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Rádio cristã sai do ar por causa de ataques criminosos

Cerca de 85 mil pessoas ouviam fielmente a Rádio Nova Visão em Nogales, Sonora, no México. De vez em quando a emissora alcançava o primeiro lugar de audiência.

A rádio era dirigida por Hector Manuel Lopez Delgado, advogado e pastor do Centro Cristão Rios de Água Viva e líder do ministério evangelístico internacional A Unção. O ministério no rádio começou em fevereiro de 2002, operando 24 horas por dia em ondas médias (1130 am), com 1.100 watts de potência. O ministério era sustentado por ofertas.

O México não permite que igrejas possuam estações de rádio ou televisão, embora haja esperança de que o próximo governo possa mudar a lei.

O forte impacto espiritual de seus programas, incluindo apenas músicas cristãs das 19h30 até às 6 horas da manhã, atraiu toda a comunidade, incluindo criminosos. Bilhetes anônimos começaram a aparecer grudados no carro do pastor, avisando-o para “tomar cuidado”. Também surgiram mensagens como: “As coisas ficarão piores para você e sua família”.

Ameaças e ofensas por telefone se tornaram comuns.

Milagres pelo rádio

O pastor decidiu diminuir o tom dos programas no rádio, ter o carro vigiado, tentar viajar em companhia de outro pastores e manter-se longe de problemas.

Os programas de rádio ajudavam as pessoas a resistir ao mal. Os ouvintes frequentemente ligavam para pedir oração pelas necessidades da comunidade, por cura, por proteção contra bruxaria e outras práticas de ocultismo. O pastor Hector Lopez disse que eles viam milagres – pessoas curadas de câncer e cegos com a visão restaurada.

Os ataques começaram a ficar mais sérios. Em 2005, por duas vezes, alguém subiu até o morro onde estava o transmissor e destruiu todos os cabos e antenas. Nas duas ocasiões a estação ficou fora do ar por uma semana. Tentando ser generosos, os cristãos acharam que talvez alguém quisesse roubar os cabos por causa do cobre.

Tentativa de assassinato

Certa noite o pastor estava deixando a igreja com seus três filhos, a esposa e outro cristãos quando um homem alto e forte empurrou-o por trás, jogando-o no chão. Ele tinha intenção de matar o pastor Hector Lopez, conforme confessou posteriormente. Os cristãos começaram a orar e finalmente conseguiram dominar o homem, que começou a fazer espuma com a boca e a tremer, aparentemente possuído por forças espirituais.

Os inimigos colocaram a vida do pastor a prêmio com a intenção de destruir o ministério no rádio, a igreja, e sua influência. Preocupados, os membros da igreja formaram grupos de jejum e oração.

Em 16 de junho veio o golpe fatal. Vândalos voltaram ao transmissor com machados e outras ferramentas e destruíram totalmente as instalações. A Rádio Nova Visão estava definitivamente fora do ar.

Quando os cristãos foram denunciar o ataque junto às autoridades, disseram a eles que “os outros ataques definitivamente não foram para roubar o cobre”.

Ex-perseguidor

Certa vez, quando o pastor Hector Lopez estava do outro lado da fronteira, em Nogales, Arizona, ele recebeu um telefonema anônimo em seu celular dizendo: “Sabemos que um grupo de traficantes e satanistas está contra você”.

O pastor disse que sua paixão por pregar o evangelho veio do fato de ele ter perseguido a igreja por muitos anos; descrevendo-se como “perverso e terrível”, ele contou que se tornou cristão há 20 anos, depois que foi milagrosamente curado de câncer.

Em 1992, ele deu início ao Rios de Água Viva no lado mexicano da fronteira; do outro lado, ele começou um ministério norte-americano equivalente: A Unção.

Por enquanto, sua Rádio Nova Visão foi silenciada.

Fonte: Portas Abertas

Conselho Nacional Evangélico saúda o novo governo em carta pastoral

O Conselho Nacional Evangélico do Peru (CONEP) saudou o presidente Alan García e expressou esperança de que o novo governo assuma o compromisso de “velar pelo bem comum, administrar a justiça e restituir a dignidade dos peruanos e peruanas, especialmente dos pobres e excluídos”.

O CONEP disse que o governo recebeu o mandato para abordar as tarefas pendentes e impostergáveis para o fortalecimento da democracia, incluindo em sua agenda política a luta contra a corrupção e a pobreza, a igualdade entre os peruanos e a atenção às vítimas da violência.

“O país necessita com urgência de um efetivo rearmamento moral”, sustentou o CONEP em carta pastoral emitida na quinta-feira, assinada por Rafael Goto Silva e Víctor Arroyo Cuyubamba, respectivamente presidente e secretário executivo dessa organização. Ela entende que para atacar a corrupção devem prevalecer relações sociais, econômicas e políticas transparentes.

“Fazemos um chamado para que o governo assuma uma liderança efetiva neste sentido, e concretize uma vontade política para executar com eficácia as medidas que se requeiram”, afirmam na carta.

O documento alerta que a pobreza é um assunto do Estado, mas também da sociedade civil. “É necessário estabelecer políticas eficazes que busquem reduzir a pobreza e as grandes brechas que existem na nossa sociedade entre ricos e pobres”, instou o CONEP. O organismo evangélico também advogou uma postura ética que supere “as indiferenças” e o “individualismo egocêntrico” frente à pobreza.

O CONEP animou o governo do presidente García a “exercer uma liderança política que impulsione no país uma democracia onde não existam nunca mais cidadãos e cidadãs de primeira, segunda ou terceira categoria”, para que “ninguém se sinta estrangeiro em sua própria terra”, nem tenha espaço qualquer tipo de discriminação por idéias, idade, sexo, cultura, religião ou condição social.

A carta pastoral destacou a necessidade de se fazer justiça para os que sofreram violência política. “É preciso fazer justiça aos que foram vítimas da violência. É preciso reparar o que deve ser reparado no nome de Deus, e por uma ação plena e autêntica de reconciliação”, demandou o CONEP.

Fonte: ALC

Grupos judeus querem Mel Gibson fora de Hollywood

O agente de Mel Gibson (foto), de 50 anos, que foi preso por dirigir embriagado e em alta velocidade, disse que o ator procurou tratamento para a sua batalha contra o álcool. “Mel entrou em um programa de reabilitação” disse Alan Nierob ao The showbuzz.com site sobre show business da rede CBS americana.

“Ele está tentando permanecer vivo”, afirmou Nierob sem especificar o nome da clínica onde o ator estaria internado.

Segundo informou a polícia, o nível de álcool no sangue de Gibson no momento de sua detenção às 2h36 da última sexta-feira em Malibu, nos Estados Unidos, era de 0,12%, quando o limite legal é de 0,08%. Ele dirigia seu Lexus LS, onde foi encontrada uma garrafa de tequila, a mais de 140 quilômetros por hora, em um local onde o limite de velocidade era de 72 quilômetros por hora.

Grupos judeus querem expulsar de Hollywood o ator Mel Gibson, que supostamente fez comentários anti-semitas quando detido por policiais segundo publicou o Haaretz, um dos mais importantes jornais de Israel.

O ator norte-americano, que foi liberado da prisão depois de pagar multa de US$ 5 mil, emitiu um longo comunicado no sábado pedindo desculpas por ter dito coisas horríveis ao delegado quando foi preso. “Eu agi como uma pessoa completamente fora do controle, disse coisas que não acredito que sejam verdadeiras, coisas desprezíveis”.

