Um pastor evangélico foi preso por mais de 48 horas, multado e expulso de sua comunidade no México após se recusar a se ajoelhar e rezar diante de uma imagem durante uma festa católica tradicional. O caso ocorreu em Santiago Malacatepec, localidade do município de San Juan Mazatlán Mixe, no estado de Oaxaca.
Mariano Velásquez Martínez, que atua no ministério desde 2015, foi detido após se negar a cumprir o protocolo religioso da Festa de São Tiago Apóstolo, alegando convicções cristãs. Antes da prisão, ele já havia sido obrigado pela comunidade a aceitar o cargo de responsável pela celebração.
Segundo o portal Evangélico Digital, mesmo concordando em pagar uma multa — apesar de não ter recursos suficientes — o pastor teve sua proposta rejeitada pela assembleia local, que exigiu o cumprimento integral do ritual religioso. Diante da recusa, ele foi preso no sábado (17).
“Sua prisão ocorreu depois que ele se recusou a se ajoelhar e rezar diante da imagem religiosa, citando suas convicções cristãs”, afirmou o advogado Porfirio Flores Zúñiga à imprensa.
Expulsão e denúncia de irregularidades
Após quatro dias detido, Mariano foi levado à assembleia comunitária com as mãos amarradas e informado de que seria expulso da cidade junto com a esposa e a filha de três meses, por não aceitar as tradições religiosas locais.
De acordo com a defesa, a libertação ocorreu sob pressão, irregularidades e atos de assédio, culminando na saída forçada da família da comunidade. O pastor relatou ainda que foi obrigado a assinar um documento em branco, que poderia ser usado para simular uma saída voluntária.
“Trata-se, na realidade, de uma expulsão forçada, que agora é classificada como crime grave”, declarou o advogado.
Caso é classificado como intolerância religiosa
A defesa classificou o episódio como um grave caso de intolerância religiosa, especialmente diante do novo marco legal do estado de Oaxaca. Em setembro de 2025, o Congresso estadual aprovou a Lei para Prevenir, Abordar e Reparar Integralmente o Deslocamento Forçado Interno, que reconhece conflitos ligados à liberdade religiosa como causa de deslocamento forçado.
A legislação prevê penas de até 18 anos de prisão, além de multas, especialmente quando os crimes são cometidos por autoridades locais ou envolvem violência e assédio.
Segundo o jornal El Universal Oaxaca, a defesa pediu que a Procuradoria-Geral de Justiça de Oaxaca e a Secretaria de Governo apliquem a lei contra as autoridades municipais envolvidas no caso.
Histórico de conflitos e críticas ao Estado
De acordo com o advogado, o município de San Juan Mazatlán Mixe possui histórico de episódios semelhantes. Em 2022, seis famílias teriam sido expulsas da comunidade de San Pedro Chimaltepec por motivos religiosos.
Neste mês de janeiro de 2026, onze cristãos evangélicos foram presos na última sexta-feira (16) por autoridades comunitárias na comunidade de Pinar Salinas, no município de Zinacantán, nas Terras Altas de Chiapas, no México. A detenção ocorreu após os fiéis se recusarem a participar de uma festa católica tradicional promovida pela comunidade.
Além da responsabilização criminal, a defesa solicitou medidas de proteção e reparação para o pastor e sua família, incluindo garantias de segurança e ações para interromper o que classificou como perseguição religiosa sistemática na região.
“A liberdade de culto não é uma concessão das autoridades comunitárias, mas um direito humano inalienável que o Estado deve proteger”, afirmou Flores.
Segundo ele, apesar das denúncias e dos pedidos de medidas cautelares, até o momento não houve resposta efetiva das autoridades, o que foi classificado como uma atuação insuficiente do Estado mexicano diante dos casos de intolerância religiosa registrados em Oaxaca.
Folha Gospel com informações de Evangélico Digital

