Pastor Otoni de Paula e o Ministro do STF, Alexandre de Moraes

O pastor e deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), vice-líder do governo Bolsonaro, utilizou suas redes sociais para criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ele mandar soltar o jornalista Oswaldo Eustáquio da prisão e estabelecer uma série de restrições.

Na decisão, Moraes proibiu Eustáquio de utilizar as redes sociais e de organizar manifestações contra os poderes Legislativo e Judiciário ou que preguem o uso das Forças Armadas para tal. Além disso, ele terá que manter pelo menos um quilômetro de distância da Praça dos Três Poderes.

Ao comentar a situação, Otoni de Paula disse que Alexandre de Moraes impediu o jornalista de exercer sua profissão.

– Impedir Oswaldo Eustáquio de utilizar as redes sociais é a mesma coisa que impedi-lo de ganhar o seu pão de cada dia. De exercer a sua profissão. De exercer aquilo que coloca o alimento na mesa de sua família – apontou.

O deputado chamou o ministro de “déspota” e que não tem o respeito da população brasileira.

– Alexandre de Moraes é um déspota (…) É um tirano, alguém que passa por cima das leis para o seu bel prazer. Isto é Alexandre de Moraes, um déspota que a cada dia está com menos respeito da população. Por isso é chamado de cabeça de ovo, cabeça de p***ca. Tudo isso. Por quê? Porque respeito, Alexandre de Moraes, não se impõe. Respeito se conquista. E você se tornou um lixo – explicou.

Ele chamou o ministro de “esgoto do STF” e disse que o ministro “é uma vergonha da Justiça brasileira”.

– Você é o esgoto do STF. Você é a latrina da sociedade brasileira. Não há como se ter respeito por você. Você é uma vergonha da Justiça brasileira. Usando seu poder autoritário, você acha que vai chegar aonde, Moraes? Você não é maior do que a população brasileira. Você não é maior do que o povo do meu país. Nós não vamos nos acovardar, Moraes. Ou você derruba o povo brasileiro, ou o povo brasileiro vai derrubar você, canalha – afirmou.

O parlamentar ainda disse que o impeachment de Alexandre de Moraes está chegando e que ele não resiste a uma investigação.

– O seu impeachment está chegando, Moraes. Sabe por quê? Porque você não passa por uma investigação. O que você fez comigo, o que você está fazendo com deputados bolsonaristas, você não consegue uma investigação (…) Se quebrar o teu sigilo, você não resiste a uma investigação – destacou.

Otoni de Paula também disse que os integrantes do Supremo não aceitam críticas.

– Essa história que você inventou, com a Globo, de movimento antidemocrático não colou. Todo mundo sabe que o tal movimento antidemocrático que vocês inventaram é para não sofrerem críticas (…) Pode criticar o presidente da República, pode criticar o Congresso Nacional, mas não pode criticar o STF porque isso é um movimento antidemocrático. Vai à m***a! Quer dizer que o STF não pode ser criticado? Quem paga o salário dos senhores? – questionou.

Por fim, o deputado disse não ter medo de sofrer retaliações.

– Se eu sofrer retaliações, não tenho medo (…) É fruto da verdades que vocês não engolem, porque vocês são covardes. Vocês não encaram o povo brasileiro, mas o povo brasileira vai encarar vocês – concluiu.

Retaliação do Planalto

O deputado Otoni de Paula, vice-líder do governo na Câmara, enviou nesta quarta-feira uma mensagem a Jair Bolsonaro, após xingar Alexandre de Moraes, e declarou que espera ser retaliado pelo Palácio do Planalto.

“Não tenho dúvida nenhuma de que meu cargo de vice-líder será alvo de retaliações. Estou preparado para qualquer retaliação, até do Planalto. Não recuo em nada do que falei para atacar o capricho ditatorial do Moraes”, afirmou o parlamentar, que chamou Moraes de “lixo” em um vídeo nesta segunda-feira.

Em mensagem enviada a Bolsonaro, o deputado do PSC fluminense afirmou que, se for da vontade do presidente, colocará seu cargo à disposição imediatamente. Mas avisou: não quer saber de pedidos do ministro de Governo, Luiz Eduardo Ramos, responsável pela articulação política.

“Quem está pedindo meu cargo é o Ramos, porque eu o critiquei em rede social. Eu falei para o presidente: ‘Se essa decisão partir de Vossa Excelência, me avisa que coloco meu cargo à disposição na hora. Só não quero ser tirado por alguém que não queria me dar o cargo”, afirmou, acrescentando que ainda não foi respondido pelo presidente e que será um “soldado de Bolsonaro” em todos os cenários.

Otoni de Paula é investigado no inquérito dos atos antidemocráticos, que tramita no STF e é relatado por Alexandre de Moraes.

No mês passado, o deputado e outros dez parlamentares tiveram o sigilo bancário aberto por ordem de Moraes.

Fonte: Pleno News e Época