A Liga dos EUA Contra a Difamação considerou o pedido insuficiente e quer que Gibson seja gravemente punido. “Parece que a combinação de alguns drinks e a prisão revelou seu verdadeiro caráter”, declarou Abraham H. Foxman, diretor da Liga Contra a Difamação. “O único jeito de combater intolerantes é estabelecer um preço para a intolerância”, acrescentou ele. “Se Gibson realmente fez comentários anti-semitas seus colegas terão que se distanciar dele”.

“Isto é como um desastre nuclear para ele”, disse o agente Michael Levine, que já representou Michael Jackson e Charlton Heston, entre outras personalidades hollywoodianas. “Eu não vejo como ele poderá ser reabilitar”.

Gibson que é ator e diretor de cinema, ganhou um Oscar por Coração Valente (1995). O último filme que dirigiu foi o polêmico A Paixão do Cristo (2004), que causou polêmica com grupos religiosos, especialmente os judeus. Atualmente conclui as filmagens de Apocalypto, produção que é rodada em dialeto maio e que deve ser lançada em dezembro. O ator estrelou filmes como Máquina Mortífera, Mad Max, Do que as Mulheres Gostam e Homem Sem Rosto, entre outros.

As declarações de Gibson

O site de entretenimento TMZ postou os comentários anti-semitas feitos supostamente por Gibson quando foi preso. De acordo com o site, o ator teria dito: “Os judeus são responsáveis por todas as guerras que já aconteceram no mundo” e então teria perguntado para o policial James Mee “você é judeu?”.

O policial James Mee, que prendeu Gibson, disse à AP que considerava sua prisão um ato rotineiro, e que não levaria quaisquer comentários feitos pelo ator à sério. Mee disse que não se sentia bem em relação ao dano causado à imagem do ator, mas que esperava que Gibson pensasse duas vezes antes de beber e dirigir. “Eu não desejo arruinar sua carreira”, disse Mee.

O porta-voz de Gibson, Alan Nierob, não quis comentar sobre o incidente por escrito. O porta-voz do delegado do município de Los Angeles, John Hocking, disse que não podia confirmar os depoimentos postados no site TMZ, garantindo que o caso está sendo investigado.

Opinião da Disney, produtora de “Apocalypto”

Segundo a Associated Press, Gibson parece preocupado com a Walt Disney, companhia que distribui seu novo filme, Apocalypto, e com a ABC, rede de televisão que tem parceria com a empresa de Gibson para produzir uma minissérie sobre o holocausto.

Executivos da Disney disseram que não vão comentar sobre o futuro do novo projeto. Entretanto, segundo o blog de Kim Masters, no site da revista Slate, Oren Aviv, o diretor de marketing que se tornou o novo presidente dos estúdios Disney, de origem judaica, disse que “ele está preparado para perdoar a esquecer”.

Apesar da prisão de Gibson em Malibu, Apocalypto deve ser lançado em 8 de dezembro nos Estados Unidos.

Tratamento preferencial

O jornal Los Angeles Times publicou em seu site neste sábado que, enquanto o departamento investiga o caso, as autoridades vão oferecer a Gibson um tratamento preferencial e vão tentar encobrir o comportamento do ator. O delegado Lee Baca defendeu seu departamento. “Ninguém vai encobrir nada”, disse ele ao New York Times. “Julgar alguém por boatos ou insinuações não é uma investigação, ao menos não uma investigação feita com integridade”, afirmou ele.

“Eu tive sorte de ter sido detido antes que pudesse causar danos a outras pessoas”, declarou Gibson. “Eu decepcionei a mim mesmo e a minha família por meu comportamento e por isso estou extremamente arrependido. Eu tenho lutado contra o alcoolismo por toda a minha vida adulta”, disse o ator, assumindo problemas com bebidas alcoólicas.

Esta é a segunda vez que Gibson é detido por dirigir sob o efeito do álcool. A primeira aconteceu há mais de 20 anos, nos anos 90, no Canadá, quando Gibson rodava com Diane Keaton o filme Mrs. Soffell – Um Amor Proibido. Após sua primeira detenção, Gibson passou a freqüentar o Alcoólicos Anônimos.

Antiga polêmica com os judeus

Também não é a primeira vez que Mel Gibson cria polêmica com os judeus. O filme dirigido por ele em 2004, A Paixão de Cristo, que relata as 12 últimas horas da vida de Cristo, ocupou espaço na imprensa durante quase um ano antes de sua estréia. Os judeus protestaram contra a versão da morte de Cristo proposta pelo filme, ao colocar a culpa pela crucificação de Cristo nos judeus e não nos romanos, incentivando um sentimento anti-semita.

Nos Estados Unidos, dois importantes líderes judeus assistiram ao filme um mês antes da estréia naquele país, ocorrida em 25 de fevereiro de 2004. O rabino Marvin Hier, reitor do Centro Simon Wiesenthal, e Abraham Foxman, diretor nacional da Liga Antidifamação, pediram a retirada de uma cena em que o líder judeu Caiaphas chama uma maldição para o povo judeu declarando, sobre a crucificação: “Que seu sangue caia sobre nós e nossas crianças.”

No Evangelho de São Mateus, essa frase é creditada a uma multidão de judeus pedindo a morte de Cristo, mas foi repudiada pelo segundo Concílio do Vaticano, em 1965. Gibson, que pratica uma forma tradicionalista do catolicismo romano, não reconhece as reformas feitas na década de 60.

Logo após a estréia de A Paixão de Cristo nos Estados Unidos, em 28 de fevereiro, um dos grandes rabinos de Israel, Yona Metzger, solicitou a intervenção do papa João Paulo II para condenar o polêmico filme e evitar manifestações contra o povo judeu. Aqui, a Confederação Israelita do Brasil e a Federação Israelita do Estado de São Paulo divulgaram nota oficial, em 12 de março de 2004, protestando contra o filme.

A Paixão de Cristo não foi exibido em Israel, pois os distribuidores de cinema locais se recusaram a comprar os direitos de exibição, segundo publicou o jornal Washington Times, lembrando que justamente “na terra onde dois mil anos atrás ocorreram os fatos dramatizados pelo filme”, ele não seria exibido. Apenas o diretor da Cinemateca de Tel Aviv, Alon Garbuz, mostrou interesse, na época, em exibir o filme seguido de um debate.

Fonte: Estadão

Pastor casa lésbicas em boate gay em Goiânia

Um casamento entre duas mulheres foi realizado no domingo à noite em Goiânia. Ana Paula Silva, 25, e Katiane Freire da Silva, 23, receberam as “bênçãos” de um “pastor” e assinaram também um contrato de união estável.

A cerimônia acontece justamente em um mês especial para o Grupo Lésbico de Goiás (GLG), que organiza até o final de agosto uma série de eventos para comemorar o Mês da Visibilidade Lésbica no Estado.As leis brasileiras não permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo assim, em todo o Brasil, casamentos homossexuais são realizados. A forma encontrada é o contrato de parceria civil.

Segundo a advogada Helena Caramaschi, que trabalha com homossexuais que querem se casar, o contrato de união civil, assinado ontem pelas noivas, é aceito pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e planos de saúde. “Ele é um documento que serve para fins de previdência e herança”, explica.O documento serve também para prevenir problemas após separação ou morte de um dos cônjuges. “Muitas famílias que nem consideravam a pessoa como filho, por ser homossexual, após a sua morte, querem ter o direito sobre seus bens”, explica a advogada.

Helena conta que já realizou dez casamentos de homossexuais com este tipo de contrato em Goiânia, 90% entre homens. Segundo ela, todos foram feitos nos dois últimos anos e a tendência é de que existam mais. “As pessoas estão realmente buscando o que querem”, diz.

