Câmara Municipal de Belo Horizonte
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O Ministério Público de Minas Gerais e a Polícia Civil realizaram a operação Sordidum Publicae (“Político Sujo”em latim) e prenderam, no dia 18 de abril de 2018, seis suspeitos de participar de um esquema de fraudes de licitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte (MG).

Segundo a denúncia que embasou a operação Sordidum Publicae, obtida pela reportagem de O TEMPO, uma emissora de rádio ligada ao presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o vereador Henrique Braga (PSDB), teria se beneficiado com repasses sem nenhum tipo de parâmetro técnico e baseados somente nas relações entre os dois políticos.

Ao todo, a Fundação Rádio Educativa Quadrangular recebeu R$ 122.272 oriundos de repasses da licitação investigada pelo MPMG e que coincidiu com a prisão do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Wellington Magalhães (PSDC), hoje preso no Complexo Penitenciário Nelson Hungria.

Henrique Braga, segundo os promotores que investigam o caso, é conselheiro da rádio, de propriedade da Igreja do Evangelho Quadrangular, da qual é superintendente e um dos principais líderes.

Na época dos repasses investigados, Wellington Magalhães era o presidente da Casa e Braga era o segundo no comando, ocupando a 1ª vice-presidência. O tucano sempre foi considerado como membro do “grupo de aliados” de Magalhães. As notas fiscais referentes a estes repasses, encontradas pelas diligências do MPMG e da Polícia Civil, eram rubricadas com a sigla “OP”, que significa, segundo a investigação e depoimentos, “Ordem do Presidente”. Os documentos marcados desta maneira seriam os que precisavam receber atenção redobrada e agilidade nos pagamentos.

Em outra nota fiscal marcada com a sigla “OP”, aparece também a Fundação da Graça de Deus, que recebeu R$ 136.604 em repasses também investigados pelo MPMG. Esta emissora é vinculada à Igreja Internacional da Graça de Deus, que possui como líder o missionário Romildo Ribeiro Soares, popularmente conhecido como “R.R. Soares”.

“Conforme relatado pelos próprios denunciados, R.R. Soares foi apoiador direto e cabo eleitoral de Magalhães”, mostra trecho da denúncia. Diante dos repasses às rádios ligadas a Braga e R.R. Soares, o MP conclui que “o grupo criminoso possuía, como modus operandi, a canalização de recursos e premiação, com garantia de retorno pelo apoio de pessoas e empresas que orbitam em torno do então presidente da Câmara de BH”.

O MP denunciou 14 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e crimes contra a lei de licitações. Apesar da citação aos repasses feitos à rádio ligada a Braga, o vereador ainda não é alvo de investigação e, por isso, não foi denunciado pelo MPMG.

Nenhuma das igrejas envolvidas se posicionaram sobre o as denúncias.

Fonte: O Tempo