Silas Malafaia
Silas Malafaia

Por Cássio Bruno
O DIA

Silas Malafaia, de 60 anos, é líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo desde 2010. São 140 templos pelo Brasil, com rebanho de cerca de 100 mil fiéis (70 mil só no estado do Rio).

Ex-conferencista, apareceu na lista da ‘Forbes’, em 2013, como um dos pastores mais ricos por ter acumulado 150 milhões de dólares em patrimônio. Venceu o processo contra a revista, que pediu desculpas e reconheceu que o valor correspondia a 3% dos números citados.

“Antes de ser pastor, eu já tinha vendido mais 10 milhões de livros e mais de três milhões de palestas em DVDs”, diz ele, cobiçado por políticos em campanha atrás de apoio. À Coluna, fala sobre o ex-presidente, os evangélicos no STF, Sergio Moro e as eleições municipais. 

Confira a entrevista para o jornal O DIA:

O DIA: O presidente Jair Bolsonaro quer indicar um evangélico para o Supremo Tribunal Federal. O senhor tem algum favorito?

SILAS MALAFAIA: Podem ser terrivelmente evangélicos, mas têm de ser terrivelmente preparados. Posso dizer a você: o advogado da AGU (Advocacia Geral da União, André Mendonça). O (juiz federal Marcelo) Bretas. O Guilherme Schelb, procurador-geral da República. Tem o juiz federal de Niterói, William Douglas. Todos evangélicos. A questão não é ser evangélico ou não. Até nos Estados Unidos, a maior democracia do mundo, quando se elege um presidente da linha de direita, manda-se para a Suprema Corte um cara de viés de direita. É normal, natural.

Tanto faz para o senhor ser evangélico ou não?

O Bolsonaro vai colocar alguém do viés ideológico que ele acredita. É isso que estou falando. Se ele está dizendo que vai pôr um evangélico, é porque pertence a um viés ideológico que ele acredita.

Mas o senhor é a favor?

Eu não tenho nada contra. Na Suprema Corte, tem gente católica, tem judeu. Ter um evangélico não é nada demais, não.

Acredita que o ministro Sergio Moro possa deixar o governo depois do vazamento das conversas?

Como é que você vai construir alguma coisa contra uma pessoa baseado em crime? O que fizeram é crime. Como é que ele vai deixar o governo por causa de um crime? Já está provado! Tem montagem, tem safadeza. 

O Moro não está desgastado com o episódio?

A prova de que não está são as manifestações nas ruas a favor dele. Pode estar desgastado por um viés de imprensa de esquerda, que quer desgastar o cara. Mas desgastado em quê? Não conheço o desgaste de Sergio Moro. O povo não reprova o cara.

O senhor acha justo o governo afrouxar obrigações fiscais de igrejas como quer a bancada evangélica?

Isso é a maior safadeza, preconceito, bandidagem. Ninguém afrouxou nada para igreja evangélica. As religiões têm uma coisa chamada imunidade tributária constitucional. Não está afrouxando porcaria nenhuma. Está cumprindo o que a constituição garante à igreja evangélica, à católica, a um centro espírita. Isso aí é todo um jogo para desgastar o presidente e também nos desgastar. A safadeza que foi feita contra as religiões a partir de 2015, no governo Dilma, que pôs um monte de pegadinha para tentar multar e arrancar dinheiro das instituições, que têm imunidade tributária. Não afrouxou patavina nenhuma para nada. É direito constitucional. O resto é conversa.

Quem o senhor pretende apoiar para a prefeitura do Rio em 2020?

Honestamente, não sei.

Depende de quê?

De um monte de coisa. De ver a continuação do governo do Crivella; dos outros nomes que aparecerão, de quem serão os candidatos.

Alguém já procurou o senhor para conversar? 

Não conversei com ninguém sobre isso. 

Como tem visto o governo Crivella?

Ele sofreu um desgaste grande com a história do impeachment. Ele tem que melhorar.

Em quê?

Como um gestor de uma cidade. Sei que ele recebeu abacaxi. Tudo que é prefeito que governa as cidades está sofrendo desgaste pela situação econômica do país. 

Não descarta apoiá-lo mesmo sendo de uma igreja diferente?

Não votei por ele ser de igreja. Não tem nada a ver. Votei nele no segundo turno (em 2016). No primeiro, não votei em ninguém. Votei nele esperando melhorar, abençoar a cidade. É uma questão de gestão, de capacidade, e não de qual igreja pertence.

O senhor já apoiou vários candidatos. Lula, Aécio, Serra… Se arrepende?

Acreditei que o Lula pudesse resgatar o país por ser um cara de origem pobre. Mas depois eu fui ver que ele não saía da sua ideologia. Apoiei acreditando, como grande parte dos brasileiros. Se eu disser que não acreditei, sou mentiroso. Quando votei no Serra e no Aécio, eu não tinha outra opção. Ou votava na esquerda, que já tinha posto as unhas de fora, ou votava neles. Mas, no Lula, votei acreditando. Para mim, ele foi a decepção.

O senhor tem cargos nos governos Crivella, Witzel e Bolsonaro?

Não tenho nomeação. Desafio qualquer um a mostrar quem é que eu nomeei.

Fonte: O DIA