De acordo com o pastor Patrick Thiago, da Igreja Comunidade Cristã (ICM), de Brasília, que celebrou a cerimônia, a maioria dos casamentos acontece mesmo entre homens. “Esta é a primeira vez que celebro para mulheres”, conta.

Katiane explica que isso se deve porque as mulheres têm mais medo de magoar a família. “Eu mesmo passei muito tempo assim. Mas chega uma hora que não dá mais”, acredita. Sobre sua relação com a família, ela conta que foi preciso manter uma certa distância. “Eles não me visitam e eu não visito eles”, diz. Mas nem por isso ela se sente sozinha. “Tenho ao meu lado uma companheira ótima e isso é o que vale”, atesta.

Vestida de fraque e muito nervosa antes da cerimônia, Ana Paula dizia estar realizando um sonho. “Penso nisso desde quando começamos a morar juntas, o que aconteceu um dia após nos conhecermos”, revelou.

Fonte: Jornal Floripa

Alan García participa de culto evangélico

O presidente do Peru, Alan García, participou, sábado, 29 de julho, de culto de ação de graças em templo da Aliança Cristã e Missionária, em Lima, capital de Peru, pelos 185 anos da proclamação da independência do país.

O culto festivo foi preparado por comitê de pastores de diferentes igrejas, num feito sem precedentes em 120 anos de presença evangélica no Peru.

A celebração adquiriu maior notoriedade, pois tratou-se da segunda atividade pública do presidente desde sua posse, na sexta-feira passada. A primeira foi o Desfile Cívico Militar. Os dois acontecimentos foram transmitidos ao vivo pela televisão para todo o país.

Antes de ir ao templo, no distrito limenho de Pueblo Libre, García entrevistou-se com o cardeal e arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani, talvez para evitar que se aprofunde o clima de mal-estar do episcopado católico.

Pouco depois de García confirmar participação em templo evangélico, na terça-feira passada, o presidente da Conferência Episcopal Peruana, dom Miguel Cabrejos, disse que a notícia não o alegrava, pois o Peru estabelecera a tradição católica do Te Deum, celebrado a cada 28 de julho, dia da independência nacional.

García assistiu a cerimônia no templo evangélico acompanhado pelo presidente do Conselho de Ministros, Jorge del Castillo, e pelos ministros da Defesa, Allan Wagner, do Interior, Pilar Mazzetti, dos Transportes e Comunicação, Verônica Zavala, do Comércio Exterior, Mercedes Aráoz, da Saúde, Carlos Vallejos, e da Educação, José Antonio Chang.

Também participaram da celebração evangélica a presidenta do Congresso, Mercedes Cabanillas, que integra a Igreja Bíblica Emmanuel, parlamentares de diversos partidos, o embaixador dos Estados Unidos, James Curtis Strubble, e o presidente do partido Restauração Nacional, pastor Humberto Lay Sun.

Mais de dois mil líderes evangélicos, mas com a notória ausência dos diretores do Conselho Nacional Evangélico (CONEP), estiveram no culto, que teve cânticos de louvor e orações de intercessão pelo país e pelas autoridades recém instaladas.

O pastor Miguel Bardales, da Igreja Bíblica Emmanuel e principal gestor da aproximação entre o presidente García e a comunidade evangélica, agradeceu a presença das autoridades e disse que esse momento era uma resposta às orações de milhares de homens e mulheres no país.

Na reflexão bíblica, Bardales destacou a importância de amar a Deus sobre todas as coisas, obedecer aos seus princípios e ser temente a Ele, mas também de mostrar solidariedade ao próximo. Ele conclamou os participantes a se converterem para Deus e aceitar que Jesus é o próximo. “Somente mudando a cada um se poderá mudar o país”, disse.

Ao término da celebração, duas crianças entregaram uma Bíblia ao presidente García, que mostrou-a à congregação em meio à ovação.

Fonte: ALC

Oriente Médio: Ataque de Israel mata 37 crianças

Criança morta sendo carregadaUm ataque aéreo de Israel matou neste domingo pelo menos 54 libaneses, incluindo 37 crianças, na cidade de Qana -a mesma onde um bombardeio israelense matou mais de cem civis, em 1996. Foi o maior ataque em número de mortos desde o início do conflito, iniciado depois que o grupo terrorista Hizbollah seqüestrou dois soldados israelenses, em 12 de julho.

O governo israelense lamentou o episódio e decidiu suspender os bombardeios no sul do Líbano por 48 horas, até que o Exército conclua um inquérito sobre o ocorrido em Qana. As autoridades, falando em condição de anonimato por não terem sido autorizadas a dar declarações à imprensa, disseram que a pausa deveria começar “imediatamente”.

O bombardeio provocou protestos na Europa e em países muçulmanos, fez crescer os apelos internacionais por um cessar-fogo e provocou a suspensão das negociações iniciadas no sábado na região pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. O governo libanês, que acusou Israel de “terrorismo”, deixou claro que ela não seria bem-vinda a Beirute ontem, onde tinha uma visita planejada.

Durante todo o dia, equipes de socorro às vítimas em Qana, que fica a 85 km de Beirute e a 11 km da fronteira israelense, removiam com as próprias mãos os escombros do edifício de três andares, em cujo porão estavam mais de 60 refugiados. Eram membros de duas famílias que se escondiam ali em busca de proteção, por não poderem pagar um táxi para deixar Qana.

No resgate, corpos de crianças cobertos por poeira eram retirados de baixo dos escombros de concreto. Os últimos corpos a ser retirados dos escombros eram justamente os menores -às vezes intactos, mas com os pulmões destruídos pela forte corrente de ar do bombardeio.

Muitos morreram enquanto dormiam. “Por que atacaram crianças de um, dois anos, e mulheres indefesas?”, perguntava Mohamed Samai, que estava no local.

Os corpos foram enrolados em plástico e levados para uma tenda. Flores eram colocadas ao lado dos cadáveres. Duas escavadeiras, uma delas fornecida pela ONU, também eram usadas no resgate, mas os membros das equipes de ajuda diziam precisar de mais equipamentos para a remoção dos escombros.

Segundo testemunhas, no início da madrugada de ontem houve duas explosões no prédio. Os sobreviventes da primeira, desesperados, corriam de um lado para o outro, até que houve a segunda explosão. Foram encontrados oito sobreviventes, com ferimentos.

“Deus é grande”, murmurava um policial que levava nos braços um menino de no máximo dez anos, coberto por poeira e com nariz e ouvidos ensangüentados.
O resgate seguia, enquanto jatos israelenses continuavam sobrevoando a cidade.

Desacordo

A suspensão dos sobrevôos israelenses no sul do Líbano foi anunciada pelo porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Adam Ereli. Segundo ele, Israel manteve o direito de atacar se souber de ataques preparados contra o Estado.

Em Jerusalém, o porta-voz do Exército israelense disse não saber nada sobre um acordo para suspender temporariamente os ataques aéreos ao Líbano.

Um membro do Departamento de Estado disse, sob condição de anonimato, que Condoleezza Rice já estava negociando um acordo como esse antes do ataque a Qana.

Uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi convocada na manhã de ontem, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, instou o conselho a condenar o ataque e a pedir o fim imediato das hostilidades.

O premiê israelense, Ehud Olmert, “lamentou profundamente” o bombardeio, mas garantiu que a guerra contra o Hizbollah continuaria. Ontem, o premiê israelense disse a Rice que o Exército de seu país precisaria de entre dez e 14 dias para apertar a ofensiva contra o Hizbollah, segundo um porta-voz do governo.

