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Turcomenistão: autoridades detêm cristãos durante celebrações da Páscoa

Igreja ortodoxa no Turcomenistão (Foto representativa: Portas Abertas)
Igreja ortodoxa no Turcomenistão (Foto representativa: Portas Abertas)

Dezenas de cidadãos no Turcomenistão foram detidos ao tentar participar das celebrações da Páscoa cristã na cidade de Balkanabat, no Oeste do país. As detenções ocorreram em dois domingos consecutivos, marcando um período de intensa vigilância e repressão contra a comunidade cristã. A situação levanta sérias preocupações sobre a liberdade religiosa no país, onde minorias enfrentam olhares atentos e ações direcionadas por parte das autoridades.

Relatos de testemunhas à Rádio Azatlyk, serviço local da Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade (RFE/RL), indicam que agentes do Ministério da Segurança Nacional (MNS) e da polícia local realizaram operações ao redor da única igreja cristã da cidade. Essa abordagem seletiva e direcionada sublinha a complexidade da situação religiosa no Turcomenistão e o que motiva essa vigilância durante um período tão significativo para os cristãos.

Vigilância e detenções direcionadas durante a Páscoa

Moradores da região descreveram que os agentes, atuando tanto à paisana quanto uniformizados, abordaram fiéis antes mesmo que pudessem entrar no local de culto. Cerca de 50 pessoas foram levadas para delegacias em veículos oficiais e particulares pertencentes às forças de segurança. A forma como essas ações foram executadas sugere um planejamento prévio e um conhecimento detalhado sobre os indivíduos visados.

As testemunhas destacaram que os agentes pareciam ter informações prévias sobre os fiéis abordados. Uma atenção especial recaiu sobre os cristãos de origem muçulmana, cidadãos turcomenos que se converteram do islamismo ao cristianismo. Para esses indivíduos, a entrada na igreja foi impedida, sendo conduzidos para interrogatório. O número exato de detidos não foi divulgado oficialmente, mas a magnitude das ações aponta para um controle rigoroso sobre as atividades religiosas minoritárias.

Interrogatórios e pressão religiosa após as detenções

Uma fonte da polícia local, que preferiu manter o anonimato, revelou que os detidos foram submetidos a questionamentos focados em suas escolhas religiosas. As perguntas incluíam detalhes sobre quem os incentivou à conversão, se receberam apoio financeiro e os motivos para terem deixado o islamismo. Essa linha de interrogatório demonstra a preocupação das autoridades com a expansão de confissões não tradicionais dentro do país.

A verificação dos telefones celulares foi realizada individualmente, e aqueles que portavam uma Bíblia foram interrogados separadamente, indicando uma busca por evidências de proselitismo ou organização religiosa não autorizada. Relatos apontam para a ocorrência de coerção, incluindo ameaças e pressão psicológica, com o objetivo de fazer com que os cristãos renunciassem à sua fé. Em alguns casos, líderes islâmicos locais foram envolvidos em encontros posteriores, nos quais os detidos foram exortados a retornar ao islamismo, evidenciando uma estratégia de reintegração forçada.

O controle estatal sobre a religião no Turcomenistão

Especialistas em liberdade religiosa apontam que o governo do Turcomenistão exerce uma vigilância rigorosa sobre todas as atividades religiosas. Felix Corley, editor do Forum 18, organização que monitora a liberdade religiosa em países da antiga União Soviética, afirma que o Estado controla tanto comunidades cristãs quanto muçulmanas. Essa política visa manter a estabilidade social e o controle ideológico.

Observadores independentes notam que jovens no Turcomenistão enfrentam desemprego e poucas oportunidades, o que pode levar alguns a buscar apoio comunitário em grupos religiosos minoritários. No entanto, conversões são vistas pelas autoridades como socialmente desestabilizadoras e contrárias à identidade nacional. Essa percepção contribui para a repressão contra minorias religiosas, que são vistas como um potencial fator de dissidência.

Posição do Turcomenistão na liberdade religiosa

O Turcomenistão é consistentemente classificado como país de particular preocupação em relatórios internacionais sobre liberdade religiosa. Atualmente, ocupa a 35ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, um ranking que identifica os 50 países onde cristãos enfrentam a perseguição mais severa. Essa classificação sublinha os desafios contínuos para a prática da fé cristã no país.

