A cúpula da igreja católica tem demonstrado preocupação com a saúde e a credibilidade de suas finanças.

Segundo o site Religion News Service, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, disse no fim de 2012 que, diante da “continuação da incapacidade de levantar recursos”, é necessária uma “gradual, mas efetiva, redução de custos”. A falta de medidas efetivas, apesar de evidências de problemas de gestão financeira, faz com que a igreja seja alvo de críticas.

No ano passado, vieram à tona cartas enviadas a Bento 16 pelo arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-secretário-geral do governo do Vaticano. Em uma delas, Vigano afirmou que quando assumiu o posto, em 2009, encontrou uma “situação desastrosa”, de “gestão caótica”.

Mas a maior mancha na credibilidade de gestão financeira da igreja tem sido causada pelos recorrentes escândalos do IOR (Instituto per le Opere di Religione), mais conhecido como Banco do Vaticano, que teriam contribuído para a renúncia do papa.

O banco tem sido alvo de várias investigações sobre lavagem de dinheiro.

Em janeiro deste ano, o governo italiano proibiu que seus bancos fizessem negócios com a Santa Sé, citando a falta de transparência em relação às contas do IOR. Isso resultou na suspensão temporária das transações com cartões de crédito em pontos turísticos do Vaticano.

Bento 16 chegou a dar passos para tentar aumentar a transparência financeira do Vaticano, como a criação de uma autoridade fiscalizadora.

Mas, segundo relatos da mídia estrangeira, ele teria enfrentado resistências para aumentar a transparência das ações do IOR.

Em anos recentes, os relatórios financeiros da Santa Sé passaram a mencionar o valor das doações anuais feitas pelo Banco do Vaticano (cerca de € 50 milhões/ano) para ajudar a cobrir os gastos da administração central da igreja.

[b]Fonte: Folha.com[/b]