A raiva tomou conta do Líbano e do mundo árabe. Manifestantes chegaram a promover quebra-quebra diante do prédio da ONU no centro de Beirute. O premiê libanês, Fouad Siniora, disse que não negociaria antes de um cessar-fogo.

O Hizbollah prometeu retaliação. “Esse massacre terrível não vai ficar sem resposta”, declarou. O grupo extremista palestino Hamas também prometeu ataques a Israel.

Pelo menos 561 pessoas foram mortas no Líbano desde o início do conflito, a maioria civis. Em Israel, os mortos são 51.

Mundo condena pior ataque de Israel no Líbano; veja repercussão

A comunidade internacional condenou o ataque mais violento desde o início da guerra não declarada entre o grupo terrorista libanês Hizbollah e Israel. Ao menos 56 pessoas morreram nos bombardeios contra o vilarejo de Qana na madrugada deste domingo. Dentre as vítimas, 37 eram crianças, segundo fontes da polícia libanesa e das equipes de resgate.

Líderes da França, Espanha, Alemanha, Egito, Brasil, Jordânia e outros países condenaram os ataques, pedindo cessar-fogo imediato. “A França condena essa ação injustificável, que mostra mais do que nunca a necessidade de um cessar-fogo”, disse um comunicado do presidente francês Jacques Chirac.

O representante das Relações Exteriores da União Européia, Javier Solana, afirmou em um comunicado que “nada pode justificar” a morte de civis inocentes.

“Estou instruindo o Ministro das Relações Exteriores [Celso Amorim] no sentido de que o Governo brasileiro apóie o apelo de Vossa Excelência para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas imponha cessar-fogo imediato ao conflito. Estou profundamente chocado, indignado e consternado”, disse Luiz Inácio Lula da Silva por meio de nota.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, classificou como “irresponsável” o bombardeio. Na nota, o presidente egípcio voltou a pedir um imediato cessar-fogo na guerra não declarada entre Israel e o Hizzbolah.

“Não é possível calar sobre isso (…). O silêncio equivaleria ao silêncio que guardaram durante muito tempo personagens e Estados frente à irracionalidade do nazismo, ao silêncio cúmplice diante do genocídio cometido contra o povo judeu”, disse o vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, em comunicado.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, acusou Israel de ter cometido um crime em Qana, no sul do Líbano, e pediu à ONU que instaure um cessar-fogo imediato.

Washington pediu a Israel que “tenha mais cuidado”, mas não mencionou um cessar-fogo imediato após o massacre, classificado como “incidente trágico e terrível” em comunicado do porta-voz da Casa Branca, Blair Jones.

O rei Abdullah, da Jordânia, tradicional aliado dos Estados Unidos e um dos poucos países árabes que mantém relações com Israel, disse que o ataque foi um “crime horrível” e uma gritante violação da lei internacional.

A secretária de relações exteriores do Reino Unido, Margaret Beckett, disse que a morte dos civis era “pavorosa” e reafirmou que o governo britânico defendia uma resposta proporcional de Israel ao Hizbollah.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), por sua vez, que convocou reunião de emergência para domingo, disse ser necessário “que o Conselho [de Segurança] tome medidas para evitar que a situação se torne incontrolável e a escalada de violência se espalhe.”

Países do Norte da África também manifestaram sua condenação ao ataque de Qana. A Argélia chamou o bombardeio de “ato criminoso”, a Tunísia de “massacre horrível” e o Marrocos pediu uma grande ação da ONU para encerrar o conflito.

O Papa Bento 16 também pediu, durante a benção do Angelus, um cessar-fogo imediato no Oriente Médio. “Em nome de Deus me dirijo a todos os responsáveis por esta espiral de violência, para que as armas sejam depostas imediatamente por todas as partes”, disse em Castel Gandolfo, a residência de verão dos papas, perto de Roma.

Na manhã de ontem, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou estar “profundamente triste com a terrível perda de vidas inocentes”. “Queremos um cessar-fogo o mais rápido possível”, afirmou Rice, que teve sua visita ao Líbano cancelada.

Qana: sinônimo de massacre e local polêmico de um milagre de Jesus

A cidade de Qana no sul do Líbano, onde pelo menos 57 pessoas, dentre elas 37 crianças, foram mortas neste domingo em um bombardeio israelense, é há dez anos sinônimo de massacre de civis libaneses em confrontos entre Israel e o Hezbollah.

Durante a operação armada israelense no Líbano, denominada “Vinhas da ira”, dirigida contra o movimento xiita, vários obuses israelenses atingiram em cheio, no dia 18 de abril de 1996, um abrigo da ONU do contingente fijiano da Força interina das Nações Unidas no Líbano (Finul). O ataque deixou 105 mortos, entre eles vários civis que se refugiavam no local.

Esta matança marcou uma reviravolta na ofensiva. Diante da reprovação do mundo inteiro e dos incessantes apelos pelo fim das hostilidades, um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah foi concluído em 26 de abril.

O cessar das hostilidades estabelecia que os beligerantes, o Exército israelense e sua milícia complementar, o Exército do Líbano Sul (ALS) além dos grupos anti-israelenses, principalmente o Hezbollah, não poderiam realizar ataques contra ou a partir de zonas habitadas para que os civis fossem poupados.

A operação “Vinhas da Ira”, desencadeada no dia 11 de abril de 1996, que registrou cerca de 600 incursões aéreas israelenses e o disparo de 23.000 obuses, deixou em 16 dias 175 mortos e 351 feridos, civis em maioria.

Um relatório da ONU concluiu que o bombardeio a Qana teria sido provavelmente deliberado.

A Cidade de Qana-al-Jalil, ao sul da cidade de Tiro e a 85 km de Beirute, é para os libaneses o local das “Bodas de Canaã”, onde Jesus realizou seu primeiro milagre, transformando a água em vinho durante um casamento.

Uma prova da existência de Jesus Cristo seria uma gruta onde teria descansado, e as rochas nas quais estão esculpidas figuras humanas.

Para Israel, entretanto, o local bíblico mencionado no Evangelho de São João se situa em uma cidade homônima na Galiléia, próxima de Nazaré, a cidade onde Jesus Cristo passou a infância.

As pesquisas dos arqueólogos e estudiosos dos textos bíblicos fizeram pesar a balança em favor da tese israelense.

O apelo do xeque xiita de Qana, Jaafar Sayegh, pela construção de uma mesquita no suposto local do milagre, em 1994, forçou o Exército libanês a intervir para proteger o lugar.

Fonte: Folha de São Paulo e AFP

Psicóloga diz que figura do pai não é imprescindível para meninos

Quem considera que a figura do pai é imprescindível para o pleno desenvolvimento dos meninos está enganado, pelo menos é o que afirma Peggy Drexler, psicóloga americana que realizou uma extensa pesquisa sobre o assunto.

A autora de “Raising Boys Without Men” (Criando meninos sem homens), que será lançado em edição de bolso nos EUA em outubro após fazer muito sucesso, acompanhou durante 10 anos mais de 60 famílias, 30 delas formadas por mulheres que decidiram ser mães solteiras.

As conclusões da psicóloga contradizem as posições de alguns sociólogos, grupos religiosos e analistas.

Drexler diz que seu estudo demonstra que a moralidade e a masculinidade de um menino podem ser cultivadas sem que o pai conviva com ele.

Segundo a autora, as crianças descritas no livro possuem uma mistura de agressividade saudável e empatia que não é observada em todos os filhos de famílias que contam com mãe e pai.