Até o momento, o destino dos cristãos detidos em Balkanabat permanece desconhecido. As autoridades não responderam aos questionamentos da RFE/RL, e familiares evitam comentar o caso por medo de represálias, o que reflete o clima de apreensão e silêncio imposto pela vigilância estatal. A situação destaca a importância do apoio contínuo a cristãos perseguidos em todo o mundo.

Fonte: Portas Abertas

Papa Leão 14 pede perdão pelo papel da Igreja Católica na escravidão

Papa Leão XIV (Foto: Reprodução/IA)
Papa Leão XIV (Foto: Reprodução/IA)

O papa Leão 14 fez um pedido de desculpas explícito em nome da Igreja Católica nesta segunda-feira (25) sobre o envolvimento histórico na escravidão, admitindo a lentidão em condenar a prática e o seu papel em sua legitimação. O pontífice reconheceu que a Igreja levou séculos para compreender plenamente o flagelo da escravidão como algo incompatível com a dignidade humana, descrevendo o legado como uma ferida na memória cristã.

“Por isso, em nome da Igreja, eu sinceramente peço perdão”, declarou Leão 14, expressando profunda tristeza pelo sofrimento infligido às pessoas escravizadas. Ele também mencionou que autoridades eclesiásticas, em certos momentos, colaboraram com governantes para regulamentar e legitimar formas de subjugação, incluindo a escravização de não cristãos, além de reconhecer que instituições da Igreja possuíam seus próprios escravos na Idade Média.

A condenação formal, absoluta e universal da escravidão pela Igreja só ocorreu no século 19, sob o pontificado de Leão 13. O papa Leão 14 classificou o período anterior como de inconsistência no ensino e na prática. Esta declaração representa a admissão institucional mais direta de responsabilidade por parte de um pontífice, superando manifestações anteriores que focavam nas ações de cristãos individuais em vez do Vaticano.

Em contraste, o papa João Paulo 2º, em 1985, pediu perdão aos africanos pelo sofrimento causado por “homens pertencentes a nações cristãs” no comércio de escravos. Seu predecessor, Francisco, condenou a escravidão moderna e repudiou documentos papais do século 15 usados para legitimar ações coloniais, incluindo a escravidão, mas sem abordar diretamente a responsabilidade da Santa Sé.

O pronunciamento de Leão 14 foi feito em sua encíclica de estreia, “Magnifica humanitas”, que discute desafios éticos da inteligência artificial e alerta para novas formas de exploração na economia global. Uma pesquisa genealógica após sua eleição revelou que o primeiro papa nascido nos Estados Unidos possui ascendência diversificada, incluindo tanto pessoas escravizadas quanto indivíduos que empregaram mão de obra escravizada.

Com informações de Folha de S. Paulo

Justiça nega pedido de Marco Feliciano para derrubar postagem de Rachel Sheherazade

Rachel Sheherazade e Marco Feliciano (Foto: Reprodução/Fuxico Gospel)
Rachel Sheherazade e Marco Feliciano (Foto: Reprodução/Fuxico Gospel)

A Justiça negou o pedido liminar do deputado federal e pastor Marco Feliciano para que uma postagem da jornalista Rachel Sheherazade fosse removida de suas redes sociais. Feliciano buscava a retirada imediata do conteúdo, a proibição de novas publicações sobre o tema, direito de resposta e uma indenização por danos morais no valor de R$ 81.050,00.

A polêmica gira em torno de declarações feitas pela jornalista sobre submissão feminina e violência doméstica, com base em falas públicas do próprio deputado.

A decisão, proferida pelo juiz André Frederico de Sena Horta, considerou que a publicação de Sheherazade está protegida pela liberdade de expressão. A jornalista utilizou um trecho de uma pregação de Marco Feliciano, onde ele dizia que “Delegacia de crente assembleiano se chama círculo de oração”, para criticar o que ela interpretou como um incentivo a que vítimas de violência doméstica buscassem o ambiente religioso em vez das autoridades policiais.

