Criança diante da pobreza (Foto: Igor de Melo)
Criança diante da pobreza (Foto: Igor de Melo)

Jamil Chade
Colunista do UOL

A pandemia do coronavírus poderia jogar mais de 500 milhões de pessoas para a pobreza, caso governos não atuem imediatamente para socorrer a renda e emprego de setores inteiros de suas economias.

O alerta está sendo lançado pela Oxfam, em um estudo que pede que governos, Banco Mundial, FMI e o G-20 se coloquem de acordo para resgatar milhões de pessoas.

Pelas estimativas da entidade, o número de pessoas que pode passar a ter uma renda diária abaixo de US$ 5,5 aumentaria dos atuais 3,38 bilhões de pessoas para 3,9 bilhões. O aumento seria de 547 milhões.

Na América Latina, o aumento da pobreza também corre o risco de ser importante. Pelas projeções, a região pode ganhar 54 milhões de pessoas extras com uma renda diária abaixo de US$ 5,5. No total, essa camada iria dos atuais 162 milhões para 216 milhões.

Entre 6% e 8% da população mundial poderiam ser jogados para baixo da linha da pobreza e, na prática, atrasaria a luta contra a pobreza em mais de uma década. Em alguns locais do mundo, 30 anos de desenvolvimento poderiam ser desperdiçados, como na África ou Oriente Médio.

Se tal cenário se confirmar, mais da metade da população do planeta poderia, uma vez mais, viver na pobreza ao final da pandemia.

A pobreza extrema – calculada com pessoas com a renda abaixo de US$ 1,9 por dia – também aumentaria, passando dos atuais 737 milhões para 1,17 bilhão. Na América Latina, essa camada da população passaria dos atuais 25 milhões para 38 milhões.

A análise publicada pela Oxfam foi realizada pelo Instituto Mundial para a Pesquisa de Desenvolvimento Econômico, da Universidade das Nações Unidas e liderada pelo King’s College de Londres e pela Universidade Nacional da Austrália.

Fonte: Jamil Chade – colunista do UOL