“Ame e faça o que você quiser, pois nada do que você fizer por amor será pecado” — Agostinho.

Esta frase de Agostinho de Hipona é perfeita, embora seja muito mal vista e interpretada.

Ela é mal vista pelos que temem que esse chamado ao referendo do amor em todas as coisas, determinando o que convém e o que edifica, e não o que é lícito (legal) ou ilícito (ilegal) possa afrouxar os ânimos morais das pessoas, e, assim, conduzi-las a uma vida de auto-indulgência, caprichos e promiscuidade.

De fato, desde que Agostinho disse e escreveu isto, muita gente já usou tal dito para fazer o que é maldito.

Os mosteiros e monastérios medievais foram as muralhas que abrigaram tarados de toda Europa, que, nas caladas da noite, abusavam de crianças, ou entregavam-se ao sexo sádico e masoquista, antes de passarem o resto da noite infligindo chicotadas nas próprias costas.

Ao final, se questionados, diriam: Ame e faça o que você quiser, pois nada do que você fizer por amor será pecado.

Sempre que algum teólogo, sacerdote ou pastor começa a se preparar para uma vida de licenciosidade, a primeira coisa a ser feita, para remediar a alma em suas culpas e angustias, é ressuscitar Agostinho a fim de amparar a saúde da transgressão pela via do amor.

Então, dizem: Ame e faça o que você quiser, pois nada do que você fizer por amor será pecado.

Em síntese: por isto o texto de Agostinho é tão mal visto.

Eu disse, todavia, que o texto é perfeito no que diz, apesar das interpretações mal intencionadas ou dos ódios que ele recebe em razão da ignorância ou da insegurança pessoal dos o que o atacam.

Ele é perfeito porque ele diz o que a Palavra diz.

“O fruto do Espírito é amor… Contra o amor não há lei”, afirma Paulo.

“O amor não busca seus próprios interesses… O amor não faz injustiça… O amor não é feliz no mal… O amor só se plenifica na verdade… O amor espera… O amor não se amargura… O amor dura pra sempre…” — todas essas são afirmações de Paulo que deixam claro o que amor significa para todos quantos desejam amar de verdade a fim de ficarem livres para fazer o que desejarem.

Ora, se para você amor é assim, então, sem medo, vá e faça o que você desejar fazer tomado de amor, pois, assim, você jamais transgredirá.

Afinal, se amor é assim, e se creio que ele é assim, como posso evocar o amor a fim de justificar o rancor que meus caprichos criam em outros, ou o ódio que minhas transgressões geram nos corações feridos pelo exercício de minhas vontades egoístas?

No amor nem tudo é legal, mas nada é inconveniente ou destrutivo; pois, o amor não se conduz inconvenientemente e não se põe em ação a não ser para edificar.

Foi em amor assim que Jesus viveu e amou até o fim.

Viveu em fuga, foi perseguido, teve que se ocultar muitas vezes, recebeu inúmeras ameaças de morte, esteve no exílio, guardou segredo sobre seu paradeiro, etc.

Ou seja: era amor perseguido pela Lei, pelas leis e pela maldade dos homens.

Sim! Era amor em verdade contra toda mentira legal e contra toda aparência falsa. Porém, esse amor fugitivo, perseguido, fora da lei, e fora de mão, era o único caminhar sem pecado ou transgressão.

Assim, fique sabendo:

Ame e faça o que você quiser, pois nada do que você fizer por amor será pecado.

Nele, que é amor, e por isso não conhece pecado, e, portanto, é livre,

Caio