Segundo o Datafolha, para 49% dos brasileiros, “muitos” sacerdotes podem estar envolvidos em casos de abuso, mas não a maioria.

A maioria das pessoas ouvidas pelo Datafolha acredita que a Igreja Católica ou não puniu ou puniu com rigor menor que o necessário os casos de pedofilia e abuso sexual entre seus membros -segundo especialistas, um dos mais graves problemas com que o papa Francisco terá de lidar.

Do total de entrevistados na pesquisa de 20 e 21 de março, 86% afirmam ter tomado conhecimento das acusações de pedofilia contra religiosos. Desse percentual, 37% dizem estar bem informados.

O levantamento mostra que, para 49% dos brasileiros, “muitos” sacerdotes podem estar envolvidos em casos de abuso, mas não a maioria.

Outros 33% consideram que esses casos são raros na igreja, e só 15% acham que há envolvimento da maior parte dos integrantes do clero.

A divisão dos entrevistados é considerável quando se trata de avaliar como a cúpula católica reagiu às revelações dos episódios de abuso.

Para 57% dos ouvidos pelo Datafolha, a igreja tem punido os responsáveis.

Desse total, no entanto, 28% acham que as punições não são rigorosas como deveriam ser; 21% acreditam que elas são adequadas, e 9% consideram que há rigor além do necessário.

Outros 41%, por sua vez, acreditam que o Vaticano não tem agido no sentido de punir os religiosos acusados.

Ou seja, 69% dos pesquisados acham que a igreja não pune ou pune de forma muito branda padres acusados de pedofilia.

Tanto os papas João Paulo 2º (1978-2005) quanto Bento 16 (2005-2013), durante seus pontificados, enfrentaram fortes críticas pelo modo como lidaram com as denúncias de pedofilia e com o acobertamento por parte de alguns bispos.

Casos como os investigados em Boston (EUA), por exemplo, resultaram em processos milionários contra a arquidiocese e na renúncia do cardeal Bernard Law, em 2002, no papado de João Paulo 2º.

Bento 16 foi o primeiro pontífice a se encontrar pessoalmente com as vítimas e a pedir perdão pelos crimes. Para vaticanistas como John Allen, porém, o papa que renunciou em fevereiro não fez com que os padres envolvidos e os bispos que os acobertaram prestassem contas.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]