Nenhuma explicação foi dada para justificar a decisão estatal de negar a renovação anual do visto de permanência de 12 padres e freiras poloneses católicos em Belarus, informou o Chefe do Colégio de Cardeais da Catedral de Grodno, Dean Yan Kuchynski.

Segundo ele, sete padres e cinco freiras que trabalhavam em diferentes comunidades da diocese de Grodno há cerca de10 anos serão obrigados a deixar Belarus em 2007. A região de Grodno faz fronteira com a Polônia.

O Chefe do Colégio de Cardeais disse que essa foi a primeira fez que tantos religiosos tiveram a renovação do visto recusada e que nunca houve nada semelhante nas outras três dioceses católicas em Belarus.

Católicos de Grodno começaram a recolher assinaturas para um abaixo-assinado que pede a permanência dos padres e freiras, de acordo com a Rádio Independente Européia de Belarus.

Aleksandr Kalinov, do Comitê Estatal de Religião e Assuntos Étnicos em Minsk, sustentou que o bispo católico de Grodno, Aleksandr Kaszkiewicz – que preside a Conferência dos Bispos Católicos em Belarus – poderia voltar para o seu próprio e ‘bem-sucedido’ seminário. “Por vários motivos”, segundo Kalinov, é necessário pôr em ordem a vinda de padres estrangeiros a Belaurus: “Será que eles são convidados porque não há padres suficientes?”, disse.

Atividades controladas

Um oficial de assuntos religiosos lembra que “as dioceses vêm recebendo freqüentemente a recomendação de atrair padres cidadãos de Belarus que acabaram de sair do seminário, porque a lei requer dos estrangeiros que sejam capazes de falar as duas línguas (russo e bielo-russo)”.

Todos os padres poloneses e as freiras que estão prestes a não ter o visto renovado entendem e falam as línguas faladas em Belarus. Muitos padres trabalham sozinhos em suas comunidades. “Se eles não têm padres suficientes, onde é que eles esperam encontrar? A melhor opção são esses padres da Polônia, já que para eles é mais fácil entender os fiéis mais do que para os padres da Itália. Por isso convidamos os poloneses”, explicou o oficial.

O Consulado de Ministros editou decretos que controlam as atividades de padres estrangeiros em Belarus. Se o Comitê Estatal de Religião e Assuntos Étnicos permitir o convite de estrangeiros para trabalhar por um ano, o decreto prevê, que ele ou ela conduzam as atividades religiosas apenas nas áreas ou regiões designadas para culto. Além disso, a transferência de um trabalhador religioso para uma outra organização religiosa – assim como entre comunidades – exige a permissão de um alto oficial de assuntos religiosos.

Enquanto a abrangência das outras três dioceses católicas em Belarus diminui, a diocese de Grodno dobra o número de comunidades, chegando a se igualar com a Igreja Ortodoxa Russa da região. De acordo com as estatísticas oficiais, em 2005 havia 170 padres poloneses em Grodno para o auxílio de 168 clérigos, sendo que 72 deles eram cidadãos estrangeiros.

Mais da metade dos 350 padres de Belarus são estrangeiros. Em 2005, dois deles não tiveram a licença anual renovada, o que os forçou a voltar para a sua terra natal, a Polônia.

Fonte: Portas Abertas