A psicóloga acredita que as mães de seu livro têm a oportunidade de criar um tipo diferente de homem, forte e sensível, capaz de entender que as emoções são valiosas.

A especialista afirma que existe um grupo muito barulhento nos EUA que diviniza a família tradicional, porém “o que conta é a qualidade da criação dos filhos, não o número ou o sexo dos pais”.

“Às vezes, para um pai – ou uma mãe – jantar com seus filhos é um melhor indicador de como serão quando forem mais velhos, do que a quantidade ou o sexo dos pais na mesa”, declarou.

Drexler afirmou que as protagonistas de “Raising Boys Without Men” são mulheres educadas, de renda estável, mais velhas que a média das mães e que têm informações sobre como criar uma criança.

A professora de psicologia da Universidade de Cornell, em Nova York, teve que suportar todo tipo de acusações por causa de suas idéias e chegou a consultar uma companhia de segurança por causa da agressividade de algumas das mensagens que recebeu.

Houve quem a aconselhou a se mudar para a Europa, aqueles que a chamaram de “abominável” e acusações de odiar os homens e de promover a causa gay.

Entretanto, Drexler, mãe de dois filhos – uma menina de 12 anos e um jovem de 26 – e casada há 36 anos com o mesmo homem, diz que seus motivos foram bem diferentes do ódio pelo sexo oposto.

“Existe nos EUA a percepção de que a maior parte dos meninos americanos cresce em famílias com pai e mãe, porém na realidade menos de 23% dos lares estão dentro desta categoria”, declarou a professora universitária.

Segundo os últimos números do censo, há cerca de oito milhões de mulheres criando seus filhos sozinhas e há pelo menos outras 100.000 famílias com duas mães lésbicas.

Segundo a psicóloga, “criar um filho sozinha é difícil para qualquer mulher, mas existe uma preocupação especial no caso das mães com meninos”.

O que a autora quis comprovar é se a preocupação tinha justificativa.

“Existe a percepção de que um menino precisa de um homem no quarto da mãe para se transformar em homem. Queria ver se isto é verdade, pois o número de mães solteiras ou divorciadas aumentou de 3 milhões em 1970 para cerca de 8 milhões atualmente”, disse à Efe a psicóloga da Universidade de Cornell.

A autora afirmou que “os homens são muito importantes para os meninos, porém os que não os encontram em casa podem descobri-los na sociedade a seu redor”.

“Há vários modelos, bons e maus, na escola, nas áreas de lazer, nos livros e na televisão, que um menino pode descobrir. Nenhuma família pode oferecer todos os modelos”, declarou a psicóloga nova-iorquina, que apesar das críticas também encontrou admiradores.

Entre os que entraram em contato com ela após a publicação do livro está a mãe do ciclista americano Lance Armstrong, que criou o campeão sozinha.

Fonte: EFE

Homem encontra bíblia de 188 anos no lixo

O eletricista Michael Hoskins sempre dá uma olhada no lixo alheio antes de largar o seu, e recentemente foi recompensado. O homem encontrou uma bíblia de 188 anos em Danville, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, e já tem ofertas de até US$ 1 mil.

“Eu vou lá toda hora para largar meu lixo, e lá estavam. Haviam três ou quatro caixas de livros. Achei a bíblia em quatro pedaços, os juntei e levei para casa”, disse Hoskins.

Razoavelmente intacta, a bíblia tinha marcas de fogo e água em algumas páginas. O livro, encadernado com pele de cabra, foi publicado em Pittshburgh em 1818 e, de acordo com as pesquisas de Hoskins, existem menos de seis cópias no mundo.

Com a notícia de sua descoberta se espalhando, Hoskins já recebeu dezenas de ofertas, todas as quais resistiu. “Esta bíblia já passou por muito. Eu vou ficar com ela por enquanto. Venderei pelo preço adequado, mas US$ 1 mil não é realista. Não com apenas seis cópias no mundo.”

Fonte: Terra

Empresária que matou ladrão encomenda missa

Traumatizada com a tentativa de assalto que resultou na morte do assaltante e na amputação da perna da companheira dele, a empresária Chrislaine Guedes Mesquita, 26, mandou rezar uma missa em intenção da alma do ladrão.

Ela diz que fecha os olhos e revê a cena: em uma motocicleta, os dois assaltantes tentaram levar sua mochila de dentro do carro. Na confusão, o Fox preto que Mesquita dirigia prensou a moto contra um poste, causando a morte de Luiz Correa dos Santos Filho, 25.

A companheira do assaltante precisou passar por cirurgia para amputar parte da perna esquerda. Presa em flagrante, a jovem de 22 anos está internada na Santa Casa de Santos, sob escolta policial.

Mesquita foi autuada sob acusação de homicídio culposo e lesão corporal culposa. O acidente aconteceu na última segunda-feira, por volta das 10h30, no bairro da Pompéia, em Santos.

Ontem, ela recebeu a reportagem no escritório do advogado criminalista Marcelo Cruz, contratado para cuidar do caso.

“Ando com a mochila presa no braço. Eu senti ela puxar. A mochila prendeu na minha mão porque eu estava segurando o volante. Ela falou: “Dá porque ele vai te matar, ele está armado”. E eu soltei”, contou Mesquita.

Resgate

A empresária disse que não se lembra do momento do acidente. Não sabe dizer se acelerou o automóvel ou se a moto bateu em algum carro parado antes de ser prensada contra o poste.

Ao sair do veículo, machucada, ela não percebeu que os dois ocupantes da moto estavam prensados no poste. “Quando eu vi, a primeira coisa que eu fiz fui gritar pedindo o resgate.”

A empresária afirmou que não havia nada de valor na mochila, apenas pedaços de tecido, moldes e alguns documentos. Ela tem uma pequena confecção em São Vicente e uma loja de roupas de praia e ginástica em Santos.

Por conta do calor, os vidros dianteiros do carro estavam abaixados.

Calmantes

Desde o dia do acidente, Mesquita está dormindo com a ajuda de calmantes.

Ela marcou consulta com um psicólogo e está indo ao médico para cuidar dos ferimentos decorrentes da colisão. O cinto de segurança queimou a pele do tórax, e o impacto da batida provocou hematomas nas pernas e no quadril.

Sem tirar os óculos escuros, Mesquita disse que tem orado mais nos últimos dias. Católica, mandou rezar uma missa em intenção ao assaltante morto.

Leitora de livros espíritas, a empresária prefere não acompanhar a celebração para não atrapalhar as orações pela alma dele.

Além do trauma causado pelo acidente, ela perdeu o carro, que não tinha seguro. “Tudo [me preocupa]”, disse ela. “O que vem para cima de mim, que eu posso pagar por alguma coisa que não foi premeditada. Acho injusto responder por um crime que não cometi. Não foi proposital.”

Para o advogado, há chances de Mesquita, mãe de uma menina de 11 anos, não responder pelos crimes.

“Quem responde pelo resultado é o agente que deu causa à ação. No caso, seriam os dois [assaltantes]”, afirmou Cruz à Folha. “Vamos impetrar um habeas corpus no Tribunal de Justiça para trancar o inquérito policial com relação a ela como autora.”

Fonte: Folha de São Paulo

O partido da fé : Igrejas mobilizam fiéis para as eleições

Alta capacidade de mobilização, comprovada em reuniões semanais ou diárias com milhares de pessoas. Unidade ideológica, já que o rebanho segue quase o mesmo código de conduta e transita num campo ético-filosófico muito semelhante. Igrejas mobilizam fiéis para elegerem deputados federais e estaduais com o objetivo de ampliar seus espaços na administração pública. A religião é o paraíso da política.