Análise judicial sobre a liberdade de expressão

Na análise preliminar, o juiz não identificou ofensas diretas ou imputações ilegais que pudessem caracterizar um abuso do direito de crítica. A decisão ressaltou que a jornalista baseou sua crítica em uma declaração feita pelo próprio Marco Feliciano em uma fala pública.

“Trata-se, em juízo perfunctório, de crítica a ideias defendidas por pessoa pública, ancorada em declaração do próprio autor”, escreveu o magistrado.

O magistrado observou que a caracterização de Feliciano como “deputado federal bolsonarista” não configura, por si só, uma ofensa à honra.

O despacho também apontou que uma remoção imediata do conteúdo poderia ser interpretada como censura prévia. Essa medida é considerada excepcional pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando a proteção à liberdade de manifestação.

Com informações de Fuxico Gospel

Cristã perseguida pelo regime iraniano é condenada a 9 anos de prisão

Bandeira do Irã sobre a capital Teerã (Foto: Canva Pro)
Bandeira do Irã sobre a capital Teerã (Foto: Canva Pro)

Uma cristã convertida no Irã foi condenada a nove anos e oito meses de prisão sob falsas acusações relacionadas à segurança do Estado e atividades antigovernamentais, após sua Bíblia e literatura cristã terem sido apreendidas durante uma operação policial em sua casa em janeiro.

Ghazal Marzban, uma convertida ao catolicismo e ex-prisioneira de consciência, foi condenada por acusações que incluem propaganda contra o Estado e conspiração contra a segurança nacional, informou a Article18 , uma organização sediada no Reino Unido que monitora a liberdade religiosa no Irã.

A sentença foi proferida pela juíza do Tribunal Revolucionário, Iman Afshari, que foi recentemente sancionada pela União Europeia e tem aplicado penas severas contra presos políticos, incluindo cristãos.

Marzban foi presa novamente em janeiro em sua casa em Teerã. Sua Bíblia e outros livros cristãos foram confiscados, e ela foi levada para um local desconhecido sem nenhuma explicação para a prisão.

Duas horas após a prisão, Marzban ligou para o marido e disse que estava detida em um centro do Ministério da Inteligência. Ela então ficou sem contato com a família durante o mês seguinte.

Durante o interrogatório, Marzban foi pressionada a admitir que sua Bíblia e literatura cristã haviam sido usadas para evangelização. Ela negou a acusação e disse que o material era para uso pessoal, acrescentando que, como cristã, tinha o direito de possuí-lo.

Marzban passou dois meses na prisão de Evin em 2024, após ser condenada por propaganda contra o regime por entoar slogans. Ela havia sido presa pela primeira vez em novembro de 2024, depois de protestar contra o assédio que sofreu após sua conversão ao catolicismo sete anos antes.

Após sua conversão, Marzban, formada em direito islâmico, foi impedida de prestar o exame da Ordem dos Advogados e pressionada a deixar o Irã. Seu marido, também convertido, não conseguiu obter a medicação necessária para controlar sua doença de Parkinson.

Mansour Borji, diretor executivo da Article18, afirmou que a sentença de Marzban foi, na realidade, uma sentença imposta a ambos os cônjuges devido à necessidade de cuidados médicos do marido e à incapacidade dela de cuidar dele enquanto estivesse presa.

A prisão ocorreu dias depois de milhares de manifestantes terem sido mortos, incluindo pelo menos 22 cristãos, durante uma repressão a protestos antigovernamentais, de acordo com um relatório anterior da Article18.

As autoridades iranianas restringem a liberdade religiosa e impõem prisões, longas penas de prisão e tratamento severo aos cristãos, especialmente aos convertidos do islamismo, porque as autoridades consideram sua atividade religiosa uma ameaça à segurança do Estado.

Em dezembro, cinco cristãos iranianos receberam penas de prisão que totalizam 50 anos, após condenações relacionadas a encontros de oração, batismos e distribuição de Bíblias, de acordo com as disposições do código penal alteradas e aplicadas pelo Tribunal Revolucionário de Teerã.

