Líder evangélico midiático, Silas Malafaia (foto) lembra de ‘kit gay’ em vídeo e diz que petista dissemina ‘lixo moral’. Religioso, que em 2010 apoiara o tucano contra Dilma com foco no tema do aborto, dispara também contra Lula.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, divulgou um vídeo em que pede votos para o candidato do PSDB à prefeitura, José Serra, e ataca os adversários do tucano.

Malafaia prega o voto útil contra Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas de intenção de votos.

No vídeo, também acusa Fernando Haddad (PT) de incentivar a disseminação de “lixo moral” à frente do Ministério da Educação, ao autorizar a produção de cartilha anti-homofobia”.

O pastor diz que Haddad foi “alertado” pelas bancadas evangélica e católica sobre “o que era o ‘kit gay'”, -suspenso pela presidente Dilma.

“Não era um kit contra a intolerância, era para ensinar homossexualismo. Como um camarada é alertado e faz um kit para ensinar esse lixo moral?”, questiona Malafaia.

Malafaia diz que pretendia não opinar no primeiro turno, mas afirma que mudou de ideia porque, segundo ele, “quase com certeza” quem for para o segundo turno contra Russomanno será “o prefeito de São Paulo”.

“O outro [Russomanno] está em queda livre depois que ficou muito claro o envolvimento dele com a Igreja Universal”, afirmou. “Por isso, a eleição é já. É agora.”

No material, Malafaia também critica o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Lula, eu votei em você. Você está destruindo a sua imagem de estadista com essa de bancar o cabo eleitoral medíocre”, diz Malafaia. “O Serra não tem envolvimento de corrupção em que está denunciado no Supremo Tribunal Federal. Ele não é perfeito, mas tem biografia limpa.”

[b]REAÇÃO[/b]

Fernando Haddad disse que o apoio de Malafaia a Serra e as críticas do pastor são reações ao crescimento de sua candidatura. “Nosso crescimento vai gerar inquietação muito grande nas hostes dos meus adversários.”

Petistas criticaram a declaração de voto de Silas Malafaia nas redes sociais. O pastor rebateu as críticas.

“Eu sou cidadão, meu caro. (…) Eu tenho o direito de opinar politicamente e você tem o direito de me contrariar”, disse Malafaia.

Na tarde de ontem, em caminhada na Lapa, José Serra comemorou o engajamento do pastor evangélico. “Recebo com muito prazer, muita satisfação esse apoio.”

Na eleição presidencial em 2010, Malafaia também apoiou o tucano, contra Dilma Rousseff, e criticou a hoje presidente ao tratar do tema do aborto.

[b]Kit gay[/b]

Polêmicas relacionadas ao kit gay já motivaram outras críticas nas eleições para pefeito de São Paulo. A Arquidiocese de São Paulo divulgou comunicados contra o pastor Marcos Pereira, presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB), atual coordenador da campanha de Russomano e ligado à Igreja Universal.

Em texto publicado em maio de 2011, Pereira associa o “kit anti-homofobia”, que ficou conhecido como “kit gay”, à influência da Igreja Católica. A mensagem do pastor voltou a circular nas redes sociais e provocou a primeira reação católica. Na nota de repúdio, a Arquidiocese disse que o texto do pastor revela “destempero” e “cheira à intolerância religiosa”. A Igreja Católica afirmou ainda que o PRB é “manifestadamente” ligado à Igreja Universal.

[b]Haddad refuta críticas[/b]

Em entrevistas e compromissos de campanha, o candidato do PT tem refutado as críticas de adversários que tentam associá-lo ao kit antihomofobia. Ele afirma que a iniciativa é resultado de uma emenda parlamentar para combater intolerância de gênero, racial e religiosa.

“Esses parlamentares fizeram uma emenda ao Orçamento do ministério da Educação para produção de um material contra a intolerância. Bom, nós julgamos inapropriado o material para distribuição e reservamos o material para formação de professores”, disse em entrevista no sábado (22). “Eu penso que eu e a presidenta Dilma tomamos a decisão correta e eu não entendo as críticas que estão sendo feitas no sentido de distribuir um material que não era o mais adequado para crianças e jovens”.

[b]Fonte: Folha de São Paulo e G1[/b]