Uma troca de declarações entre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia elevou a temperatura do debate entre governo e lideranças evangélicas. O episódio começou durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, em Brasília, e teve continuidade nas redes sociais e na imprensa, após respostas contundentes de ambos os lados.
Durante o evento promovido pelo partido, Janja reagiu a críticas feitas anteriormente por Malafaia sobre os encontros que ela realiza com mulheres evangélicas desde 2025. Segundo a primeira-dama, o pastor teria desqualificado as participantes dessas reuniões. Ao responder, afirmou: “Ele teve a cara de pau de ir em uma rede social e falar que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele, porque toda mulher, para mim, é importante.”
A primeira-dama também defendeu uma presença maior de lideranças religiosas alinhadas ao campo progressista dentro das igrejas. Em seu discurso, argumentou que esse grupo precisa ampliar sua atuação para disputar espaço de influência e diálogo com os fiéis. Janja afirmou que pastores e pastoras progressistas deveriam se manifestar mais publicamente e relatou o caso de uma líder religiosa que, segundo ela, teria sido expulsa de sua congregação após participar de um de seus encontros.
Outro trecho que chamou atenção foi quando Janja declarou que a disputa de narrativas precisa ocorrer também no ambiente religioso. Segundo ela, setores progressistas não podem abandonar esse espaço. “Se a gente não usar [as igrejas] dessa forma, eles usam”, afirmou durante o encontro partidário.
Malafaia reage e acusa PT de distorcer suas declarações
A resposta de Malafaia veio poucas horas depois. O pastor afirmou que Janja distorceu suas palavras e negou ter chamado as mulheres evangélicas que participam dos encontros da primeira-dama de “insignificantes”. Segundo ele, suas críticas eram direcionadas à relevância política dos eventos, e não às participantes.
Em tom duro, o líder evangélico acusou integrantes do PT de propagarem informações falsas. “Essa gente do PT tem o demônio da mentira”, declarou ao comentar as falas da primeira-dama.
Malafaia também ironizou o fato de Janja classificá-lo como “insignificante” enquanto o mencionava em um evento nacional do partido. Em entrevista, afirmou: “Se eu sou insignificante, não era para falar de mim. [Se estão falando, significa que eu estou incomodando]”.
Disputa pelo eleitorado evangélico
O episódio ocorre em um contexto de crescente disputa pelo eleitorado evangélico, considerado estratégico para as eleições de 2026. Nos últimos anos, o governo Lula e integrantes do PT têm intensificado iniciativas de aproximação com lideranças e comunidades evangélicas, buscando reduzir a resistência que o partido enfrenta em parte desse segmento religioso.
Ao mesmo tempo, lideranças conservadoras como Malafaia continuam exercendo forte influência política e religiosa, especialmente entre setores alinhados à direita. O embate entre a primeira-dama e o pastor acabou refletindo essa disputa mais ampla por espaço, narrativa e representatividade dentro do universo evangélico brasileiro.
Embora as declarações tenham provocado repercussão nas redes sociais e no meio político, o episódio também evidenciou o papel cada vez mais central que a pauta religiosa ocupa no debate público nacional, especialmente às vésperas de mais um ciclo eleitoral.
Folha Gospel com informações de Gazeta do Povo, CNN e Folha de S. Paulo

