O livro de Gênesis nos diz que no princípio Deus criou os céus e a terra, mas também nos informa que a terra estava sem forma e catastrófica antes de iniciar-se este processo de criação que conhecemos — o 1º que conhecemos apenas, mas não o 1º como ato criador.

A criação começou somente Deus sabe quando. Zilhões de qualquer que seja a medida empregada… “Tempo” é apenas uma das possibilidades.

É digno de nota, no entanto, que o texto hebraico do Gênesis dê ênfase a dois fatos:

1. Deus inicialmente tirou tudo do nada, do que não era, do que não existia. Afinal, o verbo que designa “criar” usado no texto original denota uma criação ex-nihilo: tirada do nada, do que não existe.

2. Quando o olhar do Gênesis se volta para a terra e a presente criação, nos é dito que uma catástrofe havia acontecido antes: a terra estava catastrófica e vazia…

Na realidade a criação se organiza de catástrofe em catástrofe.

Entretanto, é bom dizer que o que o homem chama catástrofe, nem sempre Deus o chama.

Se destruir as obras do homem ou tirar a vida humana, então é catástrofe.

Deus, no entanto, não é Deus do homem apenas [custa ao homem crer nisto apesar do que Deus disse a Jonas]; e, além disso, Ele não vê como o homem vê. O homem vê o tópico do seu próprio umbigo e, então, chama Deus para discutir o “papel de Deus nas catástrofes”, a fim de ver se recebe alguma explicação.

Sim! Para o olhar humano o Catastrófico é tudo aquilo que seja aparentemente acidental e monstruoso, pra além de nossa visualização de poder e energia; e mais: algo que, se nos pusermos ainda que hipoteticamente no lugar de tal derrame de poder, nos faria desaparecer: isso é catástrofe para o homem.

Ora, é por causa desse olhar do homem que digo que Deus criou sempre de catástrofe em catástrofe; seja na Bíblia da Criação, a natureza e seus registros; seja na Bíblia da Revelação, as Escrituras; seja no Verbo da Vida, Jesus, em quem também vemos o mesmo padrão de criar de catástrofe em catástrofe: da cruz à ressurreição.

Tudo foi bombástico, chocante, avassalador, implosivo, explosivo, auto-aniquilantemente produtor de outro sistema de vida, etc.

Mas para que não viajemos demais no tempo, peço apenas que veja comigo o seguinte acerca da Terra como planeta.

A Terra, originalmente, era bem menor. Foi o choque da Terra com um planeta irmão — menor, mas não mais novo —, o que deu à Terra o volume de massa que ela hoje tem, sua gravidade, seu núcleo maravilhoso, seu ambiente prevalente de clima e marés, sua distancia precisa do sol, e mais: deu-lhe, também, sua Lua; posto que a Lua seja o ajuntamento da massa restante do antigo planeta irmão da Terra, e que agregou massa suficiente para ser o mais perfeito satélite possível para nós, no tamanho exato, na distancia certa, criando as dinâmicas naturais favorecedoras do desenvolvimento deste tipo de vida que há na Terra.

Assim, a própria Terra nasce de um sacrifício, de uma morte que trás vida!

Então, cada novo avanço na criação, pelo menos do ponto de vista de nossa observação cientifica dos fenômenos na Terra, foi marcado por catástrofe.

Até mesmo o surgimento dos mamíferos dos quais fazemos parte, aconteceu em razão da catástrofe que extinguiu os dinossauros e seu longo e uivante reino de poder sem consciência de si.

Para o Eterno, um segundo e uma eternidade são a mesma coisa!

Por isto, o homem sempre nasce do pó, pois, o homem é pó, é parte do chão das catástrofes.

O homem, no entanto, por ser consciente de si mesmo, por dizer “eu”, é agora o grande poder catastrofizante na Terra.

Sim! Pois, a Terra até resiste ao poder do Eu do Homem, que come tudo e devora todas as coisas. O homem, porém, não resistirá a si mesmo como catástrofe, e, se não houvesse a certeza da Nova Jerusalém para quem crê, poder-se-ia dizer que a Terra ficaria aqui ainda por muitos bilhões de anos, e que se refaria de nós, até que, em um bilhão de anos já não houvesse qualquer rastro de nossa infame passagem pelo planeta.

O homem catastrofizará a Terra até que venha a Grande Catástrofe; pois, ver-se-á os céus abertos, e o Filho do Homem com poder e grande glória.

Mas, não fora tal esperança, o que me sobraria em um mundo onde as catástrofes não carregam a inocência dos Tsunamis, mas sim a intencionalidade egoísta e homicida do maior poder do mundo: o do homem?

“Uma vez mais, porém, farei abalar os céus e a terra” — diz o Senhor.

E advém de tal abalo a nossa salvação!

Afinal, as impressões digitais das obras de Deus parecem nos oferecer esse padrão que vai de crise em crise, de catástrofe em catástrofe.

Antes de criar, uma catástrofe: o Cordeiro eterno é imolado.

Antes de fazer a Terra ser a Terra, uma catástrofe que a deixou sem forma e vazia.

Antes de separar um povo para o testemunho explicito na História, uma catástrofe: o Dilúvio.

Antes de vencer a morte, uma catástrofe: a morte; e, então, a Ressurreição.

Antes de se revelar ao homem individualmente uma catástrofe: a catarse e a crise da conversão.

Antes de renovar o entendimento, uma catástrofe: a dor do arrependimento convulsionando a existência de um novo mundo.

Nele, que não conhece catástrofes, mas somente atos de amor que excedem ao nosso entendimento, ao ponto de que até a Sua salvação nos pareça loucura,

Caio