O juiz Abolqasem Salavati condenou quatro réus a 10 anos de prisão e um terceiro a oito anos. Uma mulher também recebeu uma pena adicional de dois anos relacionada à sua atividade nas redes sociais.

As autoridades acusaram o grupo de conluio e propaganda contra o Estado, atrasaram a notificação formal das sentenças por semanas após as audiências e concederam apenas 20 dias para recursos perante o mesmo tribunal.

Dois réus já haviam cumprido pena de prisão por atividades relacionadas à igreja doméstica. As autoridades exigiram fianças que chegaram a cerca de US$ 130.000 e quase US$ 250.000 em casos separados.

Uma detenta com artrite reumatoide fraturou a coluna após cair de uma cama enquanto estava sob custódia. Ela retornou do hospital sem o tratamento completo e posteriormente desenvolveu infecções que exigiram cuidados médicos adicionais.

Documentos judiciais mencionaram um discurso de 2010 do então Líder Supremo Ali Khamenei, que classificou as igrejas domésticas como uma ameaça à segurança nacional. As autoridades confiscaram textos cristãos e Bíblias dos réus e enviaram o material ao Ministério da Inteligência para análise durante o processo judicial.

Os protestos de rua começaram no Irã em 28 de dezembro de 2025, em meio à pressão econômica e à indignação pública contra a liderança do país. As manifestações se espalharam por mais de 100 cidades e vilas em todas as províncias.

A agência de notícias Human Rights Activists News Agency confirmou mais de 7.000 mortes de manifestantes. As autoridades iranianas reconheceram pelo menos 3.000 mortes e atribuíram algumas delas a membros das forças de segurança.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Igrejas precisam reforçar cuidados com imagens das pessoas nos cultos e nas redes sociais

Ministério de louvor e adoração durante culto em igreja (Foto: Reprodução)
Ministério de louvor e adoração durante culto em igreja (Foto: Reprodução)

O uso de imagens de fiéis e visitantes em cultos, congressos e nas redes sociais das igrejas tem se tornado um ponto de atenção crescente, especialmente diante das exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A questão central para as instituições religiosas é como garantir a conformidade legal ao capturar e divulgar essas imagens, evitando assim problemas jurídicos futuros. A resposta mais segura, segundo especialistas, reside na obtenção de consentimento formal e explícito.

Para evitar dores de cabeça e proteger a privacidade de todos, é fundamental que as igrejas compreendam e apliquem as diretrizes da LGPD. Mas você sabe qual a maneira mais eficaz de obter essa autorização e quais os cuidados extras necessários? Continue lendo para descobrir os detalhes que podem fazer toda a diferença.

Entendendo a necessidade de autorização

A principal preocupação com a LGPD gira em torno de pessoas que aparecem de forma identificável nas imagens. Mesmo que uma foto seja publicada com o rosto borrado, o advogado e teólogo Antonio Carlos Junior adverte que a igreja não deve manter em seus arquivos a versão nítida de alguém que não consentiu com o uso de sua imagem. Isso significa que o cuidado deve começar desde a captação e o armazenamento do material.

A forma mais recomendada e segura para as igrejas obterem essa autorização é através de um consentimento formal por escrito. Conforme explicou o especialista, um termo escrito, assinado com a presença de duas testemunhas, oferece a maior segurança jurídica.

Opções de consentimento e suas validades

Embora o termo escrito seja o ideal, o aceite digital também pode ter validade legal. No entanto, Antonio Carlos Junior ressalta que essa modalidade só é válida quando é possível comprovar a identidade da pessoa de forma inequívoca, como no caso de uso de login e senha pessoais e intransferíveis. Simples avisos afixados no ambiente, informando que o culto está sendo gravado, não são suficientes para garantir a proteção legal da instituição.

Isso levanta uma questão importante: o que fazer com fotografias antigas utilizadas em retrospectivas ou vídeos comemorativos? O especialista reforça que o material só deve ser reutilizado se houver autorização prévia. Na ausência desse consentimento, a recomendação é clara: não utilizar essas imagens.

