De férias no Brasil, tive a chance de assitir a alguns bons filmes nacionais, entre eles “Meu Nome não é Johnny”, do cineasta Mauro Lima. Confesso que o filme citado era a ultima das minhas prioridades, mas já que foi o lançamento da semana, resolvi dar uma chance a Selton Mello e Cia.

Para minha surpresa terminei por gostar bastante do filme; muito mais do que esperava. Não tanto pelas qualidades técnicas, mas principalmente pelo tema abordado e pelas atuações competentes do elenco.

Parece que finalmente o Brasil está aprendendo a fazer filme de ação. Depois de “Cidade de Deus” , o nível das produções se elevou bastante e boas produções desse gênero têm chegado ao mercado nacional, antes inundado com filmes “cabeça” e intimistas, que são bem mais baratos de se produzir.

Contando com o sêlo “Globo Filmes”, “Meu nome não é Johnny” já caiu no gôsto popular e tem boa chance de repetir parte do sucesso de “Tropa de Elite” e arrebanhar uns bons trocados nas bilheterias.

O filme é baseado na historia verídica de João Guilherme Estrela, um “filhinho-de-papai” classe média que de maconheiro suburbano termina por virar traficante de cocaína. A trama começa na infância do personagem onde seus conflitos familiares são expostos e vai caminhando por toda a vida de João Estrela, até a sua inevitável prisão. O personagem principal é retratado com muita desenvoltura e carisma por Selton Mello, e fica difícil não sentir simpatia por ele. O tal do João Estrela é o maior “gente boa”, que vive dando festas sem fim para a rapaziada e bancando o vício de muitos dos seus amigos, ao mesmo tempo em que enverada pelo submundo do tráfico de luxo.

E ai é que está o perigo em relação ao filme; como têm-se a tendência natural de estabelecer empatia com o personagem, termina-se por justificar ou atenuar suas ações expúrias e inconsequentes. É importante separarmos bem as coisas; não é pelo fato de ser um traficante “bonzinho” que se deixa de ser criminoso. Se João Estrela tivesse sido preso em um país de primeiro mundo, muito provavelmente ficaria preso pelo resto da vida, ou pelo menos por um longo período de tempo. Ele deve se dar por feliz por ter sido encarcerdo em um hospital penitenciário por somente dois anos. As vêzes temos a impressão de que quer se passar a imagem de um pobre rapaz injustiçado pelo sistema.
Nada disso; João Estrela era um jovem inútil e ocioso, um parasita da sociedade e que entrou no mundo do crime de cabeça, por livre e espontânea vontade..

Em uma das cenas do julgamento ele tenta se justificar dizendo que vendia droga para poder bancar seu próprio vício e que por isso não enriqueceu e prova disso, a família estava tendo que vender a casa para pagar seus advogados. Ora, ele não enriqueceu porque era absolutamente irresponsável e perdulário com a dinherama que ganhou.

Assisti também a várias entrevistas dos atores e em algumas delas até mesmo com o personagem real presente. Ele agora está reintegrado à sociedade e trabalha como músico e produtor musical. Selton Mello, em alguns momentos quase que enalteceu João Estrela, por ter, segundo ele, “vivido com intensidade todos os momentos”. Sempre é bom ver delinquentes recuperados, fato raro em nosso sistema carceraio animalesco e brutal; mas não podemos romantizar demais o crime e em especial o tráfico de drogas, que está tão perto de nossos filhos e é tolerado de forma tão hipócrita pela classe artística e pelos intelectuais de plantão.

“Meu nome não é Johnny”, é um filme sem mocinhos; todos são bandidos, de certa forma. Assim como todos são criminosos no mundo das drogas; desde quem fuma um simples baseado até o traficante internacional.

Um abraço,

Leon Neto