Cumplicidade inquestionável com os líderes, que exercem um grande poder de convencimento acerca das principais dúvidas do cotidiano. Para completar, toda essa organização não tem custos. Ou, melhor ainda: na verdade é provável que um eventual apoio do grupo se reverta em dividendos, na forma das tradicionais oferendas.

A religião é o paraíso da política. Sempre foi e continuará sendo, enquanto os homens precisarem referendar representantes para governá-los. O modelo liberal, em qualquer parte do mundo e em qualquer época, nunca conseguiu separar o laico e o eclesiástico em suas entranhas políticas. Assim como o socialismo apenas mitigou a superfície do fenômeno religioso — mesmo adotando atitudes tão dogmáticas quanto seus inimigos do clero. O crescimento vertiginoso da ocupação religiosa sobre o campo político ultrapassa a discussão meramente eleitoral e se torna tema de primeira grandeza para a sociologia contemporânea.

A abertura de mais um processo eleitoral, o sétimo para a eleição de governadores e o quinto para presidente da República desde a redemocratização, é uma nova oportunidade para auferir esse crescente poder de articulação política do universo religioso. Enquanto o mensalão, os sanguessugas e outros escândalos em Brasília motivaram a Igreja Católica a reforçar sua tradicional defesa da ética na política, mantendo-se institucionalmente fora da disputa direta por votos, outras denominações religiosas parecem ter acirrado a disposição de operar nas urnas sem intermediários.

Candidatos proporcionais, que não integram o esquema de trabalho político das igrejas (especialmente os evangélicos), reclamam que enfrentam uma disputa injusta. Como as campanhas têm se profissionalizado cada vez mais, eleição após eleição, é raro encontrar alguma candidatura competitiva que não tenha um planejamento completo, chegando a detalhar o custo unitário dos votos que vão garantir a vitória ou a derrota nas urnas. Para muitos deles, é revoltante imaginar que boa parte do eleitorado de seus adversários não tem custo algum e ainda pode ajudar com doações e trabalho voluntário.

Esse é o tipo de reclamação que pode ser relativizada. É verdade que os fiéis de determinada igreja tendem a votar nos candidatos indicados pelo líder espiritual. Contudo, praticamente todas as denominações religiosas são pródigas operadoras sociais, com programas que freqüentemente se parecem muito com qualquer lista de pedidos assistencialistas que os demais comitês recebem todos os dias. A diferença é que os religiosos fazem esse trabalho durante o ano inteiro e solidificam vínculos afetivos e morais que esses potenciais eleitores não esquecem na hora de votar.

Faro eleitoral — Quando se discute a situação dos candidatos majoritários e a influência religiosa, o problema da competição acontece em outro plano. Os religiosos (especialmente os evangélicos) somente em poucos Estados brasileiros possuem cacife financeiro e eleitoral para bancar um candidato a governador oriundo de suas fileiras. O caso do Rio de Janeiro, com a hegemonia do casal Garotinho se confirmando agora em sua terceira eleição, deve ser analisado à parte, pois ali se encontra o maior contingente de evangélicos do país.

Assim, na maioria das eleições majoritárias, pastores (e outras denominações) trabalham indiretamente a orientação dos votos. Mas isso não representa muito consolo para os candidatos leigos. Dada a natureza das organizações religiosas, que trabalham de forma muito objetiva suas relações com os governos, é possível observar como padrão comum a atrelagem às candidaturas favoritas ou às que estão ligadas à situação. Existem as exceções, que confirmam a regra, mas é muito difícil ver um grupo evangélico, por exemplo, muito tempo na oposição. Por isso mesmo, o apoio desses segmentos costuma ser decidido apenas em estágio adiantado do processo eleitoral, muitas vezes no segundo turno.

Entretanto, depois de feita a opção por determinada candidatura, o escolhido pode comemorar. O faro político dos evangélicos raramente falha. Aos candidatos preteridos pelo comando das igrejas resta trabalhar com os segmentos de oposição, que também existem internamente em cada uma das denominações. Na eleição de Goiânia em 2004, por exemplo, a Assembléia de Deus (maior igreja evangélica do país) tinha alguns de seus principais líderes apoiando tanto Iris Rezende (PMDB) quanto Sandes Júnior (PP).

Este caso específico mostra bem o pragmatismo político dos pastores, uma vez que Iris era o favorito segundo as pesquisas e Sandes, o candidato apoiado pelo governo. Durante a maior parte da campanha, o discurso oficial era o da liberdade democrática: institucionalmente, a igreja deixou o apoio a qualquer um dos candidatos como uma questão aberta. Para os críticos, no entanto, o que aconteceu foi um clássico jogo duplo para garantir benefícios à igreja nos dois campos em disputa. Quando o segundo turno foi definido com a presença do petista Pedro Wilson (diretamente vinculado à Igreja Católica), Iris levou a fatura.

O pragmatismo da Assembléia de Deus

E como serão as eleições de 2006 para os evangélicos? As campanhas eleitorais deste ano enfrentam uma situação diferenciada. No plano geral, será o primeiro pleito após a eclosão de dois dos maiores escândalos políticos da história nacional, o do mensalão e o dos sanguessugas. O plano específico da atuação dos segmentos religiosos na política também não passou incólume. Nacionalmente, o caso mais destacado foi o do ex-bispo da Igreja Universal Carlos Rodrigues, que renunciou ao mandato de deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro após ser flagrado com várias malas recheadas de dinheiro.

Em Goiás, o caso mais notório estourou no final do ano passado, com a denúncia de desvio de verbas públicas na Assembléia Legislativa, por meio da contratação de funcionários-fantasmas. O esquema, segundo inquérito da Polícia Civil, teria como personagens o pastor Abigail Almeida Filho e seu filho Wendel, irmão e sobrinho do presidente da Casa, deputado Samuel Almeida (PSDB), todos vinculados a um dos segmentos religiosos mais representativos do Estado. O parlamentar se disse surpreso com a denúncia, abriu seu sigilo bancário e telefônico às investigações, além de exonerar todos os suspeitos, inclusive seu irmão.

Diante desse quadro de descrédito da atividade política, é natural que o envolvimento direto de igrejas no processo eleitoral passe por adaptações na formulação do discurso que farão à sociedade. O pastor Abigail Carlos de Almeida, pai dos envolvidos no caso citado acima e uma das principais lideranças da Assembléia de Deus em Goiás, por exemplo, está recomendando certo distanciamento das eleições. Por meio de sua assessoria, disse que não se envolverá na campanha deste ano.

Presidente da Convenção das Assembléias de Deus do Ministério Madureira, o que o credencia como a maior liderança do segmento em Goiás, o pastor Oídes José do Carmo pensa diferente do colega Abigail, que é o seu vice. Ele defende uma atitude pragmática durante o processo eleitoral, recomendando aos fiéis que procurem votar nos candidatos majoritários que mais valorizem o trabalho social da igreja. “Temos várias parcerias em projetos sociais e educacionais que precisam ser reconhecidos pelos próximos governantes”, afirmou o pastor.

Segundo Oídes José do Carmo, a defesa da ética na política é uma atitude constante em seu segmento religioso, pois esta seria uma recomendação implícita do cristianismo. “Nem fazemos uma campanha específica quanto à ética (a exemplo da que foi desencadeada pela Igreja Católica neste ano), porque nossa preocupação com esse tema reside em todas as ações do dia-a-dia. Fazer tudo como prescreve as leis é uma busca contínua de qualquer evangélico”, disse o pastor.