Cuidados especiais com menores de idade e visitantes

A atenção redobrada se estende aos menores de idade. Nestes casos, a autorização para o uso da imagem deve ser concedida exclusivamente pelos pais ou responsáveis legais. O especialista pontua que autorizações fornecidas por tios, avós ou outros conhecidos não possuem validade. Para adolescentes a partir de 16 anos, o próprio menor também deve assinar o termo, juntamente com os responsáveis legais.

Uma orientação prática para minimizar riscos é que as igrejas evitem expor crianças e adolescentes em destaque nas imagens. O ideal, segundo Antonio Carlos, é utilizar fotos em que os menores apareçam de costas ou sem a possibilidade de identificação.

Em relação aos visitantes, a cautela é ainda maior. A recomendação é não utilizar imagens de visitantes, pois é comum que surjam pedidos posteriores para a retirada das postagens, gerando retrabalho e potenciais constrangimentos.

Integrando o uso de imagem a uma política de dados mais ampla

O consentimento para uso de imagem não deve ser visto como um item isolado, mas sim como parte integrante de uma política mais ampla de proteção de dados dentro da igreja. Antonio Carlos alerta que não adianta apenas coletar autorizações se a gestão do conteúdo não estiver em conformidade com a LGPD.

As instituições religiosas precisam estruturar procedimentos claros e eficientes para a captação, armazenamento, edição e divulgação de fotos e vídeos. A autorização de uso de imagem é, portanto, apenas um dos documentos necessários dentro de uma política séria e completa de tratamento de dados, garantindo a segurança e a conformidade legal em todas as suas atividades.

Fonte: Comunhão

Evangélicos italianos clamam por uma igreja centrada no Evangelho em tempos de crise cultural

Coliseu de Roma na Itália (Foto: Canva Pro)
Coliseu de Roma na Itália (Foto: Canva Pro)

Líderes da Aliança Evangélica Italiana reuniram-se em Roma para reafirmar o Evangelho bíblico como fundamento da vida da igreja e do testemunho público, alertando contra substitutos políticos, culturais e motivacionais que o têm suplantado em muitas comunidades cristãs.

A Assembleia Federal da Aliança Evangélica Italiana, conhecida pela sigla italiana AEI, reuniu pastores e líderes denominacionais de toda a Itália em 16 de maio para um dia de apresentações, reflexões teológicas e debates sobre missão, plantação de igrejas e formação evangélica, segundo a Ideaitalia , publicação da AEI.

Em seu relatório presidencial, Giacomo Ciccone fundamentou o tema do dia no Salmo 125 , afirmando que “a igreja está no centro do cuidado de Deus na medida em que coloca o Evangelho no centro”.

Diversos palestrantes alertaram que o Evangelho está sendo deslocado nas igrejas italianas. Samuele Pellerito, presidente das Igrejas Elim na Itália, advertiu contra o que descreveu como um evangelho não cristocêntrico — um evangelho desprovido da cruz e do arrependimento. “Evangelhos políticos, culturais e motivacionais estão sendo pregados hoje”, disse ele, argumentando que a igreja só pode ocupar o seu devido lugar quando o Evangelho bíblico estiver no seu centro.

Doris Meister, secretária da União das Igrejas Cristãs Bíblicas, traçou um paralelo com o relato bíblico da redescoberta dos rolos da Lei durante o reinado do Rei Josias — um texto que o povo possuía há muito tempo, mas que já não conhecia. Ela identificou três perigos que as igrejas evangélicas italianas enfrentam: um evangelho que aborda apenas as necessidades materiais, um cristianismo vivido em termos puramente individualistas e a ausência de um discipulado genuíno que produza crentes maduros.

Um discurso teológico de Pietro Bolognesi, ex-membro da comissão teológica da Aliança Evangélica Mundial, deu o tom do dia. Baseando-se no Salmo 11 , ele defendeu uma teologia pública firmemente enraizada no Evangelho, em vez de na religião civil ou em respostas simplistas para os problemas sociais. A resposta do crente a um mundo onde os fundamentos estão sendo destruídos, argumentou ele, começa não com pânico ou autossuficiência, mas com o reconhecimento de que Deus não abdicou do seu domínio.

