O deputado federal e pastor Mário de Oliveira (foto) do PSC de Minas Gerais, acusado de planejar a morte do também deputado e pastor Carlos Willian (PTCMG), disse neste sábado que vai se explicar nesta terça-feira. Por causa da denúncia de tentativa de homicídio, o Conselho de Ética da Câmara instaurou contra ele, na última sexta-feira, um processo por quebra de decoro parlamentar.

A data prevista para o conselho ouvir Mário de Oliveira é o próximo dia 10.

“Vou me antecipar à intimação. Vou me apresentar ao Conselho de Ética para já me considerar intimado na terça-feira de manhã”, afirmou, no sábado, em Belo Horizonte, após participar de uma reunião com pastores da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), instituição da qual é presidente e pastor. O deputado disse que não vai apresentar qualquer tipo de documentação em defesa própria quando for se apresentar ao Conselho de Ética, já que, a partir do momento em que for citado, terá um prazo de cinco sessões ordinárias (em plenário) para que possa se defender.

Mário de Oliveira também não quis antecipar qual será a estratégia usada por seus advogados de defesa. “Não antecipo nada sobre esse assunto. Eu não posso dizer porque eu me reuni com meus advogados apenas uma vez e vou me reunir de novo na terça-feira.” O presidente da IEQ disse que sua equipe de defesa ainda está na fase da análise do processo.

“Não temos nenhuma posição para dizer sim ou não sobre o que vamos fazer”, reforçou. Oliveira reforçou, apenas, que é inocente, pelo menos até que se prove o contrário. “Em princípio, eu sou inocente. Eu não devo nada”, ressaltou o pastor.

Armação

O suposto plano para assassinar o ex-companheiro de igreja e também parlamentar Carlos Willian (foto ao lado) veio à tona no último dia 19, quando a Polícia de Osasco realizou uma prisão na cidade. O homem preso, Odair da Silva, portava uma cartão de memória com a gravação de uma conversa sobre o plano para assassinar Carlos Willian. Silva disse que foi contratado por Mário de Oliveira. A briga entre os dois parlamentares ocorreu, segundo Carlos Willian, porque ele resolveu se candidatar a deputado federal em 2005, contrariando as orientações da IEQ.

Mário de Oliveira se limitou a dizer que não cometeu nenhum crime e que não tem “a menor idéia” de onde teria saído tal acusação e voltou a repetir estar sendo vítima de uma farsa. “Eu tenho certeza que é uma armação porque eu não cometi esse crime. Então, se alguém está me acusando de uma coisa que eu não fiz, certamente é uma armação. Não sei de quem, mas é uma armação”, afirmou, reforçando que não pretende abrir mão de seu mandato.

Líder da IEQ se reúne com 1.200 pastores

A cúpula da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) da região metropolitana de Belo Horizonte se reuniu neste sábado, 30 de junho, pela manhã, em um templo na avenida do Contorno, no centro da capital. Além dos líderes regionais e do presidente nacional da instituição, deputado federal Mário de Oliveira (PSC-MG), cerca de 1.200 pessoas, entre pastores e pastores auxiliares, dos 700 templos que a IEQ possui na Grande Belo Horizonte, estiveram presentes.

O evento foi convocado especialmente para discutir a situação do presidente da igreja, que foi acusado de mandar matar o colega parlamentar e ex-pastor da IEQ Carlos Willian (PTC). “Fazemos reuniões como esta todos os meses, sempre aos segundos sábados de cada mês. Mas a de hoje realmente foi extraordinária”, afirmou o vereador da capital de Minas e membro da igreja Pastor Henrique (PSDB).

Segundo o vereador, não há qualquer crise na IEQ, já que tanto os pastores quanto os fiéis estão unidos, apoiando seu presidente incondicionalmente. De acordo com o também vereador-pastor Altair Gomes (PSC), no encontro não foram passadas quaisquer tipo de orientação sobre o assunto para os pastores. “A única orientação é orar por ele (Mário de Oliveira) para que toda essa coisa seja esclarecida”, disse.

Após a reunião, Oliveira viajou para o interior do Estado para visitas a templos locais. O deputado disse que retornaria para Brasília ontem à tarde, já que tem compromissos na capital federal apenas na terça-feira. Ele ressaltou que tem recebido muito apoio dos companheiros da igreja. “Tenho recebido total solidariedade dos fiéis. Não só da IEQ, como também de outras pessoas, que nem evangélicas são”, afirmou.

Parlamentar foi investigado por desvio de R$ 1,2 milhão

Nesta semana, o pastor e deputado federal Mário de Oliveira (PSC-MG) emitiu uma nota de esclarecimento para a imprensa. Em suas considerações, o parlamentar diz que veio a público para defender sua “honra” e “repudiar” as reportagens de que tenha contratado um pistoleiro profissional por R$ 150 mil – dos quais a metade já havia sido quitado por um intermediário – para matar o colega de Congresso deputado Carlos Willian (PTC-MG), ex-parceiro da igreja. Em seu breve comunicado, na quinta linha, Mário de Oliveira faz questão de ressaltar: “em minha vida pública nunca me envolvi em nenhuma irregularidade e sempre pautei minha vida pelo bem”.

No entanto, o deputado foi alvo de uma investigação do Ministério Público (MP) sobre desvio de recursos públicos. Documentos obtidos por O TEMPO revelam a contabilidade da Escola do Ministério Jeová-Jiré, organização não governamental (ONG) ligada à Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ). Os documentos remetem a junho de 2006, quando o Ministério Público de Contagem denunciou 23 pessoas pelo desvio de R$ 1,2 milhão dos cofres da prefeitura da cidade.

Entre os indiciados aparece o líder da Quadrangular e então candidato a deputado federal Mário de Oliveira, e seu braço direito, o pastor Jerônimo Onofre., presidente da IEQ Templo dos Anjos, com sede em Belo Horizonte e também presidente perpétuo do ministério Jeová–Jiré e o ex-prefeito de Contagem e hoje deputado estadual Ademir Lucas (PSDB). A investigação do MP aponta que, para legalizar os recursos supostamente desviados dos cofres públicos, a cúpula da IEQ simulava empréstimos que seriam firmados com e Escola do Ministério Jeová- Jiré.

No entanto, a prestação de contas do gasto do dinheiro – como despesas com internos da instituição – era feita com o uso de notas fiscais frias. Uma das notas usada pela ONG está em nome da Rhema Alimentos Ltda (veja ao lado), cujo sócia é Dorvina Áurea Almeida Silva, sobrinha do pastor Jerônimo Onofre. Somente em 2002, segundo ano de vigência do convênio entre o município de Contagem e o ministério Jeová-Jiré, a prefeitura repassou R$ 190.623,30 à ONG, perfazendo uma média de R$ 15.885,27 por mês naquele ano.

Endereço falso

Em 26 de novembro de 2001, a Rhema Alimentações vendeu R$ 14.326,30 à entidade religiosa. De acordo com a nota fiscal, a sede da Rhema deveria funcionar na rua Alabandina, 405, no bairro Caiçara, região Noroeste de Belo Horizonte. Entretanto, a reportagem foi até o local e constatou que o número não existe. Depois de dois anos de investigações, a força-tarefa que envolveu o Ministério Público (MP) e a Polícia Civil formalizou a denúncia contra Mário de Oliveira, Jerônimo Onofre e Ademir Lucas. A Justiça de Contagem indiciou o ex-prefeito e o pastor Onofre. A denúncia contra Mário de Oliveira não foi aceita.

Fonte: O Tempo

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