Em um vídeo publicado no canal oficial de sua igreja no YouTube, o próprio Son Hyun-bo celebrou o convite recebido pelo governo dos Estados Unidos.
“Esta é a Casa Branca em Washington, D.C. Acabo de terminar uma reunião com o presidente Trump e estou saindo agora. Agradeço sinceramente à Casa Branca por convidar minha família”, declarou o pastor.
A viagem incluiu reuniões estratégicas com o Escritório de Fé da Casa Branca, uma unidade voltada para o diálogo com grupos religiosos e comunitários. Embora os detalhes exatos da conversa privada com Donald Trump não tenham sido divulgados, o simbolismo da visita destaca o prestígio de Son com alas conservadoras americanas.
A trajetória de prisão e o apoio diplomático americano
A prisão de Son Hyun-bo por 145 dias — sem direito a fiança ou condenação definitiva na época — ocorreu devido à sua recusa em fechar as portas da igreja durante as restrições sanitárias. O caso gerou ampla repercussão diplomática e forte envolvimento das autoridades americanas.
Durante o período de detenção, representantes do governo dos Estados Unidos acompanharam de perto os desdobramentos jurídicos. Um oficial da embaixada americana e o cônsul-geral em Busan acompanharam as sessões de julgamento de Son, seguindo instruções diretas do Departamento de Estado.
O suporte internacional também se manifestou em outras frentes de pressão política:
- Representantes dos Estados Unidos visitaram o pastor na prisão por quatro vezes;
- Uma petição internacional em favor de sua liberdade reuniu assinaturas de 10 mil pastores americanos;
- Os dois filhos de Son foram convidados anteriormente à Casa Branca para uma sessão de esclarecimento de 90 minutos.
Tensões políticas e oposição a leis na Coreia do Sul
A atuação de Son Hyun-bo possui forte caráter político em seu país de origem. O pastor esteve à frente de protestos contra o impeachment do ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol e tem expressado preocupação contínua a autoridades americanas sobre novas legislações sul-coreanas.
Em junho de 2026, três funcionários do governo americano visitaram a igreja de Son em Busan para debater temas sensíveis ao cenário religioso e político do país. Entre os tópicos discutidos estavam as implicações da Lei de Dissolução de Corporações Religiosas, a Lei Antidiscriminação Abrangente e regulamentações para escolas cristãs alternativas.
Recentemente, Son enfrentou acusações de campanha eleitoral ilegal durante a eleição presidencial sul-coreana, resultando em uma sentença de seis meses de prisão com suspensão condicional da pena por um ano. Segundo o pastor, as investigações contra igrejas protestantes ganharam força após declarações públicas do presidente sul-coreano Lee Jae-myung.
O impacto do movimento Save Korea
A oposição liderada por Son Hyun-bo mobilizou milhares de fiéis em manifestações contínuas. Protestos individuais organizados por membros da igreja estenderam-se ao longo de meses, culminando em uma grande assembleia que reuniu cerca de um milhão de pessoas em outubro de 2025.
O convite para o encontro com Donald Trump na Casa Branca coroa essa trajetória de enfrentamento e posiciona o pastor Son Hyun-bo como um símbolo global de resistência religiosa e articulação conservadora internacional.