A AEI também apresentou novidades sobre o seu Fórum de Órgãos de Formação Teológica Evangélica na Itália, conhecido como FEFTI, formalmente estabelecido na assembleia do ano passado. O fórum inclui atualmente cinco instituições membros e existe para fomentar a colaboração entre escolas bíblicas e seminários evangélicos. Giuseppe Rizza, que apresentou a sessão, descreveu a formação teológica como a “infraestrutura necessária” para o crescimento saudável da igreja. A primeira iniciativa conjunta do fórum — um webinar sobre a obra catequética do teólogo J.I. Packer, em comemoração ao centenário de seu nascimento — está agendada para 28 de setembro.

A AEI relatou uma atividade significativa ao longo do último ano, incluindo uma conferência sobre liberdade religiosa realizada no Senado italiano em fevereiro de 2025 e uma carta ao Presidente da República relativa ao envolvimento de escolas públicas nas atividades do Jubileu Católico. A Aliança também emitiu uma declaração após uma decisão do Tribunal Constitucional que reconheceu duas mães e expressou solidariedade às Assembleias de Deus na Itália após o que descreveu como cobertura midiática estereotipada.

O dia terminou com um painel sobre plantação de igrejas e testemunho urbano, motivado em parte pela recente publicação italiana do livro “Center Church”, de Tim Keller. Os participantes expressaram preocupação com uma cultura de competição entre as comunidades evangélicas. Michele Passaretti, pastor de Aversa, alertou contra o que chamou de “canibalismo eclesial”, no qual as igrejas se relacionam umas com as outras como rivais em vez de colaboradoras. Outros apontaram para o bairrismo italiano que está se enraizando dentro das igrejas evangélicas e para uma tendência de plantar novas congregações por divisão, em vez de por visão missionária.

O tema recorrente em todas as contribuições foi um apelo à construção de pontes — não apenas teológicas, mas também em nível local e cívico. Uma colaboração saudável, argumentaram os palestrantes, exige que as igrejas desenvolvam raízes genuínas em suas comunidades, aprendendo a compreender as necessidades espirituais e as pressões culturais específicas de cada contexto. Somente assim o testemunho evangélico poderá transitar da competição para uma missão compartilhada.

Folha Gospel com informações de Christian Daily

Uso de igreja para promover candidaturas é abuso de poder, decide Justiça Eleitoral

Prédio do TSE (Foto: Luiz Roberto/TSE)
Prédio do TSE (Foto: Luiz Roberto/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, de forma unânime, a condenação da prefeita de Votorantim, Fabíola Alves da Silva (PSDB), de seu vice, Cesar Silva (PSDB), e do vereador Alison Andrei Pereira de Camargo, o Pastor Lilo (MDB). A decisão, publicada na segunda-feira, 18, se deu pela utilização de um culto religioso com o intuito de promover candidaturas nas eleições de 2024.

O ministro Antonio Carlos Ferreira acatou o entendimento do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que identificou o uso da estrutura da Igreja do Evangelho Quadrangular para fins eleitorais. Embora não exista uma tipificação específica para abuso de poder religioso, o TSE avaliou que a exploração da estrutura e autoridade religiosa pode configurar abuso político ou econômico quando há desvio de finalidade e impacto na igualdade do pleito.

As declarações de líderes religiosos durante o culto foram citadas na decisão como evidência de mobilização explícita em favor das candidaturas. Um pastor declarou que a igreja tinha “um projeto de eleger dentro dos municípios” e que havia um desafio de “elegermos 120 vereadores esse ano nessa eleição”. Em outro momento, afirmou que “A igreja quadrangular aqui de Votorantim, nós estamos fechados com o pastor Lilo”. A convocação aos fiéis para o trabalho eleitoral a partir de 16 de [mês não especificado] também foi destacada.

Na avaliação do relator, as falas “afastam, de plano, qualquer pretensão de que o evento tivesse caráter exclusivamente espiritual”. A decisão também apontou que Fabíola Alves e o candidato a vice-prefeito foram chamados ao altar para receber orações públicas, configurando “deliberada utilização da estrutura e da autoridade religiosas como plataforma de promoção eleitoral das candidaturas presentes”.

