Em entrevista ao jornal Extra, o candidato à Presidência da República pastor Everaldo Pereira respondeu a perguntas sobre aborto, liberdade religiosa e homofobia.

Conhecido por suas posições polêmicas na defesa da privatização, pastor Everaldo falou de também de maneira direta sobre a criminalização da homofobia, afirmando que a legislação atual já é suficiente para qualquer tipo de injúria, seja ela motivada por homofobia ou qualquer outra forma de preconceito, incluindo a cristofobia.

Questionado se faria alguma distinção entre as diferentes religiões e se compareceria a uma cerimônia de umbanda ou de candomblé caso seja eleito, o candidato afirmou não discriminar ninguém pela sua religião, mas defendeu sua liberdade de não ir locais que vão contra seus princípios.

– Sou livre para ir aonde quiser. Eu tenho meus princípios e minha fé, cada um tem a liberdade de exercê-la. Da mesma forma que há pessoas que não querem ir à minha igreja, não iria a um terreiro. Isso é normal. É a liberdade de cada cidadão. Democracia é isso.

Sobre o aborto, pastor Everaldo foi enfático ao afirmar que não é a favor da legalização da prática e que não é necessária nenhuma mudança na legislação atual que, segundo ele, “já trata com bastante clareza os casos excepcionais”.

Sobre a crescente discussão da criminalização da homofobia, o candidato afirmou que a legislação vigente no Brasil já trata de maneira suficiente todas as formas de preconceito, e que não é necessária uma legislação específica para tratar o preconceito contra homossexuais.

– A lei já é suficiente para qualquer tipo de injúria, calúnia. O que é homofobia? Há cristofobia, uma porção de coisas. Preconceito contra homossexual, negro, amarelo, branco, índio – afirmou o pastor Everaldo.

– O que querem fazer, hoje na lei, é dizer que um pastor e um padre não podem dizer, na sua fé, que a prática do homossexualismo é um pecado. Querem proibir quem crê nisso de falar nesse assunto – ressaltou o candidato.

Confira a entrevista abaixo:

Primeiro candidato a presidente a usar o termo “pastor” nas urnas, Everaldo Pereira afirmou que, uma vez eleito, respeitaria a separação entre religião e estado, sem discriminar nenhuma fé. No entanto, o empresário, ministro da Assembleia de Deus, admitiu que, à frente do país, não iria a uma cerimônia de umbanda ou de candomblé. As ideias do candidato não são polêmicas apenas na seara religiosa: ele defende a privatização da Petrobras e da Infraero. Carioca, nascido em Acari, Pastor Everaldo (PSC), de 58 anos, é o sexto candidato à Presidência a ser entrevistado pelo EXTRA.

[b]Qual é o principal problema do Rio que o senhor, como presidente, poderia ajudar a solucionar?
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Hoje, além da segurança, eu ajudaria o estado na mobilidade urbana. Está um caos. Reconheço os esforços do prefeito e do governador, mas a mobilidade está bastante prejudicada.

[b]Mas como o senhor contribuiria, concretamente?
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Facilitando com tudo o que o governo federal pudesse, trazendo a livre iniciativa para o transporte de massa.

[b]O senhor quer privatizar a Petrobras. Privatizaria outra estatal? E a Saúde?
[/b]Privatizaria a Infraero. Sou a favor da livre iniciativa, mas Saúde, Educação e Segurança são prioridades.

[b]Como presidente, o senhor faria alguma distinção entre as diferentes religiões?
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Nunca vi nenhum pastor meu nem ninguém na minha igreja discriminar por religião. O estado é laico.

[b]Mas iria a uma cerimônia de umbanda ou de candomblé?
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Sou livre para ir aonde quiser. Eu tenho meus princípios e minha fé, cada um tem a liberdade de exercê-la. Da mesma forma que há pessoas que não querem ir à minha igreja, não iria a um terreiro. Isso é normal. É a liberdade de cada cidadão. Democracia é isso.

[b]Como o senhor combateria a inflação?
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A inflação é um componente dentro de uma estratégia de Estado. Hoje, quem provoca a inflação é o governo, que é inchado. Quando nós tivermos ajuste fiscal de verdade, enxugando essa máquina, vamos reduzir a taxa de juros e ampliar os investimentos. Isso vai aumentar a oferta, e os preços vão diminuir.

[b]O senhor diz a todo tempo ser contra a legalização do aborto. É a favor de mudanças na legislação atual?
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Não. A legislação atual já trata com bastante clareza os casos excepcionais.

[b]O senhor é a favor da criminalização da homofobia?
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A lei já é suficiente para qualquer tipo de injúria, calúnia. O que é homofobia? Há cristofobia, uma porção de coisas. Preconceito contra homossexual, negro, amarelo, branco, índio. O que querem fazer, hoje na lei, é dizer que um pastor e um padre não podem dizer, na sua fé, que a prática do homossexualismo é um pecado. Querem proibir quem crê nisso de falar nesse assunto.

[b]Tem algum gay na família?
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Já tive no passado, que até faleceu, coitado. Um primo.

[b]Como reagiria se um filho seu dissesse que é gay?
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Eu ia lamentar profundamente, diria que não era o que eu queria para ele, mas continuaria amando, porque é o meu filho.

[b]Fonte: Gospel + e Jornal Extra[/b]