Indecisão — A Assembléia de Deus ainda não decidiu qual candidato majoritário apoiará em Goiás. “Estamos conversando com todos eles, procurando fazer a melhor escolha para o futuro da igreja”, afirmou Oídes. Oficialmente, “nos termos da Convenção Nacional das Assembléias de Deus”, completou o pastor, o indicativo seria de declarar apoio ao governador Alcides Rodrigues (PP), candidato à reeleição. Mas, como ele mesmo reiterou, a decisão oficial da igreja em Goiás ainda não foi tomada. “É possível que deixemos para o segundo turno.”

Sobre as campanhas proporcionais, contudo, a questão já foi fechada. O pastor disse que a Assembléia de Deus apoiará a reeleição do deputado federal João Campos (PSDB) e três candidatos a deputado estadual (o próprio Samuel Almeida e seu colega tucano Daniel Messac, além do peemedebista Luís Carlos do Carmo, irmão de Oídes). Esse número de candidaturas não preocupa o pastor. Segundo ele, o último levantamento do IBGE identificou que vivem em Goiás cerca de 1 milhão de evangélicos, sendo que 600 mil estariam vinculados à Assembléia de Deus.

O pastor não concorda com a avaliação de alguns analistas políticos que criticam o segmento evangélico pelo freqüente adesismo. Afinal, estão sempre compondo com os governos, independentemente da cor partidária. Agindo dessa forma, dizem esses analistas, os evangélicos perdem o senso crítico e a oportunidade de agregar valor ao debate político. “A igreja tem uma responsabilidade muito grande diante de seus fiéis e da sociedade. Não perdemos nunca a capacidade de ver e apontar os erros que possam existir na atividade política”, garantiu Oídes.

Em função da abrangência e da importância de seus projetos sociais, o pastor disse acreditar que o posicionamento mais natural da igreja é o de procurar uma composição, e não a oposição. Para provar a independência de seu segmento, comentou que na eleição passada, em Goiânia, a Assembléia de Deus apoiou a candidatura de Iris Rezende, mantendo-se na oposição ao candidato do governo federal (Pedro Wilson) e ao postulante apoiado pelo governo do Estado (Sandes Júnior).

Eleito em 2002 com 61.323 votos, o deputado federal João Campos também disse que não concorda com a pecha de adesista que colou na imagem dos segmentos evangélicos. “Apesar de certos fatos objetivos realmente colaborarem para essa análise, nossa participação na política é sempre pautada pela qualidade”, afirmou. Como exemplo, ele citou a própria experiência como parlamentar. “Fui procurado várias vezes para mudar de partido, inclusive com a perspectiva de presidir a legenda, mas mantive a minha coerência.”

Qualidade — Campos justifica a participação dos evangélicos na política com quatro motivos. Em primeiro lugar, trata-se de um segmento numeroso da sociedade, que possui peso demográfico para ser ouvido por qualquer governo. O segundo motivo diz respeito à representatividade, pois ajuda a dar voz a um contingente que desfruta de interesses e objetivos comuns. “Temos os mesmo direito de sermos representados na política, como ocorre com os segmentos do agronegócio, dos empresários ou das donas de casa.”

O terceiro e o quarto pontos do deputado João Campos são um pouco mais subjetivos. Segundo ele, a participação dos evangélicos na política se justifica pela qualidade dos quadros que indica para representá-los. Seriam sempre nomes de alto nível, preparados ética e culturalmente para exercer as funções públicas. O último motivo seria o que descreveu como contribuição pedagógica da igreja para o espaço da ação política, com a oferta de valores religiosos. “É, então, uma contribuição tanto pela quantidade quanto pela qualidade.”

Para o deputado, a igreja exerce uma função importante ao coadunar ações sociais do campo privado com as iniciativas públicas. “O Estado precisa da ação do terceiro setor, pois não consegue responder a todas as demandas sociais”, disse. Além de sua capilaridade, a igreja se coloca como organismo com vocação para áreas que o Estado poderia encontrar dificuldades para agir. Essa seria uma tendência mundial, já que até nos Estados Unidos, a nação mais rica do mundo, o presidente George W. Bush conta com as igrejas evangélicas em várias ações, como a de recuperação de dependentes químicos.

O deputado estadual Daniel Messac, eleito com 23.509 votos em 2002, agrega mais uma justificativa para a participação dos evangélicos na política. Segundo ele, poucos segmentos organizados teriam tanto controle de qualidade na atuação de seus representantes. “Os parlamentares eleitos com o apoio da Assembléia de Deus prestam contas de suas atividades diante dos fiéis, em reuniões realizadas a cada três meses”, declarou. Com isso, seria difícil encontrar algum político ligado à igreja que não seja atuante.

Essa vantagem seria reforçada pela convivência estreita com os fiéis. “Estamos com eles todos os dias, participando de todos os cultos. Eles nos conhecem, sabem das nossas vidas.” Outra característica da atuação política da Assembléia de Deus, de acordo com Messac, é a separação entre as atividades pastorais e a atuação política. Todo pastor que é eleito, afasta-se do púlpito. “A vida partidária não condiz com a missão inerente do pastor, que é a de apassentar (o ato de conduzir o rebanho) e exige estar acima das diferenças de pensamento de cada fiel”, disse o deputado. (Danin Júnior)

Pastor defende mudança radical

Fenômeno nas últimas eleições de Goiânia, o vereador Fábio Sousa (PSDB) foi o mais votado do pleito, com apenas 22 anos de idade. Seu número foi digitado 9.374 vezes nas urnas eletrônicas, quase quatro vezes mais do que o vereador menos votado. Pastor e filho dos líderes da Igreja Fonte da Vida, apóstolo César Augusto e bispa Rúbia de Sousa, ele promete repetir a dose com a campanha deste ano para deputado estadual, tendo como base um discurso de renovação na representação política.

“Queremos e precisamos de mudanças. O Brasil não agüenta mais tanta falta de competência e de ética na classe política”, disse Fábio Sousa. Outro mote de sua plataforma eleitoral é o combate às desigualdades sociais — segundo ele, uma coisa absurda que aflige um país com tantos recursos naturais. Pastor há quase sete anos, o vereador não abandonou o ofício e afirmou que sua igreja realiza um grande trabalho ao colocar “os irmãos para orar e pedir ajuda de Deus a todos os governantes”.

O exército da Fonte da Vida não é tão numeroso quanto o da Assembléia de Deus, mas mostrou grande capacidade de mobilização ao arrebanhar tantos votos para Sousa. De acordo com ele, a igreja (criada em Goiânia) está presente em mais de 100 cidades goianas, somando cerca de 120 mil fiéis. Como outras denominações religiosas, a Fonte da Vida ainda não decidiu oficialmente quem apoiará entre as candidaturas majoritárias. “Meu voto pessoal é para [o presidenciável tucano, Geraldo] Alckmin, Alcides e Marconi [ex-governador, candidato ao Senado], mas não estou falando pela igreja”, disse ele.

Também a exemplo do que acontece com outras igrejas, Fábio Sousa revela que a Fonte da Vida está seguindo à risca a legislação eleitoral, que não permite manifestações diretas sobre as eleições durante a realização de cultos. Além de proibida a distribuição de material publicitário dos candidatos dentro dos templos, é vedada qualquer menção sobre eles nas cerimônias religiosas. “Não queremos desrespeitar a lei, e o nosso trabalho ficou restrito ao corpo-a-corpo, às visitas de casa em casa”, disse o jovem pastor.