Adicionalmente, a Justiça Eleitoral considerou irregular um reajuste de 34,1% no contrato de aluguel pago pela prefeitura à igreja por um imóvel usado pela Secretaria Municipal de Cultura. O tribunal observou que o aumento ocorreu em ano eleitoral e “sem justificativa idônea”, contrastando com outro contrato similar que teve reajuste de apenas 2,45% no mesmo período. Esses elementos levaram os ministros a concluir que houve abuso de poder político, pelo uso da condição funcional da prefeita, e abuso econômico, pelo “uso exacerbado de aporte patrimonial capaz de comprometer a isonomia do pleito”.

O TSE rejeitou os recursos apresentados pelas defesas de Fabíola Alves e Pastor Lilo, mantendo a cassação de seus registros de candidatura e a inelegibilidade por oito anos. Cesar Silva, vice-prefeito da chapa, teve seu registro cassado pelo TRE-SP e não apresentou recurso.

Folha Gospel com informações de TSE

Igreja de Silas Malafaia é alvo de cobrança milionária no Paraná

Silas Malafaia de cabeça baixa em sua igreja (Foto: Reprodução)
Silas Malafaia de cabeça baixa em sua igreja (Foto: Reprodução)

A Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) tornou-se o centro de uma disputa judicial milionária no Paraná. A Justiça local determinou a organização de uma fila de credores para definir a ordem de recebimento em um processo de execução que já ultrapassa R$ 1,4 milhão. A ação, que tramita na 2ª Vara Cível de Curitiba, tem como foco uma cobrança originada pela locação de um imóvel.

A ADVEC figura como devedora principal na ação, com os pastores Silas Malafaia e Elizete Santos Malafaia atuando como fiadores do contrato. Uma decisão recente estabeleceu a instauração de um “concurso singular de credores”, um mecanismo judicial acionado quando há múltiplos interessados em receber valores de um mesmo processo. A medida visa estabelecer prioridades para o pagamento dos credores, caso valores sejam recuperados.

O processo já conta com diversos credores habilitados, apresentando pedidos de penhora e reservas de crédito. Entre os nomes registrados, destacam-se empresas como COPEL Distribuição S.A., Geralux Eletro Energia Solar Ltda., Gongra Comércio de Veículos Ltda., além de Jean Marcus Pimentel – EPP. A magistrada responsável pela ação já havia apontado que a igreja foi devidamente citada e que medidas de execução e expropriação de bens foram iniciadas.

Por outro lado, a citação dos fiadores enfrentou dificuldades processuais, com notificações recebidas por terceiros ou não efetivamente entregues. Diante disso, a Justiça solicitou que a empresa credora informe se deseja prosseguir com a execução contra os fiadores ou se considera a cobrança prescrita em relação a eles. O valor total da ação atualmente é de R$ 1.491.123,38.

Folha Gospel com informações de Fuxico Gospel

Arábia Saudita continua sendo um lugar difícil para os cristãos, apesar das pequenas melhorias

Vista aérea de Al-Olaya, no norte de Riade, Arábia Saudita (Foto: Canva Pro)
Vista aérea de Al-Olaya, no norte de Riade, Arábia Saudita (Foto: Canva Pro)

Uma década após as reformas em sua polícia religiosa, a Arábia Saudita pode não ser tão rigorosa com sua população cristã como antes, mas continua sendo um dos lugares mais difíceis do mundo para acreditar em Jesus.

Na sua Lista Mundial da Perseguição 2026, a organização Portas Abertas classifica a Arábia Saudita como o 13º pior país nesse quesito. Embora cristãos estrangeiros de certo status social possam desfrutar de uma liberdade religiosa bastante limitada, a situação é muito pior para aqueles de classes sociais mais baixas e para os sauditas natos que desejam seguir a Cristo.

Um relatório da International Christian Concern observa que, ao contrário da Coreia do Norte, o maior perseguidor do cristianismo no mundo, a Arábia Saudita nem sequer se preocupa em fingir liberdade religiosa.

Não existem igrejas “falsas” para observadores internacionais. Na verdade, não existem igrejas de verdade. Mas ainda há mais de dois milhões de cristãos no país, a grande maioria trabalhadores migrantes de países mais pobres.

