Até mesmo padres protestaram contra os gastos de 60 milhões para receber Bento XVI na semana que vem.

Diante da pior crise desde a queda do regime da ditadura franquista, até religiosos passam a entrar em choque. Nesta semana, foi a vez de mais de cem padres se unirem para protestar contra os gastos de 60 milhões para organizar a visita do papa Bento XVI ao país na semana que vem.

Metade desse orçamento será arcado pelo governo que anunciou o corte de gastos para a compra de remédios alertando que precisa equilibrar suas contas.

O Fórum de Padres de Madri, entidade que reúne padres das paróquias de bairros pobres e até de favelas, alega que não é o momento de o poder público gastar recursos com a visita do pontífice. Em um documento preparado para atacar a atitude do governo, os padres citam o FMI e alertam que o dinheiro deveria ser usado para ajudar as famílias mais pobres.

O gasto público não é o único alvo dos padres. Para financiar o restante dos custos da viagem do papa a Madri, empresas espanholas foram convocadas a contribuir, entre elas os maiores bancos do país, como o Santander, e instituições financeiras que foram resgatadas pelo governo há três anos.

O papa participa do Dia Mundial da Infância, que neste ano será celebrado em Madri. Para os padres, não faz sentido ter esse gasto em um país onde 47% dos jovens estão desempregados.

“Foram essas empresas que estão patrocinando o papa que, junto com o capital internacional, geraram a crise”, atacou Evaristo Villar, um dos membros do grupo. “Não somos contra a visita do papa. Somos contra a forma pela qual foi organizada”, declarou.

Curiosamente, a ação dos padres ganhou a adesão de um grupo oposto, a Europa Laica. Sob o slogan “Nenhum centavo dos meus impostos para o papa”, o grupo questiona os gastos de 60 milhões de euros, justamente no momento que o governo anuncia cortes de 40 milhões para a educação. O grupo ainda questiona a decisão do governo de dar transporte gratuito aos peregrinos, enquanto toma a decisão de elevar em 50% o preço da passagem de metrô em Madri.

“Diante da crise que enfrentamos, não podemos pagar por isso. A Igreja deve dar o exemplo”, afirmou o movimento Indignados, em um comunicado.

Yago de la Cierva, diretor executivo do evento em Madri, se defende. “Fizemos um esforço enorme para moderar os custos do evento e para ser responsáveis economicamente”, disse.

Mas justificou que são os jovens que gostam de mega eventos e a Igreja apenas usa o mecanismo para passar sua mensagem.

[b]Fonte: Estadão[/b]