Eleito vereador em Goiânia com votação muito próxima à de Fábio Sousa, com 8.195 votos, o pastor Rusembergue Barbosa de Almeida diz que a Igreja Universal do Reino de Deus também vai às ruas neste ano para pedir mais ética na política. Segundo ele, o episódio com o bispo Carlos Rodrigues já foi superado. “Foi, inclusive, uma oportunidade de mostrar que não admitimos qualquer suspeita de corrupção sobre nossos quadros, uma vez que o bispo foi inteiramente afastado de suas funções”, disse ele.

Cor partidária — Além de comportamento ilibado de seus representantes, Rusembergue afirmou que a Universal exige ainda comprometimento com as causas sociais da igreja. “A política representa um poder de decisão muito importante para a sociedade, pois cada medida pode influenciar o futuro da igreja. Por isso, nós não devemos ficar omissos durante o processo eleitoral”, argumentou. De acordo com o pastor, o seu trabalho pessoal com cursos profissionalizantes envolveu mais de 1,5 mil pessoas no ano passado e 800 no primeiro semestre de 2006.

A Universal, como a Assembléia de Deus e a Fonte da Vida, também mantém aberta a questão do apoio a candidaturas majoritárias em Goiás. “Mas vamos decidir sobre isso em breve”, prometeu Rusembergue. Na disputa proporcional, a igreja lançou os bispos Ronaldo Carneiro (deputado federal) e Miguel Ângelo (deputado estadual), ambos do PMDB. Curiosamente, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) foi fundado no ano passado com mais de 600 mil assinaturas de fiéis da igreja do bispo Edir Macedo.

É mais uma prova de que a preferência dos fiéis na hora de votar fica acima da cor partidária dos candidatos. Os cerca de 70 mil fiéis da Universal, segundo Rusembergue, vão trabalhar seus dois postulantes tendo como base os 240 templos espalhados pelo Estado. “Não vamos desrespeitar a legislação eleitoral, pedindo votos durante os cultos, mas vivemos em uma democracia. Podemos distribuir o material da campanha na porta da igreja”, arrematou o vereador. (Danin Júnior)

Freud, a religião e a política

Criador da psicanálise, Sigmund Freud produziu uma das teses mais interessantes sobre o surgimento da religião e dos primeiros rudimentos de política. Os dois conceitos teriam aparecido e evoluído ao mesmo tempo, de acordo com a fantástica e polêmica conceituação das primeiras sociedades humanas, realizada por ele em Totem e Tabu (1912). Partindo de sua teoria sobre o complexo de Édipo — a disputa sexual inconsciente entre pai e filho pela mãe —, Freud diz que a religião nasce no momento em que os filhos tomam coragem para matar e assumir o poder do pai como líder do bando.

Para chegar a essa formulação, Freud levou em conta todos os avanços da ciência natural de seu tempo — o início do século 20. Os estudos iniciados por Charles Darwin com animais apontavam que o poder de um macho dominante tinha uma motivação muito mais sexual (para procriar com as melhores fêmeas) do que de outro tipo, como a disputa por território ou por comida. Com exceção dos bonobos, que desenvolveram uma espécie de democracia sexual para evitar a perda dos machos mais fortes em disputas por fêmeas, os primatas costumam ter um comportamento semelhante: somente o chamado macho alfa pode copular com as fêmeas do bando.

Para Freud, essa organização prevaleceu até as primeiras manifestações da inteligência humana, quando os integrantes da horda não só respeitavam a força do macho dominante (para afastar inimigos e caçar), como passaram a “dramatizar” esse poder — como se possuíssem uma “sede de obediência”. A própria sobrevivência do bando dependia da presença de seu integrante mais forte. Não é estranho imaginar, segundo o pensador vienense, que essa horda ficasse aterrorizada quando da morte do líder — provavelmente em conluio de machos portadores de seus dotes genéticos, seus filhos.

Nesse momento de terror, o tabu primordial para Freud, a coesão do grupo foi mantida por algum artifício dos filhos que venceram o pai. Eles garantiram a sobrevivência da horda assumindo uma nova espécie de poder, dessa vez de ordem espiritual e baseada na fraternidade (laços entre irmãos). Estava criada a primeira pajelança e a primeira divisão do poder, com rudimentos complementares de religião e política. Com o tempo, eles adotariam rituais cada vez mais elaborados para simbolizar esse poder sobrenatural, que não provinha da força bruta. Desde então, quase nenhuma sociedade se firmou sem essa divisão entre o objetivo e o subjetivo, entre o cacique e o pajé, entre o rei e o papa.

Inseparáveis — Mesmo considerada por muitos cientistas apenas como literatura instigante, a tese de Freud serve como ponto de partida para discussões atuais sobre a coexistência da religião e da política. É uma prova de desinformação imaginar que uma instituição consiga se desvincular inteiramente da outra. Assim como é ingenuidade desejar que isso aconteça. Mesmo com indefectíveis distorções dessa aproximação (ainda mais no Brasil), políticos e religiosos têm muito a oferecer no âmbito público. É preciso conferir como isso poderia acontecer.

Professor de ciência política e sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, Joanildo Burity é um estudioso dessa intersecção entre fé e fazer político. Segundo ele, desde os anos 90, as diversas denominações religiosas têm avançado sobre os espaços tradicionais da atuação do Estado. Estariam caindo por terra os conceitos liberais da neutralidade do Estado e da separação da Igreja do domínio público. Para Burity, é falsa a própria noção de desvínculo entre política e religião que, por um longo tempo, tentou-se vender à sociedade. (Danin Júnior)

Católicos devem fiscalizar políticos

Lançada pelo papa Bento XVI no Natal de 2005, a encíclica Deus Caritas Est prescreve a atuação da Igreja Católica e de seus fiéis para os próximos tempos. No documento denso, destinado à conceituação do amor cristão e sua profissão de fé, a palavra “política” é mencionada 11 vezes. De acordo com as palavras do papa, “não dá para separar demais a fé da política. A fé bem vivida tem implicações políticas, porque pleiteia um certo modo de viver e de conviver em sociedade, ou seja, uma atitude política”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) segue essa orientação e recentemente encampou, com outras entidades, um movimento amplo de combate à corrupção na política. Na verdade, trata-se de uma reação a uma dolorosa ironia imposta pelos recentes escândalos políticos. A CNBB foi a entidade que deu início à coleta de 1 milhão de assinaturas, que resultou na criação da Lei 9.840, em setembro de 1999. Também conhecida como lei de combate à corrupção, foi justamente sob sua vigência que vingaram o mensalão e o caixa 2 nas campanhas.

Em Goiás, o arcebispo dom Washington Cruz tem declarado que o principal mote da igreja neste ano continua sendo o de defesa da ética na política. Segundo ele, não basta aos fiéis apenas votar nos candidatos que possuam passado limpo. “É preciso participar de todo o processo”, disse o arcebispo em artigo divulgado pela arquidiocese na semana passada. E, entre as atitudes dessa participação, estaria o acompanhamento atento das eleições, inclusive com denúncias de irregularidades pelo telefone 0800-6468666 — criado pelo Movimento Goiano de Combate à Corrupção.

Fora dessa cobrança institucional no campo ético, entretanto, o arcebispo recomenda que a igreja não se envolva na política partidária, não coloque sua estrutura a serviço dos candidatos nem use sua credibilidade junto aos eleitores para pedir votos. “Os fiéis leigos podem e devem, sim, assumir a vida pública e a política partidária… Os padres, por sua vez, devem estar acima de qualquer facção ou partido político para preservarem sua missão de pastores de todos.”

Fonte: Jornal Opção

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