O relatório cita o caso de um cristão no país, “Nicolas”, um cristão nascido no exterior que tem a sorte de estar entre os mais abastados da sociedade. Nicolas, e outros como ele, ocasionalmente conseguem frequentar cultos em consulados estrangeiros ou se reunir em particular em suas casas.

Para os imigrantes cristãos mais pobres, no entanto, as batidas policiais em tais reuniões representam um risco real.

A situação para os sauditas de qualquer classe social é ainda mais grave. É impossível ser cidadão saudita sem ser muçulmano. A conversão ao islamismo é oficialmente punida com a pena de morte, embora isso nunca tenha sido executado.

A pressão social e legal é tanta que Nicolas disse nunca ter encontrado um cristão saudita: “Tenho certeza de que, se houver algum, vive em completo segredo ou tenta sair do país e pedir asilo no exterior.”

Nicolas também relatou incidentes em que a polícia religiosa confiscava cruzes, interrogava pessoas com Bíblias e, em uma ocasião, espancou e cortou à força o cabelo de um muçulmano que tinha cabelos compridos.

Desde as reformas de 2016, a polícia religiosa já não consegue impor a moral islâmica de forma tão direta – mantém apenas a autoridade para “observar e denunciar”.

Como afirma o relatório, “Os dias de glória das autoridades violentamente justas parecem ter chegado ao fim. Mas a Arábia Saudita continua sendo um reino da sharia, o que significa que é melhor manter a fé cristã discretamente e esconder as cruzes.” 

Folha Gospel com informações de The Christian Today

Igreja é demolida e 4 fiéis são presos na China

A Igreja Yazhong foi coberta por lonas e a cruz foi retirada. (Foto: ChinaAid).
A Igreja Yazhong foi coberta por lonas e a cruz foi retirada. (Foto: ChinaAid).

Um templo cristão de múltiplos andares, conhecido como Igreja Yazhong ou Yayang, foi completamente demolido na cidade de Wenzhou, província de Zhejiang, China. A ação, orquestrada pelo Partido Comunista Chinês (PCC), intensifica a perseguição a comunidades religiosas não registradas no país.

A organização ChinaAid, dedicada ao apoio a cristãos perseguidos, reportou que a demolição ocorreu após o templo se recusar a cumprir determinações governamentais, como a instalação da bandeira chinesa em suas instalações.

Em dezembro do ano passado, autoridades locais já haviam demonstrado sua intenção de controle ao prender 103 membros da congregação e assumir a posse do edifício. Nas semanas que antecederam a demolição, o acesso à Igreja Yazhong foi restrito com postos de controle e a cruz do templo foi removida, sendo o prédio posteriormente coberto por lonas pretas. Durante o ato final de destruição, quatro membros foram detidos, incluindo You Ci’en, e fontes locais indicam que fiéis que tentam relatar os fatos continuam sob vigilância e interrogatório policial.

A perseguição à Igreja Yazhong se intensificou em junho do ano passado, quando funcionários do governo invadiram o local, derrubaram parte do muro externo e instalaram um mastro para a bandeira chinesa, o que gerou protestos da comunidade cristã. Bob Fu, presidente da ChinaAid, comentou sobre a motivação por trás dessas ações, afirmando que “Qualquer igreja que não queira se submeter ao poder estatal — mesmo sem ter qualquer envolvimento político — o Partido Comunista Chinês sente que precisa silenciar e até destruir”.

A cidade de Wenzhou, apelidada de “Jerusalém da China” devido à sua expressiva população cristã, tem sido palco de um aumento na repressão governamental nos últimos meses. “Meus irmãos e irmãs na fé se mantiveram firmes por tanto tempo. Mais do que a perda de um prédio de igreja, lamento como o PCC reprimiu esta área conhecida por seus cristãos fiéis e os oprimiu cada vez mais dia após dia”, declarou Bob Fu.

Ele acrescentou um apelo à comunidade global, expressando que “nossas orações não foram reduzidas a escombros. Que essa perda desperte a Igreja global para o que está acontecendo na China, um grande conflito entre fiéis e o poder do Estado”. A China figura em 17º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas, refletindo o cenário desafiador para os cristãos no país.

Folha Gospel com informações de ChinaAid

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