O reverendo Ian Paisley, primeiro-ministro da Irlanda do Norte e líder do Partido Democrático Unionista (DUP), manterá sua cadeira no Parlamento de Londres após as próximas eleições gerais no Reino Unido, informou hoje um porta-voz oficial.
As declarações foram feitas depois de o jornal irlandês “Irish Times” afirmar hoje que a decisão de Paisley, ainda extra-oficial, abriu um debate interno no DUP para escolher o sucessor do veterano líder unionista à frente da legenda.
“A notícia divulgada por um jornal é pura especulação da imprensa, não tem qualquer fundamento”, declararam à Agência Efe fontes do partido.
O ministro para Cultura, Artes e Lazer norte-irlandês, o unionista Edwin Poots, também demonstrou hoje sua surpresa diante da imprensa local ao dizer que esta era a primeira vez que ouvia algo a respeito.
No entanto, desde a segunda-feira cresceram os rumores que apontam para uma possível saída de Paisley, não só do comando do DUP, mas também do cargo de primeiro-ministro nos próximos meses.
O Governo norte-irlandês atualmente tem seu poder compartilhado entre o DUP e o Sinn Féin, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA).
Pessoas ligadas ao líder dos unionistas vêm insistindo durante os últimos dias que as especulações são falsas e ressaltam que Paisley expressou claramente sua posição.
O “Irish Times” afirmou hoje que a maioria dos deputados unionistas em Westminster quer que o substituto de Paisley tenha seu nome revelado antes das próximas eleições gerais britânicas, previstas no máximo para 2010.
Estes cálculos entram em choque com a intenção declarada de Paisley de cumprir um mandato pleno à frente do Governo autônomo norte-irlandês de poder compartilhado, o qual termina em 2011, quando o reverendo completará 85 anos.
Segundo o jornal, um setor do DUP levantou a possibilidade de Paisley continuar à frente do Executivo de Belfast, mas considera necessário que o líder da legenda abandone o mais rápido possível a Presidência do partido que ele mesmo fundou em 1971.
O único consenso é de que o compromisso pessoal de Paisley foi a peça-chave para reativar as instituições do Governo norte-irlandês e sua autonomia após a assinatura do acordo de paz de Saint Andrews (2006).
O próprio reverendo disse acreditar que deve continuar à frente do Executivo até o final deste mandato para consolidar os acordos de poder compartilhado selados com o Sinn Féin.
No entanto, a publicação irlandesa informa hoje que vários membros do DUP, em particular seus deputados em Londres, estão incomodados com a relação próxima de Paisley com seu adjunto no Governo, o republicano Martin McGuinness, o que lhes valeu o apelido de “irmãos risadinha”.
Um parlamentar unionista não identificado pelo “Irish Times” disse que “deve ser aberto um debate sobre a capacidade de Paisley de continuar fazendo seu trabalho” e destacou que não há “plano algum” para a sucessão do reverendo.
Entre os favoritos para a sucessão na Irlanda do Norte estão o ministro da Economia norte-irlandês e “braço direito” de Paisley, Peter Robinson, e o ministro de Empreendimentos, Comércio e Investimento, Nigel Dodds.
Fonte: EFE
