O vocalista da banda Resgate, pastor Zé Bruno, publicou um artigo em sua fanpage comentando a música gospel e fazendo elogios aos artistas que ousam inovar em seus projetos.

Zé Bruno voltou ao assunto depois de sua recente crítica ao meio gospel, usando como ilustração o Troféu Promessas.

Neste artigo, Zé Bruno cita o cantor Hélvio Sodré e a banda Tanlan como bons exemplos de artistas cristãos que inovam em seus trabalhos. O cantor lembrou ainda do Palavrantiga, O Trigo e Daniela Araújo como “heróis na resistência”.

Sobre música secular, Zé Bruno citou uma frase do pastor Ariovaldo Ramos, que diz que “sem Bíblia não há heresia” para ilustrar os motivos que o levam a acompanhar artistas não cristãos: “Acho que é por isso que me sinto melhor às vezes ouvindo uma música em uma rádio qualquer do que ouvindo o melhor dos iguais no meio evangélico. Onde não há Bíblia não há hersia, na música ‘secular’ (sei lá quem inventou esse título) consigo enxergar apenas o sentimento que o poeta demonstra e sua reflexão sobre a vida, e isso me soa coerente”.

Em seu texto, o vocalista e pastor faz uma breve menção aos tempos em que foi bispo primaz da Igreja Renascer em Cristo, e ainda parodia a música “O Pulso”, de Arnaldo Antunes, com o cenário que hoje, segundo seu ponto de vista, forma o meio gospel.

Confira abaixo a íntegra do artigo de Zé Bruno, “Troféu II – O pulso”, publicado em sua fanpage no Facebook:

Falando um pouco sobre música.

Neste final de semana pude conhecer dois trabalhos que me agradaram muito. Tive a grata surpresa ao ouvir os cds do Hélvio Sodré e do Tanlan que estão dentro de um universo Rock-Pop no qual tenho navegado com o Resgate, há algum tempo. Acredito que deva ter mais gente fazendo coisa boa por aí a fora, cito dois casos por que pude ouví-los.

Começamos com o Resgate em 1989, estamos perto de completar 24 anos, mas não me acho uma referência no sentido crítico, até porque meu universo musical roqueiro implica em muitas limitações harmônicas…sabe como é, são só três acordes…rsrsrs…it’s only rock’n’roll but I like it!

Mas confesso que quando me apresentam algo novo me sinto como se estivesse lendo o jornal de ontem, sabe como é? Aquela sensação de já ter lido aquela matéria e visto aquelas fotos? Imediatamente coloco de lado o periódico e sigo a vida à procura de uma notícia nova, infelizmente o Ctrl “C” seguido de Ctrl “V” insiste em subsistir em nosso meio.

Graças a Deus não é o caso destes dois Cds que pude ouvir, eles saem do lugar comum, isso é bom.

Não estou fazendo o papel de crítico, apenas refletindo sobre o que estamos fazendo com a nossa arte. A música e a poesia andam juntas e são a expressão da nossa razão e sentimento. Na verdade não sei se vivo em busca de uma música do céu, acho que vivo procurando uma maneira cada vez melhor de expressar o que Deus coloca dentro de mim aqui mesmo na terra. O que eu preciso do céu acho que já tenho na forma Revista e Atualizada e na Linguagem de Hoje.

Acredito que este é o grande problema… Nossa arte musical e poética precisa vir à luz pela reflexão nas sagradas letras, acho que é disso que sinto falta.

Meu amigo e mestre Ariovaldo Ramos me disse que sem Bíblia não há heresia. Acho que é por isso que me sinto melhor às vezes ouvindo uma música em uma rádio qualquer do que ouvindo o melhor dos iguais no meio evangélico. Onde não há Bíblia não há hersia, na música “secular” ( sei lá quem inventou esse título) consigo enxergar apenas o sentimento que o poeta demonstra e sua reflexão sobre a vida, e isso me soa coerente, e muitas vezes até se alinha com a lógica de Renato Pereira de Carvalhous em sua palavra. Por um outro lado músicas evangélicas sem reflexão e teologia se tornam avessas aos meus ouvidos, pois a poesia não contém o ingrediente que eu esperava que deveria conter.

Teve dias que cheguei a pensar que não tería mais jeito, mas ouvindo meus novos amigos, valei-me Arnaldo Antunes, senti que o pulso ainda pulsa.

Poderia citar Palavrantiga, O Trigo, Daniela Araújo…e outros tantos que me perecem que nadam livremente contra a correnteza. A mim me parece que não se importam com o fluxo natural, que legal isso! Fazem sua arte, cantam sua música e pronto. Eu gosto de ser assim, e admiro quem o é. Espero não me equivocar com essa galera, acho que não vou não…

Depois de um tour de alguns anos no universo neo-pentecostal, sou grato por estar de volta e encontrar gente que sempre foi herói na resistência, pessoas que mantiveram vivo o mundo onde hoje encontro vida outra vez, obrigado a todos!

Além disso, esses heróis servem de útero para que Hélvios e Tanlans possam nascer. Espero poder contribuir de algum jeito com esse mundo.

Parabéns aos novos diferentes que mantém a alegria sentir de que o vinho pode ser novo todo dia em todos os sentidos. A cada dia vem um novo tsunami, mais um sucesso gospel, mais um meteoro da paixão, mas esse pessoal me faz ver que o pulso ainda pulsa…

Vai minha paródia…

Auto-ajuda, profecia, esquizofrenia
Só vitória, dando glória, e histeria
Conquistando, avançando, valentia
Submundo do gerúndio, alquimia

E o pulso ainda pulsa (graças a Deus)

O pulso ainda pulsa

Atos proféticos, símbolos, judaísmo
Artimanha, barganha, fanatismo
Fronha, lenço, arca, candelabro
Meia, sabonete ungido, abracadabra!

E o pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa

Cópia, versão, fé, enlatado
Revelação, mais unção, pré-fabricado
Mexas, bárbies, clipes, relógios dourados
Tiques, Sarzedas e Disney, auditório animado

Mas o pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa

Zé Bruno

[b]Fonte: Gospel +[/b]