
Membros da Guangfu Church foram interrogados após distribuírem leques com mensagens bíblicas perto de uma escola, em Guangzhou
Autoridades chinesas apreenderam materiais evangelísticos e obrigaram uma igreja doméstica a deixar o imóvel utilizado para suas reuniões em Guangzhou, na província de Guangdong, no sul da China. O episódio envolveu integrantes da Guangfu Church, que também foram chamados para interrogatórios e advertidos sobre a possibilidade de detenção administrativa.
O caso começou em 16 de setembro, quando o pastor Lv e duas cristãs distribuíram, nas proximidades de uma escola, leques contendo mensagens cristãs. Os materiais traziam frases como “Jesus ama você”, além de referências ao pecado, ao arrependimento, à morte e ressurreição de Jesus e à salvação pela fé. Também foram incluídos versículos como João 3:16 e João 14:6.
Segundo a ChinaAid, a polícia posteriormente informou que havia recebido uma denúncia de que os cristãos estariam “promovendo um culto”. Na manhã seguinte, agentes do Departamento de Segurança Pública do distrito de Baiyun fizeram contatos telefônicos com o pastor e com uma das mulheres que havia participado da distribuição.
Materiais foram apreendidos
Ainda de acordo com o relato divulgado pela ChinaAid, policiais e agentes de segurança foram à residência de uma cristã de aproximadamente 60 anos e ao espaço utilizado pela congregação.
Membros da igreja afirmaram que foram apreendidos entre 100 e 200 leques evangelísticos, além de aproximadamente 100 bolsas de lona. Segundo eles, não foram fornecidos documentos ou recibos referentes à apreensão.
No mesmo dia, a administração do prédio teria sido orientada pela polícia a exigir que a igreja desocupasse o imóvel até as 17h. Embora a congregação tivesse um contrato de aluguel vigente, os membros retiraram seus pertences e deixaram o local naquela tarde.
Desde então, a igreja enfrenta incertezas sobre onde poderá realizar suas próximas reuniões.
Cristãos foram interrogados
Em 18 de setembro, os envolvidos na distribuição dos leques compareceram à delegacia de Toupi, no distrito de Baiyun. Conforme o relato da ChinaAid, dois agentes à paisana os questionaram sobre dados pessoais, participação nos cultos, financiamento da igreja e produção de materiais evangelísticos.
Os policiais acusaram os cristãos de “perturbar a ordem pública” e de realizar “proselitismo ilegal”. Eles também foram advertidos de que poderiam ser submetidos a detenção administrativa.
Em determinado momento, uma das cristãs teria se recusado a assinar o registro policial e uma declaração de compromisso. Segundo a organização que acompanha o caso, um agente identificado pelo sobrenome Liao ameaçou investigar os filhos dela e as escolas onde estudavam.
Posteriormente, os policiais apresentaram cópias das mensagens que estavam impressas nos leques. A mulher acabou assinando uma declaração reconhecendo que o conteúdo era evangelístico e foi liberada.
Igreja está sob pressão há anos
A Guangfu Church foi fundada pelo pastor Ma Chao em 2005 e, segundo a ChinaAid, enfrenta pressão das autoridades do distrito de Baiyun há aproximadamente uma década.
Entre os episódios relatados estão operações policiais, apreensão de propriedades, restrições impostas ao pastor e instalação de câmeras de vigilância na entrada do espaço utilizado para as reuniões. A organização também afirma que membros da congregação foram pressionados a frequentar igrejas vinculadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias, estrutura protestante reconhecida e supervisionada pelo Estado chinês.
Em 2018, a igreja já havia perdido outro espaço de reunião depois de uma intervenção policial. Na ocasião, as autoridades classificaram o imóvel como um local religioso não qualificado.
O episódio ocorre em um contexto de restrições enfrentadas por igrejas domésticas que funcionam fora das estruturas religiosas reconhecidas pelo governo chinês. Segundo relatório de 2026 da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), as autoridades chinesas intensificaram, em 2025, ações contra líderes protestantes independentes e congregações domésticas.
A USCIRF afirma que comunidades religiosas precisam estar registradas junto ao governo para atuar legalmente e que grupos que permanecem fora desse sistema podem enfrentar vigilância, assédio, multas, detenções e outras medidas. A comissão voltou a recomendar que a China seja classificada pelos Estados Unidos como um país de particular preocupação em razão de violações da liberdade religiosa.
Folha Gospel com informações de Guia-me e China Aid






