Um padre católico enfrenta o risco de excomunhão por ter participado de uma cerimônia na qual uma mulher foi ordenada para o sacerdócio, disse uma autoridade do Vaticano.

O padre Roy Bourgeois tomou parte em uma cerimônia realizada em junho no Kentucky para a ordenação de Janice Sevre-Duszynska, membro de um grupo chamado Sacerdotisas Católicas.

A excomunhão provavelmente será automática, sem necessidade de uma ação por parte da Santa Sé, disse o principal porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

Bourgeois disse ao jornal New York Times ter recebido uma carta do órgão encarregado de supervisionar a ortodoxia católica, a Congregação para a Doutrina da Fé, oferecendo-lhe um prazo de 30 dias para retratar-se ou encarar a excomunhão.

Lombardi disse desconhecer a carta. O jornal disse que Bourgeois respondeu que não se arrepende.
Papas vêm dizendo há tempos que a Igreja Católica Romana não pode ordenar mulheres porque Cristo só teve apóstolos homens. A excomunhão é a punição mais severa da lei canônica, e exclui o fiel dos sacramentos.

A mulher ordenada também está passível da mesma punição.

Ela disse que o Vaticano “ameaçou” Bourgeois por tomar parte na cerimônia e fazer um sermão em defesa do sacerdócio feminino. Ela, aparentemente, fazia referência à excomunhão.

“Condenamos essa ação do Vaticano como um evidente abuso de poder”, disse ela em nota, solidarizando-se com o padre.

Em maio, o Vaticano emitiu uma advertência contra a ordenação de mulheres, depois de surgirem vários informes de mulheres recebendo a ordenação em diversas partes do mundo.

Em março, o arcebispo de Saint Louis excomungou três mulheres – duas americanas e uma sul-africana – por participarem de ordenações femininas.

Fonte: Estadão