Quem pensou que nunca iria ver o nome do cantor Latino e o termo “gospel” na mesma sentença, certamente está tão surpreso quanto eu.

Mas, parece que é verdade mesmo; Latino, famoso por seus funks cariocas e músicas de cunho erótico como a infame “Festa no Apê”, resolveu investir no segmento da música gospel, conforme noticiado aqui mesmo no [url=http://folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=17802]FolhaGospel[/url]. Não por conta de uma suposta conversão ou por razões filosóficas, mas por grana, “mufunfa” mesmo.

Latino pelo menos foi sincero e deixou claro seus objetivos mercadológicos. Não vou aqui gastar muito espaço com o cantor em questão, que considero medíocre em todos os sentidos, mas a notícia acabou me fazendo refletir um pouco sobre a ética dessa associação entre músicos de crenças diferentes, e alguns sem crença nenhuma.

Se no passado isso era algo muito difícil de acontecer, hoje em dia virou lugar-comum. Eu mesmo já usei em várias gravações evangélicas músicos convidados e arranjadores não evangélicos. Isso por si só não acho problemático. É o mesmo que contratar uma orquestra de câmara para tocar na cantata de Natal de sua igreja. Nem todos os músicos serão evangélicos necessariamente e isso termina fazendo pouca diferença. Nesse caso, a música é apenas um serviço prestado à igreja ou ao evento, assim como qualquer outro professional faria, um marceneiro ou um eletricista por exemplo.

A questão muda de figura quando existe uma associação com quem quer comercializar a fé e obter lucros pessoais às custas do povo evangélico. Ainda que eu ache perfeitamente digno e aceitável que pastores, ministros e músicos cristãos sejam bem remunerados, a questão financeira sempre deve ser secundária em relação aos aspectos ministeriais e confessionais. O que deve pautar as decisões dos músicos cristãos deve ser a ética e os princípios Bíblicos. Submeter-se ou associar-se a quem não vive de acordo com esses princípios é ferir frontalmente o conceito bíblico de que a Luz não deve conviver com as trevas. Mais cedo ou mais tarde surgirão situações onde valores discrepantes serão confrontados e é aí que começa a ficar perigoso. Em muitos dos casos temos visto o cristianismo ser comprometido e flexibilizado para justificar certas coisas que não deveriam ser justificadas. E assim, o que deveria ser ministério se transforma pura e simplesmente em comercio.

Jesus foi tolerante e caridoso com prostitutas, cobradores de impostos e pecadores de forma geral. Mas mostrou toda a sua ira contra os mercadores do templo que justamente se aproveitavam da fé alheia para obter lucro pessoal. O povo evangélico tem que estar bem atento a esses ‘lobos em pele de cordeiro” e a quem a eles se associa. Que não aceitemos justificações falsas e flexibilizações da nossa fé, que no fundo, no fundo só servem mesmo para encobrir conluios e artimanhas de lucro fácil.

Se Latino lançar um disco evangélico, o que ele tem todo o direito de fazer, é bem capaz de fazer sucesso e conseguir o dinheiro que idealizou ; mas quem se vender e esse propósito espúrio, seja fechando um contrato ou mesmo comprando o CD, que se prepare para levar umas boas chicotadas quando se encontrar com o Mestre.

Um abraço,

Leon Neto