O impulso dado pela Conferência de Lambeth para resolver a crise que atravessa há anos é certamente “prometedor” e o processo adotado pelos anglicanos nesta fase tão delicada é absolutamente “transparente”: a análise do êxito do encontro dos bispos anglicanos é de Mons. Donald Bolen, responsável pelo ‘dossier’ anglicano junto ao Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.

Mons. Bolen publicou esta semana um amplo artigo na edição em língua inglesa do jornal vaticano L’Osservatore Romano sobre contexto, aspectos ecumênicos e resultados da Conferência de Lambeth.

Os anglicanos, em nível mundial, estão há anos na beira do cisma devido ao contraste entre algumas dioceses “liberais” dos países ricos, sobretudo nos Estados Unidos, que ordenaram padres – e até mesmo um bispo homossexual – e deram a benção de uniões de pessoas do mesmo sexo, e as dioceses mais “conservadoras” do sul do mundo, que boicotaram em massa a conferência. Cerca de um quarto dos bispos anglicanos não foi a Lambeth, entre eles os da Nigéria, a província anglicana mais populosa.

Ao lado deste problema, há a questão da ordenação das mulheres como padres e bispos, que porém, não divide – apesar de não faltarem contrastes – os anglicanos no seu interior, mas tem, escreve Mons. Bolen, “efeito sobre o objetivo do diálogo anglicano-católico” porque “impede à Igreja Católica de reconhecer a validade das ordenações anglicanas”.

E todavia, num momento tão grave, Mons. Bolen observa que da Conferência – que não tem nenhum poder de decisão concreta – emergiu uma “direção”, quase uma estrada de saída da crise, com a indicação de “elementos a breve e longo prazo para um reforçamento da Comunhão anglicana”.

Paradoxalmente, os anglicanos estão pensando “catolicizar” a sua Comunhão – até hoje um network guiado somente simbolicamente pelo arcebispo de Cantuária, Rowan Williams): é este o sentido do Covenant, um ”pacto” em via de aperfeiçoamento que deveria dotar os anglicanos em nível mundial de estruturas e procedimentos mais claros e eficazes.

Se – escreve Mons. Bolen – os anglicanos caminharem na direção de “uma maior estabilidade eclesiológica e se se realiza uma coerência dentro da Comunhão Anglicana, esta evolução será, com todas as probabilidades, acolhida e apoiada pela Igreja católica”. Os anglicanos, para o Vaticano, não estão “no mesmo ponto de antes da Conferência”. “Está emergindo um sentido de direção, que esclarecerá qual é o papel da Comunhão anglicana”.

Fonte: